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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Silêncio dos Sentimentos


"Ela tem um modo econômico de ser - física e emocionalmente - que sempre o atraiu. Seu autocontrole raramente a abandona. É uma mulher que tem domínio de qualquer situação. E mesmo depois de tantos anos, ele sente que mal a conhece, que não consegue entender por completo o que há sob a superfície. Como uma força em sua vida, Jodi é refinada, uma virtuose que o trabalha artisticamente, enquanto Natasha se liga diretamente a seu cérebro primitivo. Se Jodi é para cima, Natasha é para baixo. Se Jodi é um suave aclive, Natasha é uma queda de dez andares."

Ouvi inúmeras criticas ruins sobre o livro, e sabe quando bate aquele arrependimento? E agora, será que consegui entre tantos, escolher o livro errado?
Pois foi esse sentimento que despertou em mim quando li algumas postagens sobre "A Mulher Silenciosa", de A. S. A. Harrison, Editora Intrínseca.
Com certeza, não é "O" livro, mas tem seus méritos. Achei a história bem construída - NÃO! dá para comparar com Garota Exemplar, por favor!
Acho que quando você compara histórias, acaba sacrificando uma delas. As pessoas chegam cheias de expectativas por acharem que vão ter um déjà-vu de uma outra história, e acaba comprometendo todo o contexto do livro, e este perde seu valor!
Esquecem! NÃO é Garota Exemplar. Por sinal, são personagens bem distintas. Não irei entrar em detalhes para não dar spoiler, mas nem sempre certas atitudes querem atingir o mesmo ideal. Você ter certas semelhanças com alguém não significa que suas intenções sejam iguais as delas.
Poderia entrar aqui na desconstrução das duas personagens (Amy Dunne - Garota Exemplar e Jodi Brett - A Mulher Silenciosa) e fazer uma análise profunda de cada personalidade, de cada atitude e seus por quês, mas esse não é o caso aqui. Não por hora (mas seria bem legal!).
Aqui, agora, vamos esquecer Garota Exemplar e resenhar A Mulher Silenciosa, que vai nos contar a história de Jodi e Todd, um casal que levam uma vida aparentemente invejável. Empreiteiro bem-sucedido, Todd pode arcar com alguns luxos, como um belo apartamento com uma vista deslumbrante para um lago, um Porsche (dele) e um Audi (dela) na garagem, enquanto Jodi, que é psicoterapeuta, atende apenas dois clientes por dia e tem tempo de sobra para sessões de pilates, as aulas de arranjos florais e o preparo das refeições gourmet de que tanto gosta. Não é uma vida muito emocionante, mas, depois de terem se conhecido por acaso em um acidente de trânsito vinte anos antes, eles continuam juntos, ainda que não oficialmente casados.
Por trás dessa fachada de tranquilidade, porém, o relacionamento dos dois está prestes a ruir. Todd trai a esposa com frequência, e Jodi sabe disso. E ele sabe que ela sabe. Ela é a esposa silenciosa, preparada para tolerar as traições do marido com o intuito de manter as aparências. Até que o último caso de Todd - com a filha de seu melhor amigo - torna-se mais que uma pequena aventura e ele anuncia que está saindo de casa.
A autora retrata de maneira pungente a desintegração de um casamento e todas as suas consequências e frustrações. A angústia do que estar por vir e a negação da situação.
É uma análise profunda de um "casamento" e tudo que vem com esse contrato.
Recomendo!

Cláu Trigo

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