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domingo, 26 de março de 2017

Ressuscitando os Mortos - A Outra Face


"O Necrotério Municipal parecia igual a qualquer outro necrotério às três horas da madrugada. A única diferença é que alguém pendurara na porta uma coroa de Natal. Alguém dotado de muito espirito de Natal ou então com um senso de humor macabro, pensou McGreavy".

Sidney Sheldon sempre foi para mim uma incógnita. Lembro que li vários de seus livros na minha adolescência e sempre gostei. Depois outros autores vieram e ele acabou sendo esquecido na minha estante. Até que resolvi ressuscitar "A Outra Face", Editora Record, para tentar entender esse meu desapego. E nem precisou de muitas explicações e conversas "filosóficas". Depois que se lê Jô Nesbo, Stieg Larsson, Patricia Cornwell, fica difícil colocar o velho e bom Sidney Sheldon entre meus favoritos. Acho que ele teve seu auge, hoje vejo-o apenas como um escritor ok.
O livro não é nada demais, com mais uma tipica história clichê e algumas falhas em conceitos psicanalíticos. Mas o que incomoda mais a mim como profissional na área, para outros passarão despercebidos e não é nada tão grave que comprometa. Apenas, e para completar, a história é bem café com leite, leve, sem grandes reviravoltas e meio previsível.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Quem Tudo Vê - Conto


"Com o tempo irás habituar-se. Mais importante: irás compreender. As nossas crenças não são aceitas porque não são compreendidas. A primeira coisa que terás de perceber é que todos nós escolhemos o nosso caminho".  

Que conto foi esse?
"Quem Tudo Vê", do português Ricardo Neves, foi um conto que me pegou de surpresa. Sem muitas pretensões, sem enrolações, me deixou 'literalmente', de queixo caído.
Sabe aquele momento que você senta e resolve ler uma coisa mais rápida, sem muita enrolação? Foi isso que aconteceu com esse conto de terror incrível.
Tava eu lá, deitada, quando peguei meu Kindle para uma leitura mais rápida e dinâmica. E foi! Muito mais dinâmica do que rápida, diga-se de passagem, porque passei um tempo enorme depois tentando entender o que eu tinha acabado de ler.
O conto relata a obsessão que Júlio tem por Alice Matos, uma repórter de um canal de TV. Incapaz de compreender seus sentimentos, Júlio procura desanuviar a mente com outras coisas. É quando recebe um vídeo que lhe mostra o quão doentia uma obsessão pode, de fato ser. Só que não é só isso, é muito mais...
Como é um conto, se começar a falar posso acabar dando spoiller, e não é essa a intenção, mas posso dizer com certeza: leiam! Garanto que não irão se arrepender. É MUITO BOM!!!!!
Acabei de ler e fiquei pensando: que p#@$%$ foi essa que acabei de ler.
Depois da leitura, dei um pause para reflexão e não consegui ler mais nada durante aquela noite. De verdade? Estou até agora pensando no assunto. Dias se passaram e olha eu aqui, tentando entender o que aconteceu em "Quem Tudo Vê".
Para quem gosta de terror, fica a dica.

Cláu Trigo

terça-feira, 21 de março de 2017

Desvendando as Teias de Spider


"Quando tudo começou a se tornar amargo? Quando tudo começou a morrer? Houve uma época em que fomos felizes; suponho que a decadência tenha sido gradual, resultado da miséria, da monotonia e da sujeira sombria daquelas ruas e vielas estreitas. A bebida também desempenhava seu papel, assim como a personalidade de meu pai, sua natureza inerentemente sórdida, a morbidez que se alojara dentro dele e que acabou por infectar minha mãe e eu como se fosse uma doença contagiosa".

Normalmente eu nunca assisto um filme que tem livro antes de lê-lo. Gosto sempre de ler primeiro e depois, dependendo, assisto o filme. Com "Spider", de Patrick McGrath, da Editora Companhia das Letras, fiz o percurso contrário. Alguns anos atrás acabei comprando o filme e assisti sem muitas informações, na verdade, só descobri o livro anos mais tarde.
Nesse ano o autor entrou no nosso desafio do Blog e resolvi incluí-lo na minha lista, já que tinha gostado muito do filme. Confesso que deu um trabalho enorme para encontrá-lo. Ele só existe em Sebos, e acabei conseguindo comprá-lo pela Estante Virtual
O livro é sensacional. É muito doido de ler, assim como nosso personagem, Dennis Cleg. O escritor desenvolve com tanta exatidão a história que você se vê dentro dela. Enlouquecido também.

domingo, 19 de março de 2017

J. R. R. Tolkien: O Senhor da Fantasia (Biografia)


"A popularidade de O Senhor dos Anéis tem que ser entendida no contexto daquele grupo que mais seguramente garantiu a sua reputação, os jovens insatisfeitos da classe média industrial do Ocidente da metade da década de 1960. O livro foi uma influência seminal na popular subcultura do período, um artefato tão atraente comercialmente quanto um disco de Bob Dylan." (Nigel Walmsley)

No mês de fevereiro decidimos que iríamos ler uma biografia. Vou ser sincera, foi uma grande desafio para mim. Não curto biografias - não sei por qual motivo, mas elas não me despertam muita curiosidade. Então para facilitar um pouco a situação, tinha que achar e ler uma que mudasse um pouco a minha visão sobre esse estilo literário.
Procurei biografias de vários autores que gosto, mas não achei muitos. Queria muito ler uma da J. K. Rowling - porém só existe uma edição meio antiga que é bem difícil de encontrar para comprar. Então fui para a minha segunda opção: Tolkien. Apesar de ainda não ter lido a sua trilogia principal, AMO os filmes, li no começo desse ano O Hobbit (que também gostei bastante) e sempre fui muito interessada na vida dele. Principalmente por causa das influências que as duas Grandes Guerra tiveram em suas obras e pela sua amizade com o C. S. Lewis. Acabei então ficando com "J. R. R. Tolkien: O Senhor da Fantasia", Michael White, Editora DarkSide.
Estava bem esperançosa sobre o livro e posso dizer que ele teve momentos bons e momentos ruins. Do começo até mais ou menos o meio do livro, a leitura estava bem devagar. Alguns dos comentários do autor ao falar sobre os pais do Tolkien, principalmente o pai, me incomodaram bastante. Sinceramente, isso me atrapalhou várias vezes na leitura e por isso o começo foi bem devagar. Além do tom meio que preconceituoso ao relatar os anos que eles viveram na África do Sul... Mas depois ele melhora um pouco essa questão.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Notas do Subsolo - Literatura Visionária


"As veneráveis formigas começaram com um formigueiro e terminarão também, provavelmente, com um formigueiro, o que muito honra sua constância e sua natureza positiva. Mas o homem é um ser inconstante e pouco honesto, e talvez, à semelhança no jogador de xadrez, goste apenas do processo de procurar atingir um objetivo, e não do objetivo em si. E quem sabe? Não se pode garantir, mas talvez todo o objetivo a que o homem se dirige na Terra se resuma a esse processo constante de buscar conquistar ou, em outras palavras, à própria vida, e não ao objetivo exatamente, o qual, evidentemente, não deve passar de dois e dois são quatro, ou seja, uma fórmula, e dois e dois são quatro já não é vida, senhores, mas o começo da morte. Pelo menos, o homem sempre teve um certo temor desse dois e dois são quatro, e eu até agora tenho. "

Para mim, pessoalmente, um dos melhores escritores de todos os tempos. E incrivelmente, atual!
"Notas do Subsolo", de Fiódor Dostoiévski, Editora L&PM Pocket, é um 'querido' da minha estante e da minha vida.
Tudo que leio desse mestre, acho que ele acabou de escrever, porque tudo que vem dele, é muito atual, visceral, singular. Um dos componentes centrais da composição em Dostoiévski é o limite: alguém impôs um limite ao homem, cabe-lhe parar diante dele e igualar-se ao resto da manada ou ultrapassá-lo, ainda que à custa de terríveis sacrifícios. Para o homem do subsolo, os homens guiados pela razão burguesa param diante do impossível, de um limite, e imediatamente se conformam. Esses limites são as leis da natureza, as conclusões da ciências naturais, a matemática, a razão como medida única de todo o existente, e ele chama tudo isso de 'muro de pedra'. E desdenha desse modelo de homem guiado exclusivamente pela razão, defende o direito de viver segundo a vontade própria, ainda que seja 'estúpida vontade'.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O Voo da Mariposa - Conto #2 do Livro dos Mistérios


Depois de muito tempo enrolando e tentando adivinhar esse segundo conto do autor Jeremias, "O Voo da Mariposa" - que faz parte dos Livros dos Mistérios, eis que a venho escrever a resenha!
Para quem não conhece, no final do ano passado fiz a resenha do primeiro conto dessa coletânea: "A Traição do Sapato Novo". No total, são 3 contos, sendo esse o segundo. Eles podem ser lidos separados, mas o melhor é serem lidos na sequência.
Nesse, uma senhora bastante religiosa tenta escrever uma carta perdoando seu marido que a traiu. Porém, o ato de perdoar não é tão simples. Outras pessoas desculpariam algo assim ou se vingariam? O que é pior: ser enganada ou se tornar infiel? A carta perfeita não sairá tão facilmente!
Como no anterior, para decifrar os mistérios, esse conto de 36 páginas tem que ser lido várias e várias vezes. O começo é um pouco lento, mas nada absurdo. Eu particularmente achei esse mais difícil de captar tudo. Tanto que no dia em que estou escrevendo essa resenha, ainda não consegui respostas para todas minhas perguntas, rsrsrs - mas isso é algo meu. Talvez vocês achem mais fácil!
Separados, acho o primeiro melhor. Porém como conjunto, esse é mais interessante. Agora preciso ler o terceiro para fechar esse ciclo e desvendar esse mistério.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Sem Clichês e Filtros: Uma Duas



"Eu já não sofria tanto, eu acho. Vivia em mim e seguia a rotina dos dias como uma sonâmbula com os dois olhos abertos só para dentro. Quem perdeu muito sabe que há um certo alivio em não esperar nada de bom, e não desejar nada. Eu era criança mas vivia como um adulto que tivesse perdido muito. E era melhor assim. Eu e a minha mãe em nossa rotina calada. Era possível viver sem achar que a vida era um grande milagre."

Que livro foi esse, meus amigos? "Uma Duas", de Eliane Brum, Editora Leya, foi um livro torturante, inconveniente, difícil de descrever e digerir.
É muito mais complexo do que parece, muito mais amargo do que sugere, enfim; um livro para poucos!
Eliane mexe numa ferida perigosa que é, muitas vezes, alguns relacionamento entre mãe e filha. Não é o natural, mas acontece nas melhores famílias.
"Uma Duas" é a história escrita com sangue de um relacionamento que desde sempre nunca deu certo. Uma história de abuso, de medo, de solidão, de dependência. Uma história que dói ser contada, dói ser ouvida, constrange sem piedade.
É difícil de definir, de explicar. É um relacionamento entre mãe e filha que nunca deu certo, que mescla entre ódio e amor, raiva e piedade.