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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Resenha Atrasada - A Confissão


"Procurei relaxar, afinal de contas que mal havia em estar perdido à noite numa cidade desconhecida? As cidades foram feitas para isso mesmo, para a gente se perder, a não ser que sejam cidadezinhas, o que absolutamente não era o caso, as cidades grandes existem apenas com esse objetivo: nos mostrar que somos frágeis, que nossas referências são relativas, portanto o melhor que pode acontecer a um turista é se perder nas ruas de uma cidade grande, não é?"

"A Confissão", de Flávio Carneiro, Ed. Rocco, foi um grande achado e entrou na minha lista de melhores livros de 2017...
Para começar, tem uma capa linda, limpa, sugestiva. Adoro a forma crua que foi criada!
Não conhecia nem o autor e nem o livro, e fui surpreendida com a forma peculiar e envolvente que o Flávio escreve.
Desde o primeiro parágrafo até o último ponto, o livro vai nos contando o inusitado, nos intrigando de uma forma difícil de entender.
O livro nos conta sobre o sequestro de uma mulher, mas na verdade isso é o menos importante. Não que ela não seja importante para o desfecho, mas porque a história que o sequestrador vai nos contar é muito maior que tudo.
É o conjunto de todas as emoções envolvidas que vai tornar o todo algo para se pensar, questionar, e no final, para muitos, pode vir a ser indigesto.
O autor vai nos confundindo o tempo todo com suas histórias, vai variando entre a linha tênue que separa a insanidade da loucura, a realidade da fantasia.
O narrador-sequestrador anônimo é uma incógnita para todos nós, e na maioria das vezes me vi envolvida na sua paranoia, presa num labirinto onde todas as vezes que achava que tinha encontrado o desfecho, descobria que era um grande engano. A cada história que se acaba de contar, descobrimos que era apenas a porta de entrada para a seguinte.
Na verdade, fazemos parte desse sequestro e vivemos a loucura nua e crua de um cara sedutor, obsessivo, atormentado. Não dá para falar muito, senão acabarei contando demais, mas cada história narrada aqui, vai desencadear uma onda de interrogações, e tudo o que você imaginou, esquece! Não é nada daquilo...
E o final... corre lá para ler! Caí das pernas. Que livro mais fascinante foi esse! Além de fazer parte dos meus preferidos, vai ser lido e relido inúmeras vezes, porque vale cada segundo gasto de leitura e descobertas.
Amo quando isso acontece, e recomendo demais.

Cláu Trigo!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: O Segredo de Carol - #OlharNosNacionais


" - Isso nos leva a outra pergunta. O que é liberdade, afinal? As grades não existirem ou você não saber onde elas estão ou não poder vê-las?"

Novamente preciso começar uma resenha dizendo que demorei a leitura de um livro mais do que deveria, mas tenho algumas explicações para isso! Primeiro que está acabando o semestre da faculdade e a carga de leitura + pesquisa está bem grande, o que resulta na segunda explicação: cansaço. Por causa dos trabalhos, chego à noite mais cansada do que esperaria e não estou conseguindo ler tanto (mas na pausa que tive por causa do feriado + greve dos caminhoneiros, consegui colocar tudo em dia). E a última explicação é que mesmo o livro sendo bom, por umas boas semana, não estava muito na vibe de ler. Passadas as desculpas, vamos ao que interessa!
Em "O Segredo de Carol", do Sérgio Santos, (já tem outra resenha dele aqui no blog), acompanhamos Carol (obviamente!) em sua jornada para conseguir achar uma saída da floresta na qual está perdida e encontrar o seu segredo, que está tão bem escondido quanto um tesouro de pirata, com direito a mapa do tesouro e tudo. Durante sua busca, Carol vai encontrar diversos personagens na floresta, entre eles, o Caçador, o Filósofo, o Pescador, a Costureira, a Astrônoma e o Pirata, que irão acompanha-lá e ajudá-la a  descobrir qual é o seu segredo.

domingo, 20 de maio de 2018

Resenha - Alameda dos Pesadelos


"A vida é um círculo. Na verdade, acho que tenho uma definição melhor. A vida é um jogo de tabuleiro; daqueles que você joga o dado e anda uma, duas, cinco casas. Se você não aprender o que tem que ser aprendido na vida, vai ser obrigado a voltar ao início e tentar de novo até conseguir. Se você teimar nos mesmos erros, vai ter que voltar ao início do tabuleiro."

Para o Desafio dos Nacionais do mês passado, tinha escolhido os livros da Karen, "Inverso" e "Reverso" (que inclusive já tem resenha AQUI). Há dois meses participamos de um evento da ABERST feito para o Dia das Mulheres, e a Karen estava lá. E quando descobri que ela tinha feito mais algumas tiragens de "Alameda dos Pesadelos", fiquei doida, pois ele estava na minha lista fazia um bom tempo, e como o livro não tinha mais edição físcia, ficava um pouco difícil de ler (mesmo tendo no Kindle, sempre acabo lendo muito devagar nele). E como já estava lendo os livros dela, decidi colocar esse também e assim já lia tudo da Karen, rsrs.
Aqui, vamos acompanhar o dia-a-dia sem graça de Vivian, uma mulher solitária, que tem como única companhia seu pai e seu filho. Até que um dia, voltando do trabalho, Vivian presencia um acidente no qual uma pessoa acaba morrendo. Depois disso sua vida vira um pesadelo: ela começa a ver um homem do seu passado que ela jurou nunca mais encontrar. E o pior? Ele quer vingança!
Até que ponto é realidade ou alucinação? O que separa vida real da imaginação? Para descobrir, e principalmente, conseguir escapar desse terror, Vivian terá que descobrir quais foram os seus erros e conseguir aceitar a própria culpa.
Tenho que admitir que demorei um pouco para ler esse livro, mas a culpa não é da Karen, é porque ultimamente não estou muito no clima de ler muitos livros. Mas uma noite, decidi que tinha que acabar ele logo e li praticamente ele inteiro em 4, 5 horas.
Vivian é uma personagem muito bem construída - inclusive, esse é um ponto forte da Karen, todos os seus personagens são muio bem construídos - e quanto mais vamos lendo, mais vamos sabendo do seu passado, dos seus erros e acertos também.
Gabriel, que vamos descobrir quem é, até o final, não tem como suportar ele. Depois acabamos entendendo o porque que ele fez o que fez, mesmo sendo errado.
O livro tem o seu suspense, principalmente no começo, quando ainda não entendemos o que está acontecendo. Tem uma cena no qual a Vivian está "presa" em uma casa, que é aterrorizante. Mas não é um livro para dar medo. Na verdade, está mais para uma história que nos mostra que temos que aceitar nossas culpas e erros, com uma forte pegada na religião, no sentido das imagens do Céu e Inferno serem bem importantes.
Teve pontos que gostei bastante, mas ainda acho "Inverso" e "Reverso" melhores.

Já leram? O que acharam? Comentem ai embaixo!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

terça-feira, 15 de maio de 2018

Resenha - Lendo Lolita em Teerã


"A arte não é mais esnobe ou covarde. Ela ensina os camponeses a usar tratores, concede poemas líricos aos jovens soldados, desenvolve tecidos para as fábricas de vestidos, escreve paródias para o teatro das fábricas, serve a uma centena de outros ofícios. A arte é útil como o pão."

Mais um livro excelente lido!
A primeira vez que vi esse livro, foi ano passado no Skoob. Só pelo título, "Lendo Lolita no Teerã", da iraniana Azar Nafisi, Editora BestBolso e já fiquei interessadíssima! 
Adoro livros que tratam da literatura e do seu poder para mudar um estilo de vida, uma sociedade, um país - de abrir os nossos olhos para o que está acontecendo dentro de casa e fora dela também (como o quote de abertura da resenha exemplifica).
E esse livro é tudo o que sempre estou procurando e é o resultado de uma resistência necessária, em um país que tirou praticamente todos os direitos das mulheres - mas sobretudo, de uma resistência literária.
Aqui, Azar vai trabalhar obras como "Lolita", "Orgulho e Preconceito", "Madame Bovary", e de autores como Henry James, Fitzgerald, entre outros. Ela, uma professora da Universidade do Teerã, trará aqui encontros secretos com oito mulheres (que tinham sido suas alunas), para estudar essas obras já citadas e outras, que depois da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini, em 1979, foram censuradas e proibidas de serem lidas, podendo até ser preso quem carregasse um volume desses livros. Ela também irá nos mostrar como essa "revolução" (revolução entre aspas, porque não necessariamente significa algo bom e positivo) começou, e como os direitos das mulheres foram sendo retirados.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Resenha Atrasada - O Jardim dos Esquecidos (Série: Saga dos Foxworth - Livro 1)


"Eu deveria ter contado a vocês que seus avós são obsessivamente religiosos. Acreditar em Deus é bom, o certo. Mas quando alguém reforça sua crença com palavras retiradas do Velho Testamento e as interpretam da forma que mais lhes convém, é hipocrisia, e é exatamente isso o que meus pais fazem. "

Faz uns dois anos que comprei esse livro, e cheguei nele por causa de sua capa - apesar de normalmente eu não gostar de pessoas nas capas, essa eu achei bem bonita - mas fiquei realmente interessada por causa de sua sinopse.
"O Jardim dos Esquecidos", da americana V. C. Andrews, Editora Figurati, é o primeiro volume da quintologia da saga dos Foxworth.
Tudo era as mil maravilhas para Cathy e Chris e seus irmãos gêmeos Cory e Carrie. Até o dia em que um policial bate na porta de sua família falando que seu pai sofreu um acidente e faleceu. Com sua tristeza e problemas financeiros, sua mãe Corrine, percebe que não tem mais como eles ficarem em casa sem ela trabalhar, decide então se mudar para a casa de seus pais, que são muito ricos, para ver se consegue um trabalho e juntar dinheiro para conseguir melhorar a sua vida e a de seus filhos - mas principalmente para garantir sua herança!
Para isso as crianças deverão viver no sótão, como se não existissem. Isso porque os avós das crianças acham que elas são filhas do pecado, por causa do relacionamento de seus pais (que eram primos distantes quando se casaram).
O problemas é que a avó é o demônio em pessoa e eles precisam "torcer" para que o avô morra, para ficarem com o dinheiro e saírem dali. A mãe deles prometem que eles ficarão ali, vivendo daquele jeito, por pouco tempo. No entanto, esses dias viram meses e anos.

domingo, 6 de maio de 2018

Resenha Dupla: Inverso + Reverso - #OlharNosNacionais


"É isso que os médicos fazem com você: eles te deixam preocupado, confuso, com medo. São profissionais do medo. Não existe temor maior que que descobrir que alguém que você ama está doente e pode ir embora: sem volta, sem adeus. Porque não existe adeus de verdade na morte. Ela é a interrupção seca, abrupta e cruel na vida de uma pessoa. Na verdade, na vida de várias pessoas."

É bem difícil eu dizer que fiquei triste com um livro, mas essa duologia conseguiu me deixar assim. Estou falando de "Inverso" e "Reverso", da Karen Alvares, Editora Draco. Um drama com uma forte influência de "Coraline" e uma interessante interpretação sobre os espelhos - além, é claro, do nosso famoso e adorado suspense.
Preciso primeiro dizer que decidi fazer uma resenha dupla, pois ai é mais fácil falar do geral sem ter que separar os textos. No finalzinho também farei um breve comentário sobre o conto "O Pressente", que se passa entre os dois livros.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Resenha Atrasada - Sala dos Homicídios


" - O pior é que eu não posso me lamentar, não abertamente. Não há ninguém com quem eu possa falar sobre Neville. As pessoas ouvem os comentários sobre a morte dele e especulam. Naturalmente ficam chocadas e parecem genuinamente sentidas. Mas também ficam excitadas. A morte violenta é horrível, mas é também intrigante. Ficam interessadas. Vejo isso em seus olhos. O assassinato corrompe, não é verdade? Acaba com mais coisas do que somente uma vida. "

Todos vocês já sabem que o meu gênero preferido é o policial e o tempo todo estou querendo conhecer novos autores e escritas diferentes.
No começo do ano ano, quando estava escolhendo os livros que leria para o desafio, fiquei bem interessada nas histórias da P. D. James e acabei escolhendo "Sala dos Homicídios", Editora Cia das Letras.
A autora inglesa, durante a II Guerra Mundial, trabalhou na Cruz vermelha e no Serviço de Segurança Britânico. Depois, entrou para o Departamento de Polícia do Ministério do Interior (e ainda recebeu da rainha Elizabeth o título de Baronesa James of Holland Park)! Usando de todo o conhecimento que adquiriu durante esses anos, P. D. James irá escrever uma história que a princípio deveria ser envolvente e enigmático mas, não achei tudo isso...
Em Hampstead Heath, no pequeno museu Dupayne, existe uma Sala dos Homicídios, local onde estão expostos os crimes mais famosos da década de 20 e 30, o período do entre guerras, porém a tranquilidade daquele local é ameaçada quando uma série de assassinatos acabam envolvendo os funcionários do museu. O corpo de um dos filhos do fundador é incinerado: assassinato? suicídio? Dentre essas questões, o detetive Adam Dalgliesh percebe que a morte lembra um caso da Sala dos Homicídios, ou seja, alguém está recriando os famosos crimes da sala!