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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Resenha: Querido Jaime - #OlharNosNacionais


"Engoliu seu café fazendo força, enfiando tudo goela abaixo com bolacha de maisena. "Aqui tem tudo!". Como foram duros aqueles momentos que antecederam a sua necessária partida. A casa o oprimia, mas o pensamento de enfrentar o mundo o oprimia mais. Ele não gostava de sair."

Comprei esse livro dois anos atrás, enquanto estava passeando na Paulista. Para quem não sabe, o Eduardo vendia os seus livros na Avenida Paulista, junto com os camelôs e artesãos. Até recentemente ele vivia da venda dos exemplares de "Querido Jaime".
Já conhecia o trabalho do Eduardo por causa do Facebook e dos diversos grupos literários que participo, e aproveitei a oportunidade de encontrá-lo e, como uma boa leitora compulsiva, não me aguentei e tive que comprar. O Eduardo foi super simpático - além de que a sua assinatura é a melhor!
Aqui em "Querido Jaime", acompanhamos a rotina do solitário Jaime, um senhor de 72 anos que se sente oprimido dentro da sua própria casa. No dia em que vai pegar a sua aposentadoria, enquanto está voltando para casa, um grupo de jovens tenta roubá-lo e na ação, além de perder  todo o dinheiro que ele tinha, ele bate a cabeça e desmaia.
Ao acordar, ele dá de cara com um morador de rua que está tentando ajudá-lo, mas como Jaime está um pouco confuso, ele tenta atacá-lo e acaba fugindo. 

terça-feira, 3 de julho de 2018

Resenha Atrasada - Coraline


"Coraline despertou com o sol do meio da manhã em cheio sobre o seu rosto.
Por alguns momentos, sentiu-se totalmente deslocada. Não sabia aonde se encontrava, nem estava totalmente certa de quem era. É surpreendente o quanto do que somos depende da cama onde acordamos pela manhã, e é surpreendente o quanto isso é frágil."

"Coraline", de Neil Gaiman, Ed. Rocco, é com certeza um dos melhores infanto-juvenis que já li. Juvenil nem tanto assim. É um livro para crianças, com muitas fantasias; e um livro adulto, com muitas referências entre linhas e aberta a uma bela discussão psicanalítica. Freud ia gostar.
Coraline é feita de magia, de inconsciente, de interrogações. Freud ia adorar conhecer essa menininha de imaginação fértil e de questionamentos para serem resolvidos.
Ela é uma criança curiosa que acaba de se mudar para uma casa cheia de janelas e portas, mas existe uma unica porta que abre para uma parede de tijolos ou para um corredor escuro e gelado, conforme a hora e a ocasião. Do lado de lá dessa porta, existe um outro pai e uma outra mãe, uma casa igual a sua e com pais bem mais legais que o dela. Do lado de lá a comida é mais gostosa do que ela sempre come e o seu quarto é bem mais bonito.
Mas como tudo que é bom, tem sempre um "se", a coisas acabam se complicando com o desenrolar da história.
Um mundo envolto em mistérios e fantasias lhe é apresentado, e só ela pode decidir o que é mais importante e prioridade para a sua vida. E uma decisão errada pode ser devastadora para uma menina que está à procura de aventurar e surpresas.
Li o livro e assisti o filme, e ambos são envolventes e nos prendem do início ao fim. É surpreendente como buscamos as coisas sem pensar nas suas consequências, e depois precisamos sair correndo atrás dos nossos erros para reverter situações inusitadas.
Recomendo para todas as idades. As crianças vão adorar se aventurar com Coraline, e os adultos vão se questionar diante da sedução de situações que podem encantar num primeiro momento, mas que teremos que lidar com suas consequência lá na frente.

Cláu Trigo!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Resenha - A Desconstrução de Mara Dyer (Série: Mara Dyer - Livro 1)


"Meu nome não é Mara Dyer, mas meu advogado disse que eu precisava escolher alguma coisa. Como pseudônimo. [...] Sei que ter um nome falso é estranho, mas confie em mim: é a coisa mais normal a respeito da minha vida no momento."

A primeira vez que peguei esse livro na mão, foi a uns dois anos, enquanto estava andando na Fnac que tem aqui perto de casa, e comecei a ler ele ali mesmo. Li uns dois capítulos e depois disso não saiu mais da minha lista de desejados. Até que comprei ele depois de um tempo, porém ele ficou pelo menos um ano parado na estante. Então, esse ano decidi tirar o pó dele e venho hoje contar o que achei da história.
"A Desconstrução de Mara Dyer" , Editora Galera Record, da americana Michelle Hodkin, é uma fantasia dramática com uma pintada de suspense.
Aqui, acompanharemos Mara Dyer, uma jovem que acaba de sair de um acidente fatal ilesa. Porém, ela se culpa pela morte de sua melhor amiga, Rachel, de Jude, o seu namorado e de Claire, a irmã dele.
Só que ela não se lembra de nada do acidente, nem o porquê estavam naquele prédio abandonado e nem o que estavam fazendo. E depois de perder a única amiga que tinha, ela entra em uma depressão profunda e a solução que sua mãe acha é a família mudar de escola, de cidade, de tudo, inclusive de nome.
Mara Dyer, que estudava em uma colégio público, quando se muda para a Flórida, não consegue se adaptar muito numa escola particular, com vários filhinhos de papai. Para piorar, ela só faz um amigo e ainda se apaixona pelo maior bad boy da escola, que tem a fama de ficar com todas as garotas da escola.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Resenha Atrasada - A Confissão


"Procurei relaxar, afinal de contas que mal havia em estar perdido à noite numa cidade desconhecida? As cidades foram feitas para isso mesmo, para a gente se perder, a não ser que sejam cidadezinhas, o que absolutamente não era o caso, as cidades grandes existem apenas com esse objetivo: nos mostrar que somos frágeis, que nossas referências são relativas, portanto o melhor que pode acontecer a um turista é se perder nas ruas de uma cidade grande, não é?"

"A Confissão", de Flávio Carneiro, Ed. Rocco, foi um grande achado e entrou na minha lista de melhores livros de 2017...
Para começar, tem uma capa linda, limpa, sugestiva. Adoro a forma crua que foi criada!
Não conhecia nem o autor e nem o livro, e fui surpreendida com a forma peculiar e envolvente que o Flávio escreve.
Desde o primeiro parágrafo até o último ponto, o livro vai nos contando o inusitado, nos intrigando de uma forma difícil de entender.
O livro nos conta sobre o sequestro de uma mulher, mas na verdade isso é o menos importante. Não que ela não seja importante para o desfecho, mas porque a história que o sequestrador vai nos contar é muito maior que tudo.
É o conjunto de todas as emoções envolvidas que vai tornar o todo algo para se pensar, questionar, e no final, para muitos, pode vir a ser indigesto.
O autor vai nos confundindo o tempo todo com suas histórias, vai variando entre a linha tênue que separa a insanidade da loucura, a realidade da fantasia.
O narrador-sequestrador anônimo é uma incógnita para todos nós, e na maioria das vezes me vi envolvida na sua paranoia, presa num labirinto onde todas as vezes que achava que tinha encontrado o desfecho, descobria que era um grande engano. A cada história que se acaba de contar, descobrimos que era apenas a porta de entrada para a seguinte.
Na verdade, fazemos parte desse sequestro e vivemos a loucura nua e crua de um cara sedutor, obsessivo, atormentado. Não dá para falar muito, senão acabarei contando demais, mas cada história narrada aqui, vai desencadear uma onda de interrogações, e tudo o que você imaginou, esquece! Não é nada daquilo...
E o final... corre lá para ler! Caí das pernas. Que livro mais fascinante foi esse! Além de fazer parte dos meus preferidos, vai ser lido e relido inúmeras vezes, porque vale cada segundo gasto de leitura e descobertas.
Amo quando isso acontece, e recomendo demais.

Cláu Trigo!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: O Segredo de Carol - #OlharNosNacionais


" - Isso nos leva a outra pergunta. O que é liberdade, afinal? As grades não existirem ou você não saber onde elas estão ou não poder vê-las?"

Novamente preciso começar uma resenha dizendo que demorei a leitura de um livro mais do que deveria, mas tenho algumas explicações para isso! Primeiro que está acabando o semestre da faculdade e a carga de leitura + pesquisa está bem grande, o que resulta na segunda explicação: cansaço. Por causa dos trabalhos, chego à noite mais cansada do que esperaria e não estou conseguindo ler tanto (mas na pausa que tive por causa do feriado + greve dos caminhoneiros, consegui colocar tudo em dia). E a última explicação é que mesmo o livro sendo bom, por umas boas semana, não estava muito na vibe de ler. Passadas as desculpas, vamos ao que interessa!
Em "O Segredo de Carol", do Sérgio Santos, (já tem outra resenha dele aqui no blog), acompanhamos Carol (obviamente!) em sua jornada para conseguir achar uma saída da floresta na qual está perdida e encontrar o seu segredo, que está tão bem escondido quanto um tesouro de pirata, com direito a mapa do tesouro e tudo. Durante sua busca, Carol vai encontrar diversos personagens na floresta, entre eles, o Caçador, o Filósofo, o Pescador, a Costureira, a Astrônoma e o Pirata, que irão acompanha-lá e ajudá-la a  descobrir qual é o seu segredo.

domingo, 20 de maio de 2018

Resenha - Alameda dos Pesadelos


"A vida é um círculo. Na verdade, acho que tenho uma definição melhor. A vida é um jogo de tabuleiro; daqueles que você joga o dado e anda uma, duas, cinco casas. Se você não aprender o que tem que ser aprendido na vida, vai ser obrigado a voltar ao início e tentar de novo até conseguir. Se você teimar nos mesmos erros, vai ter que voltar ao início do tabuleiro."

Para o Desafio dos Nacionais do mês passado, tinha escolhido os livros da Karen, "Inverso" e "Reverso" (que inclusive já tem resenha AQUI). Há dois meses participamos de um evento da ABERST feito para o Dia das Mulheres, e a Karen estava lá. E quando descobri que ela tinha feito mais algumas tiragens de "Alameda dos Pesadelos", fiquei doida, pois ele estava na minha lista fazia um bom tempo, e como o livro não tinha mais edição físcia, ficava um pouco difícil de ler (mesmo tendo no Kindle, sempre acabo lendo muito devagar nele). E como já estava lendo os livros dela, decidi colocar esse também e assim já lia tudo da Karen, rsrs.
Aqui, vamos acompanhar o dia-a-dia sem graça de Vivian, uma mulher solitária, que tem como única companhia seu pai e seu filho. Até que um dia, voltando do trabalho, Vivian presencia um acidente no qual uma pessoa acaba morrendo. Depois disso sua vida vira um pesadelo: ela começa a ver um homem do seu passado que ela jurou nunca mais encontrar. E o pior? Ele quer vingança!
Até que ponto é realidade ou alucinação? O que separa vida real da imaginação? Para descobrir, e principalmente, conseguir escapar desse terror, Vivian terá que descobrir quais foram os seus erros e conseguir aceitar a própria culpa.
Tenho que admitir que demorei um pouco para ler esse livro, mas a culpa não é da Karen, é porque ultimamente não estou muito no clima de ler muitos livros. Mas uma noite, decidi que tinha que acabar ele logo e li praticamente ele inteiro em 4, 5 horas.
Vivian é uma personagem muito bem construída - inclusive, esse é um ponto forte da Karen, todos os seus personagens são muio bem construídos - e quanto mais vamos lendo, mais vamos sabendo do seu passado, dos seus erros e acertos também.
Gabriel, que vamos descobrir quem é, até o final, não tem como suportar ele. Depois acabamos entendendo o porque que ele fez o que fez, mesmo sendo errado.
O livro tem o seu suspense, principalmente no começo, quando ainda não entendemos o que está acontecendo. Tem uma cena no qual a Vivian está "presa" em uma casa, que é aterrorizante. Mas não é um livro para dar medo. Na verdade, está mais para uma história que nos mostra que temos que aceitar nossas culpas e erros, com uma forte pegada na religião, no sentido das imagens do Céu e Inferno serem bem importantes.
Teve pontos que gostei bastante, mas ainda acho "Inverso" e "Reverso" melhores.

Já leram? O que acharam? Comentem ai embaixo!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

terça-feira, 15 de maio de 2018

Resenha - Lendo Lolita em Teerã


"A arte não é mais esnobe ou covarde. Ela ensina os camponeses a usar tratores, concede poemas líricos aos jovens soldados, desenvolve tecidos para as fábricas de vestidos, escreve paródias para o teatro das fábricas, serve a uma centena de outros ofícios. A arte é útil como o pão."

Mais um livro excelente lido!
A primeira vez que vi esse livro, foi ano passado no Skoob. Só pelo título, "Lendo Lolita no Teerã", da iraniana Azar Nafisi, Editora BestBolso e já fiquei interessadíssima! 
Adoro livros que tratam da literatura e do seu poder para mudar um estilo de vida, uma sociedade, um país - de abrir os nossos olhos para o que está acontecendo dentro de casa e fora dela também (como o quote de abertura da resenha exemplifica).
E esse livro é tudo o que sempre estou procurando e é o resultado de uma resistência necessária, em um país que tirou praticamente todos os direitos das mulheres - mas sobretudo, de uma resistência literária.
Aqui, Azar vai trabalhar obras como "Lolita", "Orgulho e Preconceito", "Madame Bovary", e de autores como Henry James, Fitzgerald, entre outros. Ela, uma professora da Universidade do Teerã, trará aqui encontros secretos com oito mulheres (que tinham sido suas alunas), para estudar essas obras já citadas e outras, que depois da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini, em 1979, foram censuradas e proibidas de serem lidas, podendo até ser preso quem carregasse um volume desses livros. Ela também irá nos mostrar como essa "revolução" (revolução entre aspas, porque não necessariamente significa algo bom e positivo) começou, e como os direitos das mulheres foram sendo retirados.