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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Desafio 2019 - Mulheres em Foco



















Vamos iniciar 2019 pilhadas. Passamos por um momento delicado no país, onde, nós mulheres, ganhamos voz e visibilidade.
Apostando nesse momento e na confiança adquirida, vamos também investir nossas fichas nesse quadro atual que também fizemos parte.
Não precisamos "dar voz" a essas mulheres, já que conquistaram isso por mérito. Na verdade, só vamos enfatizar ainda mais os seus devidos talentos.
2019 seremos "o Olhar" e as vozes dessas mulheres. Seremos críticas, apoiadoras e mais, seremos "elas" por um momento.
Querem fazer parte desse exército do "sexo frágil" com a gente? Então vem... #MulheresEmFoco

Segue abaixo a lista dos livros que vamos ler, separado por mês e com os nossos links para Amazon, para quem quiser ler com a gente ou ficou interessado no livro.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Resenha Atrasada: Aos 7 e Aos 40 - #OlharNosNacionais


"De volta para casa, o ônibus estava silencioso, os meninos maiores sem nada para comemorar. No embalo do motor, de repente, não sei porquê, me lembrei forte, muito forte, da prima Teresa. Ela, na minha memória, com seu sorriso. Então, livre da sua ausência, eu fiquei pensando que, às vezes, é preciso mesmo olhar pra trás se queremos ir em frente."

 "Aos 7 e Aos 40", primeiro romance do paulista João Anzanello Carrascoza, da extinta editora Cosac Naify. É uma obra única, de grande beleza e sensibilidade.
A história nos é apresentada em dois tempos - aos 7 e aos 40 anos - onde o autor vai narrando a vida do protagonista com recordes do seu cotidiano intercaladamente.
A infância do menino é narrado na parte superior da página, e a narração da fase adulta contada na parte de baixo. Nossos protagonistas não são nomeados. O foco são suas histórias e não suas pessoas.
O autor vai contando, com muita poesia, o que o nosso protagonista vive na infância e o que refletiu, direta ou indiretamente, nos dias atuais.
Suas histórias me remetem demais a minha infância no interior, é fácil de compreender as suas histórias e compara-las com as minhas. Quem viveu isso, entende o que eu estou falando.
A criança de ontem e o adulto que o nosso protagonista se tornou é o viés de toda a história. Todo ir e vir sempre é remodelado com um gancho que encaixa a história de antes com o momento presente. "Aos 7 e Aos 40" nos leva para uma viagem deliciosa, nos esbarramos com histórias tristes, engraçadas, reflexivas.
Um livro rápido e inspirador.

Cláu Trigo!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Resenha - A Mulher Enjaulada (Série: Departamento Q - Livro 1)


"Ela sabia que um dia acabaria enlouquecendo. E essa seria a maneira de se libertar dos pensamentos sombrios que povoavam a sua cabeça e contra os quais tratava uma dura batalha. No entanto, ainda não se sentia preparada para essa realidade inevitável."

A primeira vez que tive contato com algum livro do Jussi Adler-Olsen (e não com a sua escrita), foi quando ganhei de aniversário o seu livro "A Caça", que só fui descobrir bem depois que era o segundo livro de uma série policial.
Porém, depois de um tempo, esqueci dele e só fui lembrar tempos mais tarde, quando assisti ao filme "Departamento Q: O Guardião das Causas Perdidas", que na época nem sabia que era uma adaptação. Fui pesquisar sobre o filme e descobri que era a adaptação desse livro, "A Mulher Enjaulada", Editora Record, e por ter gostado tanto do filme, decidi colocar tanto esse quanto a sequência nas minhas leituras do ano.
Esse já foi lido e espero que consiga ler o segundo ainda esse ano, mesmo estando super enrolada!
Aqui temos o detetive Carl Mørck, que acaba de voltar de um incidente policial que resultou na morte de um dos seus companheiros e deixou o outro paraplégico no hospital, sendo o único ileso. Por ainda estar traumatizado e não ser bem aceito pelo resto da equipe policial, ele é colocado no Departamento Q, uma nova seção responsável em abrir casos antigos que não foram resolvidos. E o primeiro caso que ele pega é do desaparecimento de Merete Lynggaard, uma mulher bonita e que some no auge da sua carreira política.
Acompanhado de seu parceiro, Assad, Carl terá que descobrir o que aconteceu finalmente com ela. Foi raptada? Foi homicídio? Suicídio? Entre provas desaparecidas, problemas políticos e diversos caminhos, o detetive descobrirá que os acontecimentos do nosso passado um dia afetarão o nosso futuro.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Resenha Atrasada - Leite Derramado



"A figura Matilde trancada num sanatório, era mil vezes preferível perambular pela cidade, adivinhando a silhueta dela em cada janela de arranha-céu. Algum dia eu haveria de topar com ela, mesmo que se passassem anos, mesmo aos beijos com outro. E se algum dia encontrasse Matilde com outro, mais que olhar Matilde eu olharia o outro, eu necessitava saber como era esse homem, para dar substância ao meu ciúme. Eu pensava nesse homem constantemente, muitas noites cheguei a sonhar com ele, mas ao despertar não conseguia lhe conferir forma humana. Nem ódio eu poderia ter de um sujeito que não me ultrajou, não entrou na minha casa, não fumou os meus charutos, não violentou minha mulher. E pouco a pouco me dispus a aceitá-lo, procurei imaginá-lo como uma alma delicada, como alguém que olharia por Matilde na minha falta. Imaginava um homem que se dirigisse a ela somente com palavras que nunca usei, que tivesse o cuidado de tocar a pele dela onde eu jamais tocava. Um homem que se deitasse com ela sem tomar o meu lugar, um homem que se contentasse em ser o que eu não era."

Não tem como ler uma frase dessa e não encontrar ali algum tipo de sentimento que sentimos ou dividimos algum dia.
"Leite Derramado" do Chico Buarque, Ed. Companhia das Letras, é de uma poesia inexplicável. Tem alma, tem coração, tem vida própria. Você consegue ler e se ver na história. Consegue se imaginar andando pelos calçadões de Copacabana, consegue sentir o cheiro do mar, consegue ouvir as declarações de amor entre casais ao anoitecer. É como se você fizesse parte desse universo poético de Chico.
Leite Derramado é um monólogo de um senhor que se encontra no leito de um hospital relembrando a sua infância, retratando sua família desde seus ancestrais portugueses. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos dois últimos séculos.
Com uma memória confusa e desfalecente, a história se desenvolve de forma embaralhada, sem uma ordem lógica e cronológica, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
O texto é primoroso. A fala desarticulada do ancião cria um suspense e muitas dúvidas no leitor.
Não tem como se desprender da história. Dividimos com o narrador/personagem todas as suas angústias, sua paixão mal resolvida por Matilde, que mesmo vista de forma indireta e em breves flashes, ela se torna, também para nós leitores, inesquecível. Assim como o livro.

Link da Amazon - clique aqui. Comprando por ele, vocês ajudam o blog a continuar crescendo!

Cláu Trigo!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resenha: A Arma Escarlate - #OlharNosNacionais


"Foi Caimana quem respondeu. "O erro de um sistema que treina seus filhos para agirem por medo de punição, não pelo desejo de manter a harmonia. No momento que a autoridade desaparece, o sistema se autodestrói. Nesse caso, no momento em que os professores somem, os alunos bagunçam tudo. Porque sabem que ninguém irá puni-los."

Com certeza, esse era o livro que mais estava ansiosa para ler do nosso desafio Olhar Nos Nacionais. E foi "A Arma Escarlate", Editora Novo Século, da Renata Ventura, que fez eu voltar a ler rápido e com vontade.
Tenho esse livro a algum tempo, e na Bienal de SP de 2016 consegui o autógrafo da Renata e, sinceramente, hoje fico muito feliz de ter conseguido, pois foi um livro que amei e com certeza entrará nos melhores do ano!
Aqui, acompanharemos a vida de Idá Aláàfin, um garoto de 13 anos que vive com a mãe e a vó dentro de um contêiner, na favela de Santa Marta, localizado no Corcovado, Rio de Janeiro, em 1997. Durante um tiroteio, tentando fugir do chefe do tráfico, Idá (ou melhor, Hugo!) descobre que é um bruxo. Na sua fuga, Hugo só tem um objetivo: aprender magia suficiente para enfrentar o bandido e ajudar a sua família.
O livro já começa no meio de toda a ação do tiroteio e entramos na leitura um pouco perdidos. Mas com o passar das páginas, a história vai se encaixando e nos explicando cada detalhe desse mundo fantástico presente nesse nosso país que tanto amamos, mesmo com seus problemas que parecem que nunca vão se resolver. Mas isso é história para outra hora...

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Resenha: O Sonho de Eva - #OlharNosNacionais


" Aumentou ainda mais o tom de voz. - Mas conte, velho, qual a importância desses pesadelos?
 - Sonhos, meu caro. Sonhos. E não precisa gritar.
 - Para mim é a mesma coisa; tudo pesadelo.
O chinês abriu a garrafa de Jack Daniels, encheu o copo do ex-militar.
 - A mesma coisa? Prazer e terror podem ser a mesma coisa? Não importa. Você, que ganha a vida como mercenário, é bom saber: sonhos vão ser as armas das guerras deste século! "

Tenho esse livro, "O Sonho de Eva" do Chico Anes, Editora Novo Conceito, já fazem alguns anos. Se não me engano, comprei ele na Bienal de São Paulo de 2014, então deve fazer uns quatro anos que ele está parado na minha estante.
Lembro que cheguei a ele por causa da capa, que achei lindíssima - e ainda acho! Não conhecia o livro nem o autor, mas a capa me conquistou.
Quando fui escolher os livros para o nosso desafio, "Olhar Nos Nacionais", no começo do ano, não tinha dúvidas de que esse seria um dos 12 livros. E pelo tempo que ele estava parado na minha estante, nem me lembrava mais do que se tratava. Acho que isso foi ótimo para a minha leitura.
Na história, teremos duas narrativas: a da Dra. Eva Abelar e a do Dr. Alec Lenz, sendo o foco maior na doutora. Ambos são psiquiatras e amigos de longa data. O livro começa com uma conversa entre um chinês e um mercenário num bar na Augusta, sobre sonhos (no qual o quote do começo da resenha faz parte). Em seguida, já passamos para uma palestra que Eva está dando na Universidade de Viena, na Áustria (o berço da psicanálise) sobre sonhos lúcidos - sua especialidade.

domingo, 19 de agosto de 2018

A Semente do Veneno - Conto #3 do Livro dos Mistérios


"Do primeiro amor nunca esquecemos! Do livro favorito também. Leitura, já dizia mamãe, é uma maneira de se preparar para a vida. Escolher, com sabedoria, quais estilos serão importantes para ler é um dom visto em poucos seres humanos: os raros. Nobres delicados ou brutais!"

Depois de mais de um ano, venho trazer a resenha do último conto do Livro dos Mistérios, "A Semente do Veneno" do Jeremias. E antes de falar sobre o que se trata, tenho que pedir mil desculpas para o autor, pois atrasei mais de uma vez a leitura desse conto e também dessa resenha.
Mas conseguimos, e hoje venho trazer a minha opinião sobre esse terceiro conto, que é o mais longo (60 páginas), o que achei mais difícil de decifrar, mas também o mais interessante.
Aqui, acompanharemos uma mulher, que entre seus livros, encontrou o amor e dele tirou diversos aprendizados. Seu objetivo? Não cair nas armadilhas do amor. Porém, enquanto lia um dos seus livros no bar no qual a sua mãe trabalha, um homem de conversa torta entra no meio do seu caminho e esse monstro trará diversas lembranças que a nossa protagonista esteve sempre tentando fugir. O amor é semente boa ou ruim?