Menu

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Resenha - Fissura (Série: Will Trent - Livro 2)


" - Na minha experiência, os que falam a respeito não vão às vias de fato. Os calados, que se fecham em si mesmos, são aqueles com quem devemos nos preocupar. "

Primeiro, tenho que começar essa resenha falando que tinha certeza que, na época em que li, tinha feito resenha para o primeiro livro da série "Will Trent" da Karin Slaughter. Imaginem a minha confusão quando fui procurar e descobri que, não tinha feito! O motivo: não lembro e nunca saberemos... Mas 'bora' para essa resenha!
Nesse segundo volume, "Fissura", vamos acompanhar um único caso: quando Abigail Campano chega em sua casa, uma imponente mansão no bairro Ansley Park, um dos endereços mais tradicionais e sofisticados de Atlanta, ela encontra uma adolescente brutalmente assassinada a facadas, com seu rosto totalmente irreconhecível - além dos vestígios de um estupro. Ao lado desse corpo, há um homem com uma faca na mão. Achando que é a sua filha morta no chão, ela estrangula o rapaz com as próprias mãos. O caso ficará nas mãos do agente Will Trent, com a ajuda da detetive Faith Mitchell, que tem motivos o suficiente para odiá-lo.
Nesse livro, temos o retorno de Will Trent, mas como fazia alguns anos que já tinha lido o primeiro, não lembrava muito da personalidade dele... Mas deu para relembrar um pouco dos personagens nesse.
Como o livro todo é resolvendo um único caso, talvez a história fique um pouco longa, principalmente quando a autora foca muito na vida pessoal do agente - fica um pouco cansativo, e na minha opinião, não acrescentou muito.  Mas o que achei muito interessante é que é revelado um problema que ele tem e que achei bem diferente (só não lembro se esse detalhe já tinha sido revelado no primeiro, rsrs). A Faith, que é acrescentada nesse livro, é uma personagem que gostei. Espero ver mais dela nos outros livros da série. O caso é interessante, mas não achei nada de outro mundo. Não achei de fácil resolução, porém também não achei surpreendente.
Vejo muitos leitores que adoram os livros da Karin Slaughter, mas ainda não achei tudo isso... Já li dois e ainda não consegui ficar impactada por suas histórias, e não sei mais quantos terei que ler para isso acontecer.
Mas tenho que dizer: as capas de seus livros são maravilhosas!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

sábado, 7 de abril de 2018

Resenha - O Maior Show do Mundo


" - Se tem uma coisa que essa garotinha do Méier aqui aprendeu na vida, meu amor, é que nada é fácil. Nada do pouco que tenho veio fácil. A vida é uma luta. Se a cada dificuldade vai encher a cara, não é o homem que eu imaginava. Não é o homem que me merece!"

No final do ano passado, o autor A. R. Miranda entrou em contanto para divulgação do seu livro, "O Maior Show do Mundo". Só fui consegui ler esse ano, e ainda demorei aí uns dias para resenhar - a faculdade está ocupando bastante o meu tempo e está difícil colocar as resenhas em dia. Mas um dia chego lá!
O livro não é muito grande, tem 245 páginas, e como ele não tem edição física - só em e-book - quando comecei a ler achei que iria demorar mais do que o esperado, acabo sempre mais lenta quando estou lendo no Kindle - mas não, foi super rápido. 
A escrita do autor é muito leve e a gente vai lendo e nem percebe. E, como li ele durante as minhas "viagens" de ônibus para a faculdade, em menos de uma semana já tinha acabado.
A sinopse é bem simples: em uma casa de reality show, com 36 câmeras e 12 participantes, de repente, um de cada vez, vai morrendo lá dentro, tudo passando ao vivo. Quem está matando? E como a pessoa nunca é pega? Na TV, não existem limites! Resta para o diretor do programa tentar resolver o problema, ao mesmo tempo que ele tem que levar adiante o show.
O reality se chama "De Olho Em Você" e é praticamente um Big Brother. A maior diferença é que durante o show, há um assassino matando aos poucos os participantes. E por causa disso, Valtinho vai ter que tentar descobrir quem está matando e controlar a audiência, que a cada morte, só aumenta.
O livro, como já disse antes, é de leitura muito rápida e faz uma bela (e necessária) crítica à TV e seus programas - e nos faz questionar até que ponto vamos para ficarmos ricos ou famosos? 
A crítica não é somente aos programas, que chegam num ponto que fazem qualquer loucura por audiência, mas também é uma crítica à nós, pois reclamamos e reclamamos, mas continuamos assistindo - isso também funciona para a política: reclamamos dos nossos políticos, mas continuamos votando neles... Será que os problemas estão somente neles, ou está em nós também? Questão para se pensar!

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Resenha: O Oitavo Selo - #OlharNosNacionais


"E, enquanto eu fazia, compreendeu, em um segundo de lucidez, que a salvação não estava só na palavra, como fora para Sherazade. Não, para eles a palavra era parte, não o todo, a palavra era o meio, não o fim, apenas um elemento poderoso, mas não o único, na luta para vencer o medo, afastar a morte - a morte que vinha rondando aquele homem sob diversas roupagens, com tantos diferentes disfarces. Por trás da palavra, haveria sempre uma outra força, pedindo que eles seguissem em frente, que não desistissem nunca. E essa força era o prazer."

Eu não sei nem como começar falando desse livro. Escolhi como desafio "Olhar Nos Nacionais" de Fevereiro e foi uma grata surpresa. Indiscutivelmente, um livro de cabeceira.
"O Oitavo Selo", de Heloisa Seixas (Ed. Cosac Naify), com certeza vai fazer parte dos meus livros preferidos da vida.
O título, "O Oitavo Selo", é uma referência ao filme de Ingmar Bergman, "O Sétimo Selo", que conta a história sobre um homem que, condenado, joga xadrez com a morte para tentar ganhar tempo.
O livro mistura realidade e ficção, e Heloisa conta com maestria a história de seu marido, o também escritos Ruy Castro.
Um livro que emociona, fere, nos faz rir e refletir. A narração mostra os diversos momentos de Ruy diante da morte. Os "selos" são os diferentes momentos enfrentados, uma saga que inclui drogas, alcoolismo e doenças graves.
Um livro repleto de referências literárias e musicais que vai conduzindo nossa leitura por caminhos duvidosos.
Heloisa envolve com maestria momentos dolorosos, e Ruy consegue ironizar os mais dolorosos instantes.
No oitavo selo, a autora descreve com tanta exatidão e desespero das crises do marido que não é possível não se comover, se ver ali, chorar junto.
Passei semanas pensando no livro, tentando absorver o máximo possível do quanto se ganha com belas histórias. É um livro fino - 190 páginas -, mas que consome você de uma maneira que passamos um tempo dialogando com ele.
Não precisamos de livros gigantes para descrever a vida de um grande homem. Precisamos de textos claros e honestos para conhecer quem é o outro. E posso dizer: Heloisa desnuda Ruy de uma forma que nossa admiração por ele só aumenta e traz uma palavra mágica: "obrigada por essa bela e comovente história".

Cláu Trigo

terça-feira, 27 de março de 2018

Resenha Dupla: Rio Noir + São Paulo Noir - #OlharNosNacionais


"Uma verdade de quem vive a noite: onde há diversão, há sangue. Onde há excessos, pode-se esperar de tudo. Onde há alegria, há amor, há morte. O hedonismo engana, é uma fantasia: não por outra, tudo é fake em Las Vegas e na Disneylândia. Não por outra, é a rua mais boêmia e festeira do Brasil, a rua Augusta, que a dor está próxima da alegria e do entretenimento."
(Conto Baixa Augusta, de Marcelo Rubens Paiva - Livro São Paulo Noir)

Primeira leitura do ano, desafio de livros nacionais do blog, mega atrasada na verdade. Tenho lido como nunca, e resenhado nada, como sempre! Mas vamos que vamos. Enfim, saiu.
Vou comentar os dois livros na mesma resenha, porque acho que não vale textos separados.
"Rio Noir" e "São Paulo Noir" (Ed. Casa da Palavra), com diversos escritores convidados e editados por Tony Bellotto, nos traz uma coletânea dos mais diversos textos sobre as duas grandes metrópoles cosmopolitas do país: Rio de Janeiro e São Paulo, e com olhares bastantes distintos em seus vários aspectos.
Confesso que me surpreendi um pouco com os contos. No Rio Noir as histórias acabam sempre sendo muito parecidas: tráfico, favelas, pobreza e violência. Eu sempre penso no Rio como muito mais do que isso, apesar das recentes notícias vinculadas 24 horas sobre a "cidade maravilhosa". Acho que poderíamos fugir do clichê e trazer à tona a luz que faz do Rio uma das cidades mais bonitas do mundo.
No São Paulo Noir há um "pouquinho" mais de diversidade nos textos, mas não muito. Como no do Rio, temos os famigerados clichês, mas temos mais histórias nos contando de coisas corriqueiras, pessoas comuns, dia a dias normais.
Tony Bellotto abre as duas edições com belos textos sobre as duas cidades. E temos grandes escritores dando vida aos livros, por exemplo: Garcia-Roza, M. V. Bill, Flávio Carneiro, Raphael Montes, Marcelo Rubens Paiva, Jô Soares, Ilana Casoy, entre outros.
Eu, particularmente, gostei mais do São Paulo Noir do que do Rio Noir. Gostaria muito de encontrar textos falando dos arcos da Lapa, de um pôr do sol visto do Pão de Açúcar, das praias da Barra, das vistas magnificas dos altos dos morros. Mas há textos belíssimos, nostálgicos, muitos nus e crus, que vão direto ao ponto; e dão um tiro direto no coração.
Acho que a descrição, os detalhes, são tão reais que nos rasga a carne, entra e não sai mais de nós. É muito fácil de se localizar, e em alguns momentos, até se identificar com a cidade e seus relevantes problemas.
Cidades cosmopolitas, problemas dignos de seus tamanhos. Esteriótipos cruéis das duas maiores cidades do país.
Recomendo para quem gosta da nossa boa e dramática literatura, e para quem quer encontrar bons textos para se divertir e também para refletir.

Cláu Trigo

domingo, 18 de março de 2018

Resenha - Wytches (Vol. 1)


"É que tipo, de repente, do nada, você cai num lugar onde tudo começa a te dizer que o pior ainda tá por vir, e você tá condenada, e em cada célula do corpo, bem no fundo de cada uma, você sente que é verdade.
 É assim que é, pai, quando eu não tô bem. E leva dias."

De uns anos para cá, estou tentando ler mais quadrinhos, mas infelizmente ainda não tive muita sorte. Todos que li, por enquanto, ou não gostei ou achei muito confuso. Mas continuo insistindo. E "Wytches", Vol.1 do Scott Snyder (Ed. DarkSide) foi no final, uma grata surpresa.
A HQ vai nos mostrar a história da família Rook ao se mudarem para Litchfield, uma pequena cidade do estado de New Hampshire, nos EUA. A mudança de cidade foi necessária para eles esquecerem o passado e deixarem a experiência horrível para trás. No entanto, eles não sabem que na floresta que rodeia a cidade, vive algo sinistro e perigoso. É muito mais difícil recomeçar quando existe uma conspiração que envolve a família à séculos.
As bruxas colocadas na HQ não são como imaginamos quando pensamos nelas. São criaturas "gigantes, antigas, primevas e profundamente malignas. Elas têm um conhecimento das ciências naturais que supera as fronteiras da medicina contemporânea. Elas têm muito poder. Podem lhe dar praticamente o que você quiser," nas próprias palavras do autor.
Mas para dar o que queremos, elas precisam se alimentar, precisam que juremos alguém para elas. Quem daríamos para ter o que sempre desejamos ou para curar um ente querido? Essa é a principal questão que o quadrinho vai abordar.
O começo é um pouco confuso, mas depois as peças vão se encaixando, e vamos entendendo um pouco melhor. Quando a história acaba, temos vários textos do Scott Snyder nos dizendo da onde saiu a ideia da HQ, de onde ele tirou esse medo para colocar na história e ainda temos algumas imagens de como funciona o processo de fazer os desenhos.
Falando nos traços, achei em alguns momentos eles um pouco caótico, obscuro, escuros, sem dar para entender o que estava acontecendo (e talvez esse seja o meu maior problema com as HQs). Mas em vários momentos os traçados são bem bonitos.
No final, acabei até gostando da história, principalmente depois que li os textos finais do Scott sobre a sua inspiração e medos. Tudo ficou muito mais interessante! Porém, não vão ler achando que vai dar medo nem nada do tipo, pois o enredo é bem leve.

Comentem se já leram ou se têm interesse. E me recomendem HQs que posso gostar!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

sexta-feira, 9 de março de 2018

Resenha - Vidas Muito Boas


"A pobreza acarreta medo, estresse e às vezes depressão; significa mil humilhações e pequenas dificuldades. Sair da pobreza por seus próprios esforços - isto é motivo de orgulho, mas a pobreza em si só é romantizada pelos tolos."

Tinha assistido ano passado no Youtube, o discurso que a J. K. Rowling deu para os formandos de Harvard, em 2008. Tinha achado interessante, mas nunca tinha me marcado. Porém, ano passado, a Ed. Rocco lançou esse discurso em formato de livro com o título "Vidas Muito Boas", e agora em Janeiro decidi ler. E por incrível que pareça, ao ler, achei muito mais forte as falas dela. E é sobre isso que falarei hoje!
O livro é bem fininho, tem 80 páginas, e dá para ler numa sentada - que foi o que eu fiz. E também faz parte daquelas listas de livros de cabeceira, ou que o leitor sempre volta a ler, pois dependendo da época, as lições tiradas serão diferentes.
Nesse discurso, J. K. vai falar sobre o fracasso e a imaginação. Ela mostra tudo que ela passou, mas que no final, ou ela teve retorno, ou ela aprendeu com os seus erros e acertos. Ela diz para os formandos que você fracassar não é o fim do mundo, e que mesmo fracassando existem milhares de pessoas em situações piores que a nossa (e nem por isso elas desistiram), que precisamos saber utilizar a nossa imaginação para nos colocarmos na situação do outro.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Resenha: Terras Metálicas - #OlharNosNacionais


" - Que identidade nós temos, Raquel? - Isabela perguntou com um pesar tão denso que se Raquel esticasse os dedos poderia tocá-lo. - O que sabemos sobre nós mesmos além de que somos frutos de uma civilização incompetente a ponto de se matar numa guerra? E mais importante: se nãos sabemos o que levou a essa guerra como podemos evitar o mesmo erro, já que não fazemos nada além de seguir os mesmos passos deles? Como eu posso negar que tudo, talvez, não tenha começado em um baile como este? "

Mais um livro do nosso desafio #OlharNosNacionais lido. E comecei o ano muito bem. "Terras Metálicas", do paulista Renato Nonato (Ed. Novo Século) é o segundo que leio para o desafio e foi outra ótima leitura!
Na história, iremos acompanhar Raquel, uma menina de 12 anos que vive na Esfera, local que foi construído depois da Última Guerra, que tornou a Terra inabitável por conta da radiação. A Esfera é simplesmente uma terra metálica (como o próprio título diz) dentro do Planeta Terra, sendo que os habitantes não podem sair dela, pois não se sabe como o ar está lá fora - talvez tenha ficado um pouco confuso, mas lendo fica mais claro com o passar das páginas.