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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Um Verdadeiro Desafio!


" - Não gosto de Luther King. - ele resmunga.
- Deixa então só o Che mas repense sobre Luther King. Antigamente a santidade era vista como o máximo da penitência, caridade, aquilo que você sabe. Mudou tudo. Hoje um cristão não pode alcançar a salvação da alma sem servir objetivamente a sociedade. Não sei explicar, mas todo aquele que luta com plena consciência para ajudar alguém em meio da ignorância e da miséria, todo aquele que através dos seus instrumentos de trabalho, de seu ofício der a mão ao vizinho, é santo. Os caminhos podem ser tortos, não importa. É santo."

Com certeza, esse foi o livro do meu desafio que estava com mais medo de ler. Talvez por causa de suas inúmeras críticas positivas e toda sua história. E, sinceramente, estava com um pouco de medo de não gostar da leitura. Eu realmente queria terminar o livro satisfeita.
"As Meninas", da Lygia Fagundes Telles, Coleção Folha de São Paulo, talvez tenha sido o maior desafio que tive esse ano. E não vou mentir, do começo da história até por volta da metade do livro, eu demorei muito para ler. Muito mesmo! Estava indo devagar, estava achando muito confuso e até um pouco chato. Porém, teve uma reviravolta - uma reviravolta das mais agradáveis!
Basicamente, a história se passa em 1969 em São Paulo, acompanhando a vida de três meninas: Lorena é a mais intelectualizada, vinda de uma família rica e tradicional; Ana Clara, a mais bonita, liberada e a mais problemática por ser dependente de drogas; e Lia, que está envolvida na luta armada contra a ditadura.
No começo, foi meio difícil saber quem era que estava narrando, quem era quem... Além de ter achado um pouco chato. Depois de um tempo, fui me acostumando com o jeito da Lygia de escrever e da metade do livro pra frente, a leitura foi super rápida! Comecei a gostar da história e fui me apegando às personagens.
As três meninas são muito amigas, mas completamente diferente uma da outra. E com o passar da história, isso só vai ficando mais claro. Acabei gostando muito de uma das personagens, assim, disparado. Lia, na minha opinião, é a mais interessante, muito talvez porque eu concorde com muitas das coisas que ela falada, das suas ideias, pensamentos, no que ela acredita... São muitas as características dela que me agradaram demais. Não que as outras sejam ruins ou chatas, só achei um pouco mais fracas.
Os assuntos discutidos são muito bons. Além do livro citar vários outros autores super conhecidos e importantes, cantores nacionais e internacionais. E isso é bárbaro!
No fim, foi uma leitura que me agradou. Foi difícil? Foi! No entanto, eu acabei gostando e acho que isso é o que importa. E por ter sido escrito numa época muito importante para o Brasil: a Ditadura Militar, o livro torna-se mais importante ainda. Junta quase que um relato da época com críticas fortíssimas. Acho que mais pessoas deveriam lê-lo, vale muito a pena!

"Ricardo Ramos, um querido amigo e grande escritor, filho de Graciliano, escreveu sobre As Meninas e disse que esse romance levou em plena quadra de horror o nosso primeiro depoimento de tortura. Sim, esse depoimento aí está meio escamoteado na boca da personagem Lia, a Lião. E como eu poderia escrever um romance morno em pleno ano de 1970? Comecei a planejar o texto em 1970. Somos testemunhas e participantes deste tempo e desta sociedade com todos os seus vícios. E raras virtudes. "Lutar com a palavra/ é a luta mais vã/ no entanto lutamos/ mal rompe a manhã." Os versos são do poeta e valem para sempre, uns lutam com o cimento armado. Com as leis. Outros, com os bisturis. Com as máquinas - tantas e tão variadas lutas. Eu luto com a palavra. É bom? É ruim? Não interessa, é a minha vocação." (Depoimento de Lygia Fagundes Telles)

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

2 comentários:

  1. Olá, pode parecer estranho e uma completo constrangimento, mas eu não conhecia a obra. Tenho que me inteirar sobre os grandes nomes da nossa literatura. Acho que isso se deve ao simples fato de cada um procurar o estilo de leitura que mais gosta. Eu adoro ler obras nacionais, mas confesso que os grandes clássicos não me atraem muito.

    Fiquei feliz por você ter conseguido realizar essa leitura, sucesso!

    Abraços
    Literaleitura

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    Respostas
    1. Te entendo e não vejo grandes problemas.
      Concordo com você, se não interessa a gênero, não precisa forçar. Tenho vários clássicos que não curto também.
      Acho que o importante é darmos mais chances para nossa literatura, independente sé é clássica ou atual!
      Bjss

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