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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Balzaquianas em Ação! - Resenha/Desafio


"Pensai agora no papel que deve representar uma mulher de espírito e sentimento na presença de um marido deste gênero. Não se descobrem existências cheias de dores e dedicação, cujos corações ternos e delicados coisa alguma neste mundo poderia recompensar? E quando se encontra uma mulher forte nessa horrível situação, livra-se dela por meio de um crime, como fez Catarina II, não obstante denominada "a Grande". Mas como nem todas as mulheres se encontram sentadas num trono, sofrem quase todas os desgostos domésticos que, por serem obscuros, não deixam de ser menos terríveis."

O que dizer de Honoré de Balzac? Um autor que entendia da psicologia feminina? Um critico fervoroso a sociedade francesa da época? Não importa muito. O que vale é que meu desafio desse mês foi escolhido à dedo.
Acho Balzac de suma importância para a literatura mundial, mesmo porque foi uma forte influência para Proust, Zola, Dostoiévski, Flaubert, Henry James, Machado de Assis, Castelo Branco e Ítalo Calvino. Nada mau para começar, não é mesmo?
"A Mulher de Trinta Anos", um dos mais populares livros de Balzac, foi escrito em seis partes entre 1829 e 1842, e muito se fala sobre ele, já que foi retocado inúmeras vezes, tinha muitos fragmentos que foram encaixados de forma dispersa, mas nem isso tira o mérito do livro.
Foi um dos pioneiros do realismo literário pela complexa descrição de detalhes em suas obras, principalmente de objetos. Em "A Mulher de Trinta Anos", descreve com nitidez a Era Napoleônica que vivia a França, e cria em torno desse episódio uma história de amor, abandono, desilusão, frustração, encontros e desencontros.
Julia, nossa personagem principal, é arrastada pelos caminhos tortuosos do amor, da desilusão, da desesperança. Atinge o auge de um amor proibido aos trinta anos, e se encontra numa situação arriscada, onde o divórcio não era bem visto numa sociedade aristocrática, conservadora e moralista.
Por causa do livro, hoje usamos o termo "mulher balzaquiana" como adjetivo para mulheres com mais de trinta anos. Meigo, não?
Adorei. Sou balzaquiana à tempos, muito tempo. Em todos os sentidos.
Boa leitura!

Por Cláudia Trigo

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