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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Resenha - Quarenta Dias Sem Sombra


"Klemet, policial e racional - sim, racional porque policial -, via naquilo o sinal intangível de uma culpa atávica. Do contrário, por que impor aos seres humanos tanto sofrimento? Quarenta dias sem sombra, reduzidos ao rés do chão, como insetos rastejantes."

Quem acompanha a gente sabe que o blog tem em sua grande maioria o foco no gênero policial. Simplesmente porque amamos esse estilo! Quando ganhei esse livro (e já faz um tempinho - se não me engano foi no Natal do ano passado ou naquele ano) fiquei louca para lê-lo.
E tinha vários motivos: primeiro o gênero - facilmente, leio qualquer coisa dele -, depois a capa, que é linda, e faz muito sentido depois que você lê; o autor, que apesar de não conhecê-lo até então, já tinha me conquistado por ser francês e morar na Suécia. E por último, o enredo, que irá mostrar uma Escandinávia mais sombria, cheia de preconceitos, ganâncias e maus tratos aos excluídos, mostrando-nos que esse países não são tão maravilhosos assim!
Mas vou ser sincera, "Quarenta Dias Sem Sombra", do francês Olivier Truc, Editora Tordesilhas, não foi uma leitura nem rápida e nem fácil. Demorei muito para entender a cultura que nos é apresentada durante a história e o ritmo da escrita do autor é mais devagar - e consequentemente minha leitura também foi mais devagar do que o normal. Porém, isso não quer dizer que o livro é ruim.
Nele somos apresentados aos dois personagens principais: Klemet, um experiente policial sami que trabalha na Polícia das Renas - uma polícia que vai tratar dos problemas entre os criadores de renas, que são muitos! - e Nina, a jovem parceira dele que veio do sul do país (Noruega). Algumas horas antes do sol voltar a aparecer - depois de 40 dias sem sombra - um precioso artefato dos samis é roubado: um tambor sagrado e ancestral, usado para se comunicar com os mortos. Para piorar a situação, horas depois um criador de renas, Mattis, é encontrado morto e mutilado - sem as duas orelhas. A ligação entre esses dois crimes irá deixar a "boa" situação do povo lapão (samis) com a polícia e com os noruegueses por um fio.
O meu maior problema, que não necessariamente quer dizer que foi ruim, foi em relação com a cultura dos lapões (ou samis), que são um dos maiores povos indígenas da Europa, tendo a sua maior parte na Noruega (por volta de 35 000), mas que tem também na Suécia, Finlândia e uma pequena parte na Rússia. Eles são cuidadores de renas, por isso moram mais afastados da cidade - nesse caso em Kautokeino. Seus costumes, suas roupas e modos de viver são bem diferentes dos nossos, do que estamos acostumados.Vou deixar o link de dois sites que explicam melhor a cultura deles. É só clicar aqui e aqui. Além de decorar os nomes dos personagens que são bem difíceis. Mas depois que você se acostuma a leitura vai mais fácil.
O autor vai trazer no livro vários problemas que existem nesses países nórdicos, nos mostrando que as coisas não são tão bonitas e maravilhosas assim. Primeiro, é essa relação dos povos lapões com o restante da população norueguesa que não são lapões. Os religiosos acham que eles convivem com os demônios por causa do usos desses tambores - algo parecido que vemos em vários lugares com vários religiosos (inclusive aqui no Brasil...). Uma parte dos policiais e restante dos habitantes acham que eles não merecem direitos e existe até hoje uma briga gigante entre esses dois lados. Inclusive essa parte acha bem feito que o tambor sumiu. Até a ONU já entrou no meio - porém lembrem-se que ela vai opinar e entrar no meio só quando tiver interesses "particulares".
Outro grande problema além dessa discriminação é o machismo que a Nina irá sofrer, inclusive o parceiro dela irá mostrar que é um pouco. É algo meio que impregnado já na sociedade. Mas ela vai bater de frente muito bem! Com certeza minha personagem favorita! Tem alguns outros pontos que o autor traz, mas esses dois são os mais importantes.
Lá mais para o meio do livro, percebemos que os dois protagonistas tem vários problemas antigos e que ainda tem efeito neles. Porém isso ainda não é muito falado nesse livro. Deve voltar no segundo que já foi publicado pela editora, "O Estreito do Lobo". Esse volume vai trazer os dois novamente numa nova investigação. Ainda preciso comprar, mas já estou ansiosa por ele.
Para quem espera uma leitura, uma escrita rápida, talvez não goste tanto, pois a polícia local é bem lenta e algumas vezes até meio ruim, rsrs. E ainda terão que lidar com a pressão dos lapões, dos jornais, dos políticos e da ONU. Mas talvez isso se dê ao fato deles nunca terem pego um caso tão grande e sério.
Antes de finalizar, porque essa resenha já está gigante, preciso falar de dois personagens: o policial Brattsen - que é chato e besta! Pensem na pior pessoa possível, com todos os preconceitos existentes, burro e ainda influenciável. E o  pastor Lars Jonsson que é aquele pior tipo de religioso. Esses caras me davam uma raiva imensa toda vez que apareciam.  Tem outros personagens muito chatos e irritantes, mas eles serão os mais importante para o desenrolar da história.
E a capa, além de ser linda, depois que eu terminei a leitura vi que ela faz muito sentido. Prestem atenção nesses detalhes quem for ler.
Eu sei que a resenha ficou gigante mas eu precisava falar e citar todos esses pontos. É um ótimo livro policial e para quem gosta do gênero vai encontrar algo diferente do habitual. Mesmo com essa escrita mais devagar, a história vale muito. Quem puder, dê uma chance para ele!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

21 comentários:

  1. Ola
    Eu gosto do gênero, mas não leio tantos como gostaria. Eu nao conhecia esse titulo, mas a premissa parece ser interessante. Acho legal acompanhar cultura diferente, mas sobre os nomes é normal mesmo a gente demorar a se acostumar. Sua resenha nao ficou gigante nao, ficou otima. Obrigada pela dica!
    Beijos, Fer
    Www.segredosemlivros.com

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  2. Olá, eu até gosto do gênero, mas nem tanto, deve ser por isso que não conhecia o título e nem o autor. Gostei de sua resenha e acho que ela ficou ótima tá? Só não leria pelo gênero mesmo. Beijos

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  3. Olá Carol,
    Gosto muito de livros do gênero e tenho esse livro em casa, mas não tinha animado de ler até ler sua resenha.
    Gostei muito de todos os pontos levantados e não acho que ela tenha ficado longa, pois você soube expor bem sua opinião. Achei legal o autor trazer problemas dos países nórdicos e vou tentar passar essa leitura na frente das outras.
    Beijos

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  4. Hahah, sim, eu percebi que vocês aqui adoram esse gênero, sempre vejo resenha deles por aqui!
    Não conhecia esse livro, mas fiquei curiosa pra ler, já que não costumo ler tanto desse gênero, parece ser ótimo pra entrar mais a fundo nesse gênero!
    Sua resenha ficou ótima!

    Virando Amor

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  5. Olá!! :)

    Eu não conhecia este livro mas o teu tom estimulou-me a procurar o livro!! :)

    Eu quero ler mais policiais! :) mas não gostei da escrita mais vagarosa.. Para mim, tem de ser bem fluida! :)

    Boas leituras!! ;)
    no-conoforto-dos-livros.webnode.com

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  6. Eu não conhecia o livro mas a capa logo me chamou atenção, também achei linda. Gostei de conhecer a obra aqui na sua resenha e poder ver um pouco sobre a trama. A premissa me deixou intrigada e fiquei bem curiosa para realizar a leitura também. Acho que deve ser uma leitura em que podemos nos aprofundar e esquecer do mundo.

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  7. Sou fã incondicional de livros policiais, e sempre fico atenta as dicas que vejo. Este mesmo eu não conhecia, e mesmo o enredo sendo mais devagar, acho que pelo que li na resenha, vake a pena guardar o título.
    Bjs

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  8. OI Carol
    Adorei sua resenha
    Sua empolgação me deixou com vontade de ler este livro!
    Esta na lista agora :)
    Bjks mil

    www.maeliteratura.com

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  9. Oi!

    Eu já fui mais de ler livros com tramas policiais, hoje em dia eu leio quase nada, por isso fiquei bem instigada com essa leitura. Achei essa capa incrível e fiquei totalmente afim de ler. A sua empolgação também foi um fator diferencial hahaha adorei os personagens, quero conhece-los!

    beijos :D

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  10. Oi Carol,
    Eu gosto muito desse gênero também, apesar de não ler com tanta frequência. Sobre a dica de hoje, fiquei bem interessada, sua resenha trouxe pontos importantes que me despertaram interesse como a própria imposição religiosa, quanto a cultura e a forma como esse povo vive.
    Bjim!
    Tammy

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  11. Oi, tudo bem?
    Nossa achei o enredo bem confuso mas acredito que todo livro que fale da cultura de povos que não conhecemos pois precisamos de um tempo para absorver o desenvolvimento da história. Mesmo com esses detalhes achei o enredo instigante e fiquei curiosa para saber mais.
    Bjs

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  12. Adoro livros neste estilo e com essa premissa, porque são daqueles que me deixam entretida e me prendem na história, ficamos querendo saber o desfecho haha! Essa capa é divina e chama muita atenção então eu leria só pela capa, rsrs. Adorei a resenha, para mim não ficou grande não, ficou ótima!

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  13. Oi, tudo bem?
    Confesso que não conhecia esse livro ainda e que não sou muito fã de livros policiais, sabe? No entanto, achei a premissa desse bem interessante e gostei de saber que nos é apresentado uma cultura completamente diferente. A Nina parece ser uma personagem ótima, gostei de ver que ela bate de frente com o machismo. E também gostei de outros pontos abordados no livro. Enfim, parece ser uma ótima leitura, por isso vou marcar a dica

    Beijos :*

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  14. Oiii!!! Gosto muito do gênero policial, e esse livro eu achei incrível. Bem complicado para entender, mas tenho certeza assim como vc citou, que depois que vc acostuma a leitura flui. Vou acrescentar na minha lista. Eu não imaginava que tinham tantos indígenas vivendo nesses países, principalmente por serem países muito frios. Amei a indicação.
    Beijos

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  15. Helloo, Carol! Tudo numa nice?!
    Eu não conhecia esse livro, mas achei a capa bem bonita.
    Não sou muito de ler policiais, apesar de eu já ter escrito um, pelo motivo de que eu fico super nervosa em ler livros desse gênero. Eu tenho que terminar logo a obra se não sonho com o livro. Já aconteceu isso outra vez. Not cool ahahaha.
    Enfim, apesar de parecer ser uma leitura lenta, eu ainda tenho curiosidade de ler a obra pelo fato de abordar uma cultura diferente.
    Beijin...

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  16. A sua empolgação ao falar do livro me deixou curiosa para fazer a leitura. Mas vou passar a dica por enquanto. Eu gosto de romances policiais mas a narrativa mais lenta me desanimou um pouco, estou numa vibe de livros mais leves como YA e NA. Quem sabe um dia...
    Ótima resenha, beijos!

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  17. Olá moça, como vai?

    Sua resenha ficou ótima! Você colocou muito bem sua opinião.
    Gostei de todos os pontos citados, achei legal o autor trazer essa pegada diferente sobre outras culturas.
    Eu nao conhecia nem o livro nem o autor, mas gostei da capa. Gosto desse genero policial e gosto também de leituras dificeis, entao acho que os nomes dificeis nao vai ser um problema pra mim, rs.

    Dica anotada com carinho. Beijos ⚛

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  18. Olá!
    Adorei a sua resenha! Apesar de ficar bem interessada nesses problemas dos países nórdicos, acho que essa narrativa devagar seria extremamente desagradável para mim, que desisto fácil de uma leitura quando acho que ela não vai para a frente. Mas, como achei bem interessante a trama, vou deixar a dica em aberto para ver se algum dia me interesso.
    Beijos.

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  19. Olá,assim como você amo livros policiais e ainda mais quando combina com o prazer de conhecer mais sobre essa cultura mas pela sua resenha parece ser um livro que eu irei passar raiva do começo ao fim,seja pelo machisto , pela lentidão das investigações ou pelo fanatismo religioso

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  20. Oii, tudo bem?
    Eu adoro livros policiais, mas já tem um bom tempo que não leio algum, mas agora com esse post senti vontade de ler e muito obrigada pela indicação, acho que vou gostar.
    Amei o post, parabéns pelo blog maravilhoso.
    Abraços Mary do blog Leituras da Mary

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  21. Não me interessei pela leitura. Já não curto muito policial, mas saber que tem personagens chatos e irritantes presentes e que a escrita é mais devagar fez com que eu me desinteressasse mais ainda. Fora que tenho problemas com leituras em que estão presentes culturas muito diferentes, não consigo entender bem e fica difícil eu me envolver. Por tudo isso, acho melhor passar a dica.

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