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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O Amante - Projeto "Um Livro Por Dia" #5


"Quinze anos e meio. O corpo é magro, quase mirrado, seios ainda infantis, maquilada de rosa pálido e vermelho. E depois essa roupa que poderia provocar risos e da qual ninguém ri. Vejo que já está tudo ali. Está tudo ali, e nada ainda começou, vejo nos olhos, tudo já está nos olhos. Quero escrever. Já disse para minha mãe: o que quero é isso, escrever. Nenhuma resposta na primeira vez. E depois ela pergunta: escrever o quê? Digo livros, romances. Ela diz com dureza: depois do concurso para o magistério em matemática, se quiser pode escrever, não vai mais me dizer respeito. Ela é contra, não é digno, não é trabalho, é uma piada - e me dirá mais tarde: uma ideia de criança."

Mais um "grande" livro para nosso desafio "Um Livro Por Dia".
Agora vou em grande estilo. "O Amante" da francesa Marguerite Duras, Editora Cosac Naify foi uma releitura agradável. Já tinha lido ele há muitos e muitos anos atrás, e tinha gostado. E dessa vez não foi diferente.
Um livro rápido sem ser simples.Uma leitura que vale a pena.
É considerado o livro mais autobiográfico da autora. Ela narra com muita poesia os episódios da sua adolescência, sua iniciação sexual aos quinze anos e meio com um chinês rico de Saigon, e a ligação que os uniria por três anos. Na história, estão presentes a mãe, sua desgraça financeira e moral, o irmão mais velho, drogado e cruel, o irmão mais novo, frágil e oprimido, e ela, uma jovem estudante do Liceu Francês de Saigon, brutalmente amadurecida e desencantada.
Embora desenvolva uma trama perfeitamente compreensível, o romance tem uma estrutura complexa. É composta por fragmentos de suas memórias. E, desfragmentar essa história é como folhear um álbum de fotografias, e tentar colocar legendas nele, como diz Leyla Perrone-Moisés, no posfácio do livro.
A história toca do início ao fim. É poético sem ser piegas. É realista, mas com muitos sonhos sobrepostos. É comovente sem ser frágil. É forte, tenso, envolvente.
Aí está uma autora que recomendo. Acho que todos deveriam descobrir Marguerite Duras. E pode ser num só dia...
Fica a dica!

Cláu Trigo

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