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sábado, 14 de janeiro de 2017

O Diário Roubado - Projeto "Um Livro Por Dia" #6


"Ponho a minha mão sobre a dela. Ela não recusa o gesto.
Opressivo silêncio cai sobre nós. Ninguém consegue encarar ninguém.
Acho que todos pensam a mesma coisa, exceto, talvez, meu irmãozinho. Ficamos sentidas por ver que o homem da casa não está à altura de seu papel: proteger-nos, estar conosco na hora do perigo. Mas ele só quer saber do lado fácil da vida em família, deixa as responsabilidades para mamãe, que, em geral, se sai muito bem. É ela a força da casa, mas é a do homem que necessitamos."

Penúltima leitura do desafio "Um Livro Por Dia",da Régine Deforges, Editora BestBolso. Não conhecia a autora, mas, que grata surpresa!
Régine Deforges é a primeira mulher a comandar uma editora na França e, durante anos, foi censurada por publicar uma literatura "ofensiva". A pressão de grupos conservadores levou Deforges a fechar a empresa. A autora consagrou-se ao lançar a série iniciada com o livro "A Bicicleta Azul", em 1981. 
"O Diário Roubado" foi adaptado para o cinema em 1993, dirigido pela francesa Christine Lipinska. Apesar de ser um livro de 1974, o livro é tão atual que me deixa intrigada. A sociedade não mudou quase nada de lá para cá. Continuamos os mesmos recalcados de sempre. Nos auto intitulamos de "moderninhos", "liberais", "bacanas", só que não!
Vejo os problemas de hoje os mesmo de 40/50 anos, só que hoje estão mais rotulados, mascarados.
Régine escancara para seu leitor a realidade de duas garotas adolescentes que se apaixonam e resolvem, juntas, descobrirem as primeiras experiências sexuais. Só que há um problema no meio do caminho: a jovem Léone compartilha de seus sentimentos e de sua sexualidade com um diário, e este acaba sendo roubado.
Numa sociedade laica, moralista e machista, essas anotações acabam sendo uma aberração e é exposto na comunidade em que as meninas moram.
Desde o primeiro instante do livro ela é posta em cheque, seus sentimentos são ridicularizados e ela precisa conviver com uma sociedade que a diminui, humilha e exclui.
Só que nem só de conflitos segue o livro. A protagonista é forte, decidida e enfrenta tudo e todos com magistral atitude e com uma poesia que só uma mulher apaixonada poderia sentir e descrever.
Acho que nosso desafio deu muito certo. Muitos autores legais passaram por aqui. Muitas histórias ficarão guardadas no coração e na memória!
Boa leitura!!

Cláu Trigo

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