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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Insolência de Nietzsche e o Crepúsculo dos Ídolos


"Percebe-se que é meu desejo ser justo com os alemães: não gostaria de ser inconsequente quanto a isso - também preciso, por tanto, lhes fazer minha objeção. Paga-se caro por chegar ao poder: o poder imbeciliza... Os alemães - outrora eram chamados de povo de pensadores: será que ainda pensam hoje? - Agora os alemães se entediam com o espírito, desconfiam dele, a política devora toda a seriedade para coisas realmente espirituais - "Alemanha, Alemanha acima de tudo", temo que isso tenha sido o fim da filosofia alemã... "Há filósofos alemães? Há poetas alemães? Há bons livros alemães?" - perguntam - me no exterior. Eu enrubesço, mas respondo com a valentia que me é própria também nos casos desesperados: "Sim, Bismarck!" - Seria licito também confessar que livros são lidos hoje em dia?... Maldito instinto de mediocridade!"

O que posso falar de um cara como Friedrich Nietzsche? Eu sou um pouco suspeita, pois tenho uma enorme admiração pelo seu trabalho e sou uma "discípula" de seus pensamentos. Concordo com grande parte das coisas que ele acreditava, e nas demais, acredito ser um lapso de genialidade.
Li "Crepúsculo dos Ídolos", da Editora L&;PM e assim... É Nietzsche meus amigos!... Não precisa de apresentações. 
Nessa edição, ele ataca furiosamente, e sem receios, Wagner e sua arrogância, Sócrates - cuja filosofia ele acreditava ser a decadência grega -; e mais, contra um conceito específico, verdadeiro, e um aparente; e conceitos problemáticos como vontade, eu, substância e Deus. Também não falta críticas aos ídolos modernos, o sistema educacional alemão, escritores e pensadores em voga, concepções estéticas como a de Schopenhauer, anarquistas, socialistas e progressistas em geral; e, sobretudo, a presunção moderna de superioridade moral.
Nesse livro declara terminantemente que a vontade é só uma palavra. O que não o impede, contudo, de continuar usando o conceito de vontade de poder...
Essa obra é uma das mais engenhosas e perturbadoras já escritas.
Gosto da maneira como Nietzsche escreve, acho, particularmente, que ele foi um gênio, e continua sendo até hoje. Não encontrei em minhas leituras textos tão realistas, crus - um pouco cruéis! -, e INSOLENTE!
Nietzsche = Insolente!!!
Essa é a melhor definição para ele. E eu gosto disso.
Ele estava MUITO à frente de seu tempo, não estava aqui para fazer amigos. Veio ao mundo para expor suas ideias, doesse a quem doesse e ponto final. E isso só fez dele um gênio querido por muitos e amaldiçoado por todos. Não ligo. Esse é o fim dos maiores gênios. Perseguidos, mal tratados, escondidos e mortos por aqueles que não concordam, ou não 'querem' concordar. Mas isso não tira o seu mérito de ter escrito uma grande página na história da humanidade.

Abraço,
Cláu Trigo

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