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terça-feira, 18 de abril de 2017

Necessário Conhecer: O Prisioneiro


"- É possível que os seus bravos fuzileiros acreditam sinceramente em que estão com a causa da justiça e da democracia. A lavagem de cérebro entre os comunistas é drástica, violenta, impiedosa. Mas a lavagem de cérebro nos países capitalistas tem sido suave, lenta e imperceptível. Começou há mais de um século e condicionou a maneira de pensar e sentir de suas populações, preparando-as até para coonestar o 'genocídio justificado', a aceitar as 'guerras santas'. Mata-se em nome de Deus, em nome da Pátria e em nome da Democracia, essa deusa de mil faces cuja fisionomia verdadeira ninguém nunca viu".

Que difícil falar de Erico Verissimo - é, disparado, meu autor preferido - mas, mais difícil é falar sobre esse livro. 
"O Prisioneiro", Editora Globo, é um livro triste, deprimente, realista, atual, verdadeiro. É aquele livro que quando terminamos, ficamos várias semanas pensando sobre ele, sobre o assunto, sobre a vida, sobre a nossa vida e de nossos semelhantes! Sobre valores, sobre futuro, passado e presente.
Um dia, em meados de 1967, Erico Verissimo leu numa revista a transcrição de um debate sobre os problemas que a China enfrentava, na época. Para ilustrar seu ponto de vista, um dos debatedores referiu-se ao caso de um oficial do exército francês que torturou um terrorista argelino para forçá-lo a confessar onde havia colocado uma bomba-relógio que explodiria dentro de algumas horas.
Fascinado pelos aspectos éticos e humanos do problema, Verissimo tomou-o como tema central de seu livro. Seria correto matarmos uma pessoa para salvar a vida de outras? Seria correto um ditador exilar e matar oponentes a seu regime, sob a alegação de estar protegendo o futuro da nação? Apesar de ter tomado por base a intervenção americana no Vietnã, o autor não quis prender seu romance a apenas um fato histórico e a duas nações. Sua intenção foi a de dar um caráter universal ao livro, questionando os absurdos da conduta humana e da brutalidade da guerra. 
Em nenhum momento no livro o autor dá nome aos bois. Não se cita nomes ou países, mas sabemos pelo curso da história, geografia, época que se trata da Guerra do Vietnã.
É um livro absolutamente atual, uma parábola moderna anti-guerra e anti-violência. 
Recomendo demais para quem gosta de Erico, e para quem precisa CONHECER Erico, um dos maiores escritores de nossa literatura!

Cláu Trigo

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