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segunda-feira, 8 de maio de 2017

O Resgate - Resenha


" - Nem tanto. Acho que depende de como você encara. Para mim... bem, isso apenas acrescenta uma riqueza que de outro modo não se teria. As pessoas vêm e vão. Elas entram e saem da sua vida, quase como personagens em um livro. Quando você finalmente o fecha, os personagens contaram suas histórias e você recomeça outro livro, cheio de novos personagens e aventuras. Então se vê concentrando-se nos novos, não nos do passado."

Todo mundo quando vai ler um livro do Nicholas Sparks, sabe mais ou menos o que vai encontrar. Uma história de amor que segue o mesmo manual de todos os seus outros livros, repleto de clichês e que provavelmente vai nos emocionar em algum momento (alguns mais, outros menos). Ah... E tem outra coisa: ele adora matar algum dos seus personagens. Na maioria do seus livros, alguém morre - seja principal, ou não - isso é uma certeza. Quem já leu algo dele, sabe que tudo isso é verdade.
Então, quando peguei "O Resgate", Editora Arqueiro, para ler, já fui preparada. Fazia algum tempo que não lia nada dele - e olhem que já li muitos livros dele (10 no total) e acho que foi num bom momento. Ler muito Nicholas Sparks em seguida faz perder um pouco dessa força que ele tem de nos atingir emocionalmente. Como fazia tempo que não lia nada dele, ele conseguiu me atingir mais forte.
Taylor McAden é voluntário no corpo de bombeiros da cidade de Edenton. Muitas vezes destemido e muitas vezes imprudentes, Taylor não pensa antes de ajudar os outros - mesmo que isso o coloque em riscos desnecessários. Numa noite de tempestade, enquanto ajudava nas sinalizações, McAden encontra um carro batido na beira da estrada. A motorista é Denise, uma mãe de um menino de 4 anos - Kyle - que ao recobrar os sentidos, percebe que seu filho não está na cadeirinha no banco traseiro. Além do menino estar desaparecido, ele tem problemas de audição e de fala, que nunca foram diagnosticados. Durante a busca, Denise se depara com um homem que é capaz de abrir mão da própria vida para salvar uma criança. O que Taylor não sabe é que esse resgate será muito diferente de todos os outros que já fez, pois exigirá mais do que coragem e força física - e talvez possa levá-lo à própria salvação.
Os personagens são bem carismáticos, interessantes e um pouco diferentes do que o autor costuma descrever. Isso porque eles foram baseados em vários momentos da vida do próprio Nicholas Sparks. Mas isso eu volto a falar mais lá na frente.
O que mais gostei nesse livro foram duas questões: primeiro que o romance não é algo que acontece de uma hora para outra, ela vai sendo construída num ritmo bom e aceitável; a segunda, é a relação da Denise com o seu filho, sendo que ele tem ele problema na audição e principalmente na fala. Os médicos nunca souberam o que ele tinha - um falava que ele era autista, outro dizia que ele tinha um transtorno invasivo do desenvolvimento, depois mudavam de avaliação para totalmente surdo, ai voltavam atrás e mudavam de novo, agora para retardo mental e transtorno de déficit de atenção... Nunca descobriam realmente o que ele tinha e o foco que ela tem para conseguir um avanço, por menor que seja, é algo emocionante.
Taylor é um personagem difícil. Tem momentos que a gente morre de amor por ele e outros que a gente só quer dar um bom tapa na cara dele para ele mudar de atitude. E o pior é que quando ele se aproxima dos dois, o Kyle começa a ter uma pequena melhora tanto na fala como no entendimento de pequenas palavras.
E já mais perto do final, tem um acontecimento na história que me fez ficar triste num nível que muitos livros não me deixavam à anos. E olhem que é difícil me atingir assim... Era algo que eu não estava esperando e de uma forma que nos pega de surpresa.
O final como sempre é bonitinho. Como todos os outros livros dele, esse também é lotado de clichês, mas achei um pouco mais moderado e não tão igual quanto os outros. Porém, continua sendo um livro tipicamente à lá Nicholas Sparks! Mas, de vez enquanto, isso é bom, e precisamos de algo assim.
No final, tem uma nota do autor, em que ele diz que tudo que ele escreve tem algum ponto baseado em algo da vida dele. No entanto, esse é o mais pessoal. Isso porque o segundo filho mais velho dele tem o mesmo problema que o personagem do Kyle. E ele nos mostra todas as dificuldades que eles tiveram que passar - sendo a Denise muitas vezes a representação da esposa dele - e a confusão dos os médicos. quando não conseguiam dizer o que o filho tinha.
É uma nota também bem emocionante.
Normalmente não sou muito de recomendar os livros dele (apesar de ter vários que gosto bastante), mas para alguém que quer fugir dos livros já tradicionais dele (Ex.: "Querido John", "A Última Música" - sendo esses dois ainda os melhores dele), e quer ler algo bom, esse é uma boa dica!

Obs.: Sério, as editoras tem que começar a melhorar um pouco as capas dos livros dele. Todas são muito feias!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

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