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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Do Amor e Outros Demônios


"Sentiu a premência de rezar pela primeira vez desde que perdera a fé. Foi até o oratório, procurando com todas as forças recuperar o deus que o havia abandonado, mas era inútil: a incredulidade resiste mais que a fé, porque os sentidos é que a sustentam".

Sempre digo que não há muito que se falar de Gabriel García Márquez. Sua escrita fala por ele!
Li "Do Amor e Outros Demônios", Editora Record, para um trabalho na Faculdade a alguns anos atrás. E ler Gabriel nunca é demais, nunca é chato, na verdade é sempre uma nova descoberta, um novo olhar. Lembro que na época gostei muito, e agora garanto que foi uma outra experiência e minha opinião: só melhorou.
Há um século convertido em hospital, o convento histórico de Santa Clara será agora vendido para construírem no local um hotel de cinco estrelas.
Estamos em 26 de outubro de 1949, e Gabriel García Márquez, um jovem repórter, é designado para ver de perto o trabalho de remoção das criptas funerárias da capela. O que mais impressiona este colombiano de Aracataca ao chegar ao convento das clarissas é o túmulo de uma marquesa menina, cuja imensa cabeleira lhe faz lembrar as lendas contadas por sua avó materna. Havia uma marquesinha, venerada no Caribe por seus milagres, que foi mordida por um cachorro e acabou morrendo de raiva. Essa marquesinha possuía uma 'cabeleira que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva'. Aquela marquesinha de sua infância seria a mesma ali enterrada? A história deu origem a esse livro.
"Do Amor e Outros Demônios" vem de uma inspiração de quase meio século, mas sua história vai além. Gabriel García Márquez viaja até fins do século XVIII, em pleno vice-reinado da Colômbia, esta ainda colônia da Espanha, para compor uma história de amor, cercada de mistério, sortilégio e feitiçaria, culminando num processo instaurado pela Inquisição.
Com um misto de religiosidade cristã e rituais africanos, a narrativa poética revela os laços que envolvem uma adolescente, filha única de um marquês, crescida no convívio de escravos e orixás, e um padre espanhol, incumbido de exorcizar os demônios que se acredita terem possuído a menina, cujos cabelos jamais foram cortados em promessa até a noite de seu casamento.
No cenário opressivo da sociedade colonial, do convento fantasmagórico, do manicômio de mulheres e da casa-grande em decadência, movem-se estranhas figuras dominadas por um cruel fanatismo.
O livro nos fala da solidão de uma época e mais, da solidão das pessoas daquela época, que analisando bem, é a mesma solidão dos dias atuais. Nada mudou, só o ano.
A história que Gabriel narra atiça nossa imaginação, é como pular para dentro da história e se envolver, se emocionar. Conseguimos ver o cenário, imaginar o som das vozes, sentir o perfume, afinal, estamos falando de Gárcia Máquez, só isso!
Acho que nem preciso falar mais nada, né?
Boa leitura

Cláu Trigo

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