Resenha: Vox

Título: Vox
Autor(a): Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Páginas: 320 | Ano: 2018
Onde Comprar: Amazon
Sinopse: O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.


Patrick é o terceiro tipo de homem. Não é crente e não é um escroto que odeia as mulheres; só é fraco. E prefiro pensar em homens que não são."


No universo de Vox, o governo estadunidense - autoritário, de extrema-direita e baseado no extremismo religioso (aqui conhecido como o Movimento Puro) - decretou que todas as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. Elas usam uma pulseira que contabiliza a quantidade de palavras que elas falam em um dia. Se o contador ultrapassar o número 100, a pessoa leva um choque. A cada palavra excedida, o choque levado é mais forte. Com o tempo, o cenário vai piorando. As mulheres são impedidas de trabalhar e as garotas são proibidas de ler e escrever nas escolas.
A Dra. Jean McClellan era uma renomada neurocientista e "de uma hora para outra", se vê presa dentro de casa, sem poder exercer sua profissão, sem poder ensinar sua filha e sem direitos. No começo, ela acha que vai ser uma situação rápida, que não vai se sustentar por muito tempo. Que a população não vai aceitar - principalmente os homens. No entanto, ela vai percebendo que, aparentemente, poucas pessoas realmente se importam com elas e muitas estão satisfeitas com o atual momento.
Até que, um dia, Jean recebe uma ligação que a pega de surpresa: do presidente! Ela é "convidada" para trabalhar em um projeto para curar o seu irmão, que sofre de afasia - um distúrbio de linguagem causado por alguma lesão cerebral (normalmente AVC ou traumatismo), que afeta a capacidade da pessoa de falar, compreender, ler e escrever.
Com isso, Jean vê a oportunidade perfeita para voltar a falar e com isso, ter espaço para, talvez, derrubar todas essas leis autoritárias, e quem sabe, até o próprio governo.
Preciso ser sincera. Eu não dava nada por esse livro. E ele simplesmente me arrebatou. É uma história que nos deixa irritada (e muito!), com medo e vendo semelhanças bem reais com a nossa realidade. A gente fica com ódio, porque, vamos percebendo junto com a personagem, que por exemplo, apesar de não concordar com essas leis impostas sobre as mulheres, o marido dela nada faz para mudar ou lutar pelos direitos da sua esposa, da sua filha.
As similaridades com os tempos atuais também assusta muito. O modo como esse governo autoritário vai ganhando espaço; a despreocupação inicial de Jean, que não acredita na necessidade de participar de protestos e passeatas, e que aquilo nunca vai acontecer de verdade; as bases desses políticos (extrema-direita, extremismo religioso, etc).
No fim, uma leitura que eu não dava absolutamente nada, foi uma das maiores surpresas dos últimos anos!

Até a próxima e boa leitura!

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