Autor(a): Valter Hugo Mãe
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 186 | Ano: 2017
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Sinopse: Na paisagem gélida da Islândia, a menina Halla, de apenas onze anos de idade, busca compreender os sentimentos que surgem com o falecimento de sua irmã Sigridur. Vivendo a divisão permanente das “crianças espelhos”, Halla nos guia por impressões de transitoriedade e perda a partir do seu ponto de vista infantil e, por isso mesmo, cheio de uma simplicidade profundamente poética. O sofrimento do luto, a solidão e a violenta frieza da mãe se misturam com a paisagem inóspita da Terra do Gelo e, somados à narração lírica e melancólica de Valter Hugo Mãe, em que o desamparo dos personagens é superado por uma compreensão sublime e bela de sua condição, transformam esta obra em um primor da literatura contemporânea.
Quando se apercebeu de estar irremediavelmente doente, talvez muito perto de morrer, a Sigridur perguntou-me: achas que é isto que a Islândia quer de mim. Estaria mais correto perguntar se seria a vontade de deus, mas ela achava que deus era o corpo deitado da Islândia. Eu refutei. Disse-lhe: os fiordes são um morto de pedra. Um morto que só sabe falecer mais e mais ainda. E achas que durante a morte se sonha, quis ela saber. Eu respondi que sim. Durante a morte sonha-se."
Eu sempre tive muita curiosidade de ler algo do Valter Hugo Mãe. E por causa disso, achei uma boa ideia escolher algo dele para ler no nosso desafio. Só não sabia qual livro escolher, entre os 16 já publicados. O escolhido, sem ler a sinopse, foi A Desumanização. E isso acabou se tornando o meu maior erro.
Na gelada Islândia, num vilarejo com somente vinte casas e uma igreja, mora a pequena Halla, uma menina de 11 anos. Em sua busca em compreender os sentimentos que a assolam após sua irmã gêmea, Sigridur, falecer, Halla precisa lidar também com seus pais sofrendo de luto. Esquecida por seus familiares, e agora sozinha, a jovem vai se assolando de medo.
Medo de sua irmã - plantada na terra, para germinar novamente - seja devorada pelos bichos que moram no subsolo. Com medo que Sigridur esteja com frio, ao imaginar a água da chuva no seu corpo.
Antes duas, agora Halla está dividida na metade e seu desejo é permanecer criança, para que as duas ainda continuem existindo de alguma maneira. No entanto, entre o vilarejo, começam a chamá-las de "irmãs mortas" - a mais morta e a menos morta.
O "pior" luto se torna o da mãe. É patológico, doentio. Ela não consegue olhar mais para a filha que está viva e começa a se cortar, tentando arrancar o próprio coração, em um desejo que a dor suma. Por causa disso, Halla começa a se culpar, e só resta recorrer ao seu pai para algum apoio. Mas ele tá tão mergulhado na própria tristeza, que não consegue ajudá-la.
É então que surge Einar, um rapaz mais velho, com algum transtorno mental, que antigamente maltratava as gêmeas, mas que agora se apaixona por Halla - e vice versa. Assim eles constroem um vínculo afetivo.
Eu tinha muita curiosidade de ler algo do Valter Hugo Mãe, uma vez que sempre vejo as pessoas elogiando os livros dele. Escolhi A Desumanização, por considerar talvez a publicação mais famosa dele. No entanto, pode ter sido um erro.
Não curti nada a leitura dele. Muito parada, a escrita bem confusa e a questão do luto não mexeu comigo como deveria. E preciso ser sincera, me frustrou um pouco a história se passar na Islândia, uma vez que eu tinha escolhido ele para o nosso desafio. Mas precisei mudar a minha opção (na verdade, ainda não selecionei o novo livro para Portugal; aceito sugestões inclusive).
Mas não ter funcionado comigo, não quer dizer que não funcione com vocês. Então, se alguém já leu esse ou outro livro do autor, comentem aqui embaixo o que acharam.
Abraços e até a próxima leitura!

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