Resenha: A Garota Que Lê no Metrô

Título: A Garota Que Lê no Metrô
Autor(a): Christine Féret-Fleury
Tradutor(a): Maria de Fátima Oliva Do Coutto
Editora: Valentina
Páginas: 160 | Ano: 2020
Onde Comprar: Amazon
Sinopse: As viagens de metrô para o trabalho, típicas da rotina, possibilitam que Juliette observe sempre os mesmos passageiros e os livros que cada um lê. Todos têm suas particularidades, como a idosa que folheia um livro italiano de culinária e sorri diante de algumas receitas ou a garota que lê romances e sempre derrama minúsculas lágrimas quando chega à página 247. "Por que a página 247?", pergunta-se Juliette. Ela observa todos com curiosidade e ternura, como se as leituras e paixões alheias pudessem colorir sua vida tão monótona e previsível.
Certo dia, a jovem decide romper com a rotina e usufruir o prazer de percorrer as ruas a pé, observando o formato das nuvens, com o olhar em busca do novo. E esse desvio mudará completamente a sua vida, graças ao iraniano Soliman e sua pequenina filha Zaïde.

- Conhece o princípio dos livros viajantes? - retoma, após alguns segundos de silêncio. -  Foi um americano, Ron Hornbaker, que o inventou, ou melhor, sistematizou o conceito em 2001. Fazer do mundo uma biblioteca... Bela ideia, não acha? Alguém deixa um livro num lugar público, estação, banco de praça, cinema, qualquer um apanha o livro, lê e, por sua vez, ao terminar, deixa o livro, alguns dias ou semanas depois, em outro lugar."


Juliette é uma jovem parisiense, que está cansada de sua vida metódica e sem graça. Toda terça ela vai ao supermercado e toda sexta ela vai ao cinema. Querendo ter mais contato humano, decidiu trabalhar em uma imobiliária. Ela só não sabia que lidar com clientes e ter que descobrir os seus desejos lendo seus olhos, seria tão chato.
Todo dia, Juliette pega o metrô no mesmo horário, para ir trabalhar. E durante esse tempo, o que ela mais gosta de fazer é observar as pessoas à sua volta, lendo.
Em uma estação, ela vê a senhora, que diariamente lê o mesmo livro italiano de culinária, sempre sorrindo diante de algumas receitas. Ou o homem de chapéu verde, que abre um compêndio sobre insetos - e sempre aproxima o rosto das páginas e inala o seu odor, lê só duas ou três páginas e demonstra desapontamento quando chega à sua estação de desembarque. Têm ainda a menina que lê romances e sempre que chega na página 247, derrama lágrimas.
Observar essas pessoas, e suas ações e reações enquanto leem, é o que dá alguma emoção na sua vida melancólica e previsível.
Até que um dia, Juliette decide quebrar com a sua rotina. De repente, ela sai do vagão que já está fechando as portas. É fevereiro e o tempo está muito agradável. Ela então escolhe percorrer o caminho até o trabalho a pé, onde pode prestar atenção nas nuvens, nas outras pessoas que estão caminhando. Mas esse desvio muda a sua vida por completo.
É quando encontra uma lojinha, simples, bem escondida em uma rua pouco movimentada. É lá que conhece o iraniano Soliman, sua pequena filha Zaïde e a sua pequena loja de livros.

Não vou mentir. Quando eu separei esse livro para ler, não dava muito por ele. Mas que grata surpresa foi a história que eu encontrei aqui,
Um livro curto, que traz momentos tão afetuosos. É daqueles que dá aquele quentinho no coração, sabem? Uma excelente indicação para ler num domingo ensolarado. Para presentear.
E também foi um livro que conversou tanto comigo, principalmente no momento em que eu estava passando. Ele fala tanto sobre o olhar de estrangeiro, que dá o nome para esse blog. Fala sobre bibliotecas, livros viajantes - bem num momento que tinha começado a trabalhar em uma empresa que organiza os Ônibus da Cultura, aqui na cidade de São Paulo, que é praticamente levar os livros para todos os cantos da cidade, onde não é possível instalar uma biblioteca e fazer essa população ter a oportunidade de ler. Fala indiretamente sobre bibliotecas, que é onde eu trabalho atualmente. Fala sobre imigração. Refugiados.
Tem tanto conteúdo nesse livro que é até difícil falar sobre tudo. Mas eu prefiro terminar essa resenha por aqui e deixar vocês conhecerem essa história tão bonita.

Já conheciam este livro? Já leram? Comentem aqui embaixo.
Até a próxima e boa leitura!

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