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quarta-feira, 28 de março de 2012

Cinema x Psicanálise - A Origem

Uma dica bem interessante de filme é "A Origem". Um roteiro desafiador do diretor Christopher Nolan.
O filme narra uma aventura que acontece dentro da "arquitetura" da mente, mais especificamente no mundo íntimo e complexo dos sonhos.
Dom Cobb (Leonardo Di Caprio) é um ladrão especializado na arte perigosa de extrair e roubar segredos valiosos do subconsciente durante o sonho, quando nossa mente está no seu estado mais vulnerável.
Na superfície, trata-se de um barulhento filme de ação típico hollywoodiano, com tiros, perseguições e muitas explosões. Na profundeza, é uma condensação vertiginosa de cem anos de psicanálise.
O mais interessante em "A Origem" é como o personagem principal enfrenta a impossibilidade de ter certeza sobre os limites da realidade. O desejo é motor do sonho, e o sonho não cessa. Repressão de memórias e loucura se entrelaçam, seguindo o fio condutor das ideias de Freud.
Para o psicanalista vienense, os sonhos são a realização de desejos. Muitas vezes esses desejos não podem ser aceitos pelo sonhador por tratarem de questões que o levariam à vergonha, ao asco e ao sofrimento psíquico. A censura, um dos trabalhos do sonho, impede que a linguagem onírica torne-se consciente de maneira como foi construída no inconsciente. Assim, os outros trabalhos do sonho: a condensação, o deslocamento, a representabilidade e a fachada racional distorcem o conteúdo do sonho, possibilitando a realização do desejo daquele que sonha.
Pode-se perceber a ação da censura, representada pelos homens que tentam impedir os invasores de sonhos de chegarem aos conteúdos mais íntimos do sonhador. Também são apresentados os desejos dos sonhadores, que se revezam entre os sonhos, como a história do protagonista que quer reencontrar os filhos; a chuva no filme, que é a representação da necessidade de ir ao banheiro de um dos sonhadores tem base científica. Como notou Freud, estímulos externos entram no sonho e ganham outros significados, de forma que "o sonho protege o sono"; e a relação paterna do empresário com seu pai falecido, um dos assuntos mais importantes da psicanálise - o Complexo de Édipo, estruturante da subjetividade humana.
Nos sonhos de Cobb podemos perceber que o termo atemporal é bem empregado, ou seja, de acordo com a teoria de Freud, o inconsciente é atemporal, não tem noção de tempo e nem de espaço. Em várias cenas do filme a imagem da esposa aparece em lugares inusitados, sem ter noção de como e quando surgiu. Nos sonhos, em geral, nunca sabemos como chegamos ou onde estamos.
Ao final, fica-se a dúvida se Cobb está ou não sonhando. O que nos interessa, quando consideramos o sonho como realização de desejos, é que o personagem conseguiu, de qualquer forma, realiza-lo encontrando seus filhos.

domingo, 4 de março de 2012

Vivendo e Aprendendo

Engraçado, antes de começar a postar me lembrei muito de um filme: “Como Perder um Homem em 10 Dias”, quando ela faz todo um trabalho de “campo” para escrever uma matéria para a revista que trabalha, isso tudo só para conseguir reconhecimento da sua chefe e poder escrever sobre o que ela mais gosta que é política, mas no fim de tudo ouve a pérola “você pode escrever sobre qualquer coisa, relacionamento, beleza, namoro, dietas, produtos novos de beleza, menos sobre política e economia.
Me senti assim quando acabei um texto sobre a atual política do nosso idolatrado país e ouvi a mesma coisa mas em termos diferentes: “Não sabia que seu blog era sobre política”. Mas sobre o que é mesmo o meu blog? Será que o olhar do estrangeiro não tem visão política? Será que não posso, ou não consigo ter um olhar diferente sobre as mesmas falcatruas de sempre? Talvez conseguisse expor uma nova visão sobre a mesmice de sempre, mas morri na praia.
Vamos lá, a vida continua...
Acho que eu estou envelhecendo rápido demais, mas luto para que cada dia valha a pena. Hoje percebo que não tenho mais forças para realizar todas as minhas ideias, mas não me considero uma derrotada. Sofro quedas irreparáveis, mas não costumo ficar olhando para o chão. Se hoje o sol não brilhou, então me banharei na chuva. Sofro injustiças, mas jamais serei vítima. Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros, mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho. Fico triste muitas vezes quando percebo que não consigo seguir o ritmo da música, mas não me importo, brinco com a música e faço com que ela siga o compasso dos meus passos.
Inúmeras vezes não consigo enxergar o arco-íris, mas aprendi a desenhar um (rsrsrs). Não consigo aprender todas as lições necessárias (e não vou aprender), mas sei que absorvi o essencial. Hoje não tenho motivos para grandes comemorações, mas me alegro com pequenas conquistas.
Sei que mesmo com intocáveis dúvidas, sou capaz de construir grandes momentos. Só preciso me convencer disso.