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domingo, 30 de outubro de 2016

Literatura Brasileira de Verdade! Trama Mortal


"- Você sabe a minha opinião sobre o perdão. - César respondeu em voz baixa.
- Sim. - Eu sei. Se alguém não merece perdão por algo que fez, então não adianta pedir, mas se merece perdão, então não há porque pedi-lo.
...
Edson abaixou a cabeça aceitando a opinião do amigo.
- Você precisa entender que eu estava disposto a ir a lugares onde não se deve levar um amigo - tentou explicar - se Edson, que falasse isso com toda a certeza que uma pessoa pode ter sobre algo.
- Não, Edson - César divergiu. - Um lugar onde você não levaria um amigo é exatamente o tipo de lugar onde talvez você mais precise dele."

Esse é um dos meus livros preferidos que comprei na Bienal desse ano em São Paulo. Comprei com direito a autógrafo, marcador e tudo mais. Tava com uma pilha do lado da cama e só consegui lê-lo recentemente, mas valeu esperar esse momento.
"Trama Mortal", do Sérgio Santos, foi um desses achados pelas ruas incertas da Bienal. O autor não faz parte de nenhuma Editora, ele mesmo edita seus livros assumindo erros e acertos - na verdade, muito mais acertos e pouquíssimos erros! 
Passando em frente da Editora Coerência,  vimos o cartaz do livro "Os Segredos de Carol", um livro que estava á tempos na lista de minha filha Carol. Entramos para conferir e demos de cara com quem??? Com Sérgio Santos, o autor "Os Segredos de Carol", e também de "Trama Mortal", um dos livros que já fazia tempo estava na minha lista!
"Trama Mortal" faz parte daquele roll de autores sem Editoras, mas que estão acima de muita porcaria que vemos por aí, que estão na lista de mais vendidos mas... prefiro nem comentar!!! Acho essa discussão desnecessária! Acho que cada um deve responder por aquilo que lê. E o que não cabe para mim pode ser útil para você, acho importante a motivação da leitura, o que acho descabido é tanto frisson com algumas "coisas" que não chamaria de literatura, então não se deve nomear como tal. No máximo, um conjunto de porcaria que não acrescenta nada na vida de ninguém... Ah, vão me dizer, livro não é para acrescentar, é para distrair!!! Concordo plenamente! Mas tem coisas rolando aí que nem isso conseguem!!! É uma pena, porque tem gente com muito potencial sacrificando suas economias para poder fazer o que gosta, e alguns outros usufruindo de seus dez minutos de fama tentando fazer literatura, mas longe disso, estão tirando onda com a desinformação que a mídia prega. Sim, tupiniquins, eu mais que ninguém, como jornalista, posso afirmar para vocês que a imprensa faz e vende o que lhe convém, e nós meros mortais desinformados, COMPRAMOS!!!!
MOMENTO DESABAFO!!!
Ok. Voltamos ao livro.
"Trama Mortal", antes de mais nada tem uma capa bem bonita, a história é bem construída, com pouquíssimo erros, visto que o autor não tem Editora e, consequentemente, não tem Revisor. E isso é uma coisa que pego MUITO no pé. Livros de Editoras ditas Grandes com erros gramaticais absurdos, erros de digitação, erros infantis. Há livros que se tem DOIS revisores e mesmo assim encontro trocentos erros na leitura. Fico endoidecida.
O livro conta a história do policial César, um investigador de policia que é destacado para cuidar de um caso importante envolvendo um serial killer. Esse assassino marca cada uma das suas vítimas com um pedaço do endereço de um site na internet e informa que só irá parar quando esse endereço estiver completo.
A história é construída numa busca frenética pelo assassino enquanto outras histórias correm paralelamente. A leitura é simples e rápida, mas prende do início ao fim. Para quem gosta de literatura policial, é uma boa indicação.

Cláu Trigo

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Descobrindo Garcia-Roza - Resenha Atrasada/Desafio


"À noite, deitado no sofá da sala, o pensamento de Espinosa passava de um menino a outro, do que morrera por engano ao que sobrevivera por engano; e procurava traçar o perfil de alguém que joga gasolina numa criança dormindo. Conhecia os grupos matadores de mendigos, homossexuais, prostitutas e meninos de rua, e sabia do número surpreendente de pessoas incendiadas em quando dormiam nas ruas das grandes cidades, mas não acreditava em coincidências como aquela. Aquele garoto fora morto por alguém que supunha que ele soubesse de alguma coisa que ameaçava um terceiro. Lembrou-se de uma reportagem sobre atentados contra pessoas que dormiam na rua; fazia referência a dez atentados por fogo por mês, e a pergunta imediata foi: quem faz isso? As respostas possíveis foram aflorando: grupos de extrema direita, loucos incendiários, psicopatas, menores delinquentes, membros de seitas religiosas, racistas... e a lista se aproximava perigosamente das pessoas que encontramos a todo momento nas ruas, no ônibus, no trabalho, e até mesmo nas igrejas, pregando o amor universal."

Leitura dentro do prazo do meu desafio 2016, mas a resenha só consegui fazer agora, um mês depois. Culpa da correria do dia-a-dia!
Meu  primeiro contato com Luiz Alfredo Garcia-Roza! Apesar de ler muitos comentários sobre seus livros, e a maioria ser positiva, desconhecia seus livros. Triste, porque li "Achados e Perdidos", Editora Planeta de Agostini, e venho aqui confessar: "por que Santo Deus, não descobri Garcia-Roza antes? Aonde eu estava esse tempo todo?" 
Gostei demais. É nesses momentos que me vejo refletindo o quanto nossa literatura é rica e tem pessoas ainda que subestimam isso.Tem muita coisa boa no mercado! E engraçado que Garcia-Roza não é tão recente assim, mas por ironia do destino ainda não tínhamos nos encontrado. Agora, virei fã e vou correr atrás do tempo perdido. Vou providenciar mais livros do autor para encantarem minha estante.
Aposto todas as minhas cartas que ele vai fazer parte dos meus livros favoritos da nossa Literatura.
"Achados e Perdidos" é o segundo livro da série Espinosa, uma série de investigações que tem sempre como cenário o Rio de Janeiro.  
O livro marca o retorno do investigador policial Espinosa, que já aparecera no livro anterior do autor. "O Silêncio da Chuva". O recém promovido delegado continua o homem reservado do tempo da delegacia da praça Mauá, no centro do Rio.
Neste livro, Vieira, um delegado aposentado, se vê envolvido na morte da namorada, uma "garota da noite", e no desaparecimento de um menino de rua que tem muitas informações para dar à policia.
O ritmo da narração é frenética. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e você vai vagando pelas ruas do Rio de Janeiro e "quase" que se sente em casa, de tão impressionante descrição do autor.
A história é muito bem resolvida no final de tudo. Personagens vão aparecendo, desaparecendo, surpreendendo!
Adorei a maneira como Garcia-Roza vai crescendo com a história. É um livro que conheci agora, mas já estou correndo atrás dos outros exemplares, apesar de muitos já estarem esgotado e sei que só vou encontrá-los em Sebo, mas vamos lá!!!
Recomendo muito. Descubram Espinosa, decifrem Espinosa! Deem uma chance a nossa Literatura. Para quem gosta de romances policiais, fica a dica!!!

Cláu

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Para Quê Dividir? - Nunca Jamais


Tive que passar esse livro na frente, pois era emprestado e já havia um tempo que estava aqui em casa. Mas não me arrependo nada.
Quem acompanha o blog há um tempo ou já viu minhas postagens mais antigas, sabe que eu AMO "Um Caso Perdido", da Colleen Hoover.
Mas quando comecei a ler "Nunca Jamais" Editora Galera Record, eu sabia muito pouco da história. Dessa vez não quis procurar muito do que se tratava.
O livro vai se revezando entre os capítulos da Charlie e do Silas. Os dois são melhores amigos desde pequeno e hoje namoram. Porém, de uma hora para outra, ambos perdem a memória no mesmo dia! Todas as recordações desaparecem enquanto eles estão no colégio - agora eles não sabem quem são, quem são aquelas pessoas à suas voltas, aonde estão e suas histórias.
Juntos, eles terão que trabalhar para descobrir a verdade sobre o que aconteceu e o por quê. No entanto, algumas descobertas mostrarão para eles que a vida deles não era tão fácil, e que a situação não será tão simples. Com um final de deixar a gente ficar sem dormir por horas, "Nunca Jamais" pode te surpreender.
O livro é super curtinho, tem menos de 200 páginas - tanto que li em dois dias! Ele é muito rápido e gostoso de ler, nos deixando a cada página com uma vontade gigantesca de continuar logo a leitura.
A construção da autora também é muito boa. Do mesmo jeito que os personagens estão totalmente perdidos na situação, ela consegue passar e deixar a gente tão confuso quanto eles. Vamos começar a leitura sabendo tão pouco quanto eles e só iremos descobrir algumas pistas da metade para o final.

"Que estranho ser feita de carne, se equilibrar em ossos e ter uma alma que nunca conheci."

Os personagens são bons, principalmente a Charlie. Eu gostei muito dela - personagens meio difíceis de se lidar me agrada, rsrs. Já o Silas é meio chato, muito grudento com ela, mesmo não tendo nenhuma memória de como era o namoro dos dois. E a Colleen sabe construir personagens femininas muito bem. Um dos pontos fortes dela!
O maior problema que vi é que a autora ou editora decidiu dividir a história em dois livros... E não precisava! Eles fazem parte da duologia "Never Never", mas claramente isso foi feito para ganhar $$. Esse primeiro tem menos de 200 páginas e dava facilmente para deixar num só (até porque o segundo lá fora tem 158 páginas...). Isso me irritou demais - e para piorar, o segundo não foi lançado aqui e nem sei se já tem data de lançamento. Totalmente desnecessário, mas super recomendado para uma leitura rápida, com uma dose de suspense e romance.

Ps¹.: E o que dizer do final? Acabou no ápice do livro, no melhor momento.

Ps².:  É incrível como a autora consegue colocar o título (do livro e da série) no meio da história e fazer total sentido. Ela já tinha feito isso em "Um Caso Perdido" e faz isso novamente. Brilhante!

Errata: Nos comentários, as pessoas me avisaram que são três volumes e não dois. Obrigada a todos que me avisaram!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

sábado, 15 de outubro de 2016

Livro Desnecessário - Depois de Você


"Foi o 'talvez' que me fez tomar a decisão. Tinha algo de definitivo naquela palavra, como uma porta sendo fechada lentamente. Fiquei olhando para o meu celular enquanto aquelas inúmeras pessoas chegando para trabalhar na cidade me rodeavam, e algo dentro de mim também mudou. Eu poderia ir para a casa lamentar mais uma coisa que eu havia perdido ou poderia abraçar uma liberdade inesperada. Era como se uma luz tivesse se acendido: a única forma de evitar ser deixada para trás era começar a seguir em frente.
Fui para casa, fiz café e fiquei encarando a parede verde. Então peguei meu laptop".

Vamos lá. Achei desnecessário essa continuação. "Depois de Você", da amada Jojo Moyes, Editora Intrínseca, me pareceu mais uma dessas forçações de barra. Uma daquelas imposições que as Editoras costumam fazer a alguns escritores para ganharem mais dinheiro.
Como já disse antes, AMEI! "Como Eu Era Antes de Você" , mas definidamente, não! "Depois de Você" é um livro fraco, com uma história chata e sem grandes acontecimentos, tanto que demorei semanas me arrastando nele.
Não vou entrar muito em detalhes para não dar spoiler para quem ainda não leu o primeiro, mas é mais uma crise de Lou Clark, a sua busca por respostas para o óbvio. E a história vai se arrastando com personagens que não cativam, não conquistam. Não dá para contar muito porque qualquer coisa que falar vou contar o final do anterior, mas achei chato. 
Pior: não sei vocês, mas nada me tira da cabeça que teremos um terceiro pela frente. O final ficou aberto. Triste! De morrer!
Tenho certeza absoluta que não havia necessidade dessa continuação. "Como Eu Era Antes de Você" terminou como deveria, e vida que segue.
Não gostei, mas é questão de ponto de vista. Eu esperava mais, esperava uma história mais consistente, mais despretensiosa e envolvente. Não fui isso que encontrei, mas recomendo muito o primeiro.
Abraço,

Cláu Trigo

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A Traição do Sapato Novo - Conto #1 do Livro dos Mistérios


Algumas semanas atrás, estava mexendo no meu Facebook e vi uma postagem num grupo de literatura que participo que chamou minha atenção mais do que as outras. Era uma pessoa perguntando o que éramos: leitores, blogueiros, escritores, vlogueiros, capistas, etc... Respondi que era leitora e blogueira literária <3 Não custava nada.
Depois esqueci do post. Várias semanas depois, eis que alguém me responde e fiquei bastante surpresa, pois nem lembrava mais do post. E só quando fui ler a resposta que descobri que o autor do post (e da resposta) é o autor desse conto: o Jeremias!
Ele fez uma perguntas curta e simples e que já tinha uma resposta pronta: você leria um conto escrito por um corinthiano? (P.S. Sou uma são paulina chata, que grita muito em jogo e briga bastante por futebol - mas isso é história para outro momento, rsrs).
Fui procurar na Amazon sobre o que era o conto e descobri que ele é autor de três contos que fazem parte da "série" O Livro dos Mistérios. Esse é o primeiro e já aviso que vai ser difícil fazer uma resenha sem dar spoiler. Mas prometi para o Jeremias que iria conseguir fazer isso! Até porque ele meio que me desafiou, e adoro desafios...
Esse primeiro conto tem somente 14 páginas, em meia hora dá para ler. Mas podem ter certeza que vocês irão demorar muito mais tempo pensando nele e tentando decifrar as perguntas que o autor nos deixa. A sinopse é simples, durante uma comemoração uma mulher está no banheiro se arrumando. Quando o nosso protagonista vai se despir, eis um problema: o nó do cadarço está fortíssimo e ele não consegue tirar a roupa! Como esse homem irá resolver essa traição do sapato num momento tão crucial?
Talvez lendo a sinopse você não consiga captar o que o autor quer fazer com você, leitor. Porém insisto para que leia, não vai perder muito tempo, mas tenho certeza que você vai ficar um tempo pensando quem são essas pessoas? O que elas estão fazendo? O que seria o livro rosa que é citado na história? Qual a relação da capa com a história? Para tudo isso tem uma resposta e vai ser bem difícil descobrir de primeira. E se você souber, parabéns! Você é muito bom!
Quando terminei de ler o conto, já tinha algumas ideias na cabeça, mas nada confirmado... Passei alguns dias com aquelas perguntas. Até que decidi importunar o Jeremias numa quinta à noite para saber se estava no caminho certo ou se estava viajando muito. E ele foi super atencioso respondendo a todas as minhas perguntas. No final, estava pensando certo!
Eu só tenho que agradecer ao Jeremias por me mostrar e disponibilizar o conto; por passar um tempão conversando comigo, respondendo as minhas perguntas. E olha que falo demais rsrs. Agora preciso ler o segundo que é um pouquinho maior: 36 páginas. E aviso, prestem bastante atenção em cada palavra, pois para entender tudo, você vai precisar! Ah, e em algumas partes, pelo que vi nas sinopses, um conto responde uma pergunta do outro, meio que se completam.
Os três contos tem na Amazon por um preço super barato: R$1,99! E todos tem menos de 100 páginas, dá para ler numa sentada. A sequência deles é a seguinte:

  1. A Traição do Sapato Novo (14 páginas);
  2. O Voo da Mariposa (36 páginas),
  3. A Semente do Veneno (60 páginas)
Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Acqua Toffana é de Matar!


"Até esse momento, eu era infeliz e isso era tudo. O amor não se dissolve, o amor acaba. Como alguém que é atropelado e morre instantaneamente. Acaba assim, o amor. Quem percebe isso ainda tem chance. Quem não percebe vai de graça até o inferno. Eu não percebi".

"Acqua Toffana", de Patricia Melo, Editora Companhia das Letras, é outro livro da minha coleção de desnecessário.
O livro é chato. A autora tenta inovar com  frases curtas, jogadas, totalmente ineficaz. 
Não gostei da história, do vai e volta, dos personagens postados de loucos, da enrolação do enredo.
Tudo é muito enrolado. Não cativa, não prende. É aquele típico livro que você não vê a hora de acabar e poder esquecê-lo, para sempre, na estante.
Achei que a autora quis inovar com uma escrita de cortes rápidos, mas acabou me parecendo que as palavras foram jogadas ali, largadas. Não deu muito certo. É aquela experiência para ser esquecida.
O título, para quem não sabe, remete a um mistério renascentista: acqua toffana era um veneno devastador, do qual hoje não se sabe muita coisa, a não ser que ceifou muitas vidas ilustres.
São duas histórias. A primeira acompanha a trajetória de um matador de mulheres da perspectiva da vítima, uma personagem chata, louca, sem atitude. Os diálogos são superficiais e melancólicos. Dá vontade de dormir.
A outra história é baseada na mente doentia de um criminoso em torno de sua vítima.
Quando eu achava que não teria nada mais chato que a primeira personagem, descobri que sim, pode ter e têm! O cara consegue me irritar, mas não de uma maneira que você acaba, no final, criando um certo 'laço' de amor e ódio com ele. Não! Esse personagem é fraco, apático, sem graça.
Não gostei do livro. Tenho também "Inferno" da autora e espero, sinceramente, que ela tenha melhorado a sua escrita com o tempo, porque "Acqua Toffana" é de chorar, mas de ódio pela perda de tempo.

Cláu Trigo