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sábado, 30 de janeiro de 2010

Flâneur

Terrivelmente, a multidão que se arrasta pelas ruas frenéticas de São Paulo é de mesma igualdade e tamanho do dândi e do flâneur de Baudelaire.

O flâneur que caminha a esmo pelas ruas parisienses do século 19 é o mesmo que vaga hoje pelas ruas desumanas de São Paulo do século 21.

Rastejam, na velocidade da contemplação. São minoria. Efêmeros. Respiram com dificuldade, olham com estranheza e admiram o belo e sua singularidade deslumbrando aquele momento único.

Sou um flâneur que caminha tranquilamente pelas ruas observando cada detalhe, sem ser notada, sem me inserir na paisagem, assim como Baudelaire gostaria que fosse.

Caminho pelas ruas sinuosas como um estrangeiro. A sua paisagem foi feita para ser vista pelo caminhante solitário, pois somente a passo ocioso pode-se admirar toda a beleza de suas ruas com seus ricos detalhes, como uma pintura moderna. Diferente da Paris dos cafés mas semelhante, com suas ruas de histórias e sua multidão desenfreada.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O Tempo

De todas as vezes que andei pelas ruas, foram poucas as que notei como é belo o feio.

Aqueles casarões abandonados em alguma rua suja e malcheirosa, algum momento foi o palácio de um sobrevivente do caos do dia a dia.

Caminho observando os detalhes, e cada um deles me surpreende de alguma forma.

Não apenas vejo, mas olho. Olhando entendo. Entendo que a beleza não está no todo, mas nos pequenos detalhes.

Vejo lindas arquiteturas em prédios velhos e abandonados, invisíveis à multidão.

Questiono a sua história, descubro fragmentos de vida, restos sub-humanos de olhares que o tempo não levou.