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domingo, 8 de maio de 2011

Domingo

Fim de tarde, por sinal, lindo!
Dia das mães. Longe de casa...
Acho que domingo é o dia mais chato que tem. Talvez porque amanhã é o primeiro dia da semana, talvez porque seja naturalmente um dia triste.
Alguns anos atrás, domingo era o dia do adeus... Acordava cedo para ficar mais tempo com você, e quando a noite chegava era o momento do 'até breve', do 'até mais', envolvidos em silenciosos abraços e beijos.
A semana era de saudades, não existia celular; computador ainda era artigo de luxo, e a gente só se falava por telefone, a noite, uma vez por semana. Contava cada segundo para chegar logo a sexta-feira.
Hoje os meus domingos são divididos com você, mas por algum motivo desconhecido ainda, mantém a fama de tristes. Talvez porque no meu inconsciente só sobraram essas recordações...
Vivemos trocando sentimentos e carinhos nessa selva frenética enquanto os dias passam por nós. E envelhecemos juntos.
Olho para trás e vejo toda nossa juventude, toda inocência, guardada numa esquina da minha memória. Vejo com ternura cada dia vivido!
A noite já começa a cair e a brisa que entra é fria.
Acho que o outono é a estação mais bonita e nostálgica que há. Tem cheiro de paixão. Tem sabor de prazer... Me embriago dessas lembranças e me delicio com o olhar malicioso que me segue.
É noite.
Logo é hora de dormir.
Ouço uma música que conheço bem. Sinto o seu perfume se misturar com o sabor do vinho.
Os olhares continuam...
Vou deitar!
Boa noite.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Segredos - Parte 2

Sexta-feira.
Noite de outono.
Se existe um segredo que quero proteger, ele continua intacto do outro lado de tudo. Primeiro, porque os vejo como quem quer guardá-los escondidos numa caixinha. Depois, porque meus personagens pouco se deixam revelar - ainda que estejam muito próximos da realidade -, seja porque nunca olham de frente, seja porque também não os quero por inteiro. Dessa forma construo a minha história entre presenças e ausências.
Meus personagens são construídos entre boas taças de vinho. São personagens de limites, cheias de emoções e sensações, algumas vezes metafóricas, outras vezes singular. Um personagem enigmático, uma "senhora" envolta numa textura quase sépia. Um personagem transformado num traço de memória. Na maioria das vezes oculto, algumas vezes plural.
Quero me entregar a um jogo de espelhos. Ao construir cada personagem, eu lentamente me deito no divã, e embora minhas palavras às vezes tentem fugir, subitamente ouço deles um grito de socorro e então entro num momento de total reflexão.
Assim, meus personagens e cenas e conversas retornam ao espaço sagrado de um túnel escuro e sem fim, fazendo com que o outro lado seja muito próximo de onde estou: nas ruas, na cidade solitária de São Paulo, dentro de casa, diante das ruas iluminadas da Av. Paulista. Ou, mais adiante, na proposta de descoberta, quando meu personagem - refletido do outro lodo de tudo - se revela no espelho de autorretratos que são quase gotas. As gotas de um segredo que construo para guardar!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Solidão dos Números Primos

Retornando, aos poucos, aos velhos hábitos.
2011.
Em menos de 8 horas devorei um livro: "A solidão dos números primos" de Paolo Giordano. Vale MUITO a pena.
O livro é como uma torta sorvete de chocolate: é impossível parar antes de tê-lo devorado.
Se fosse para analisar pelo nome talvez nem tivesse pego o livro na mão. No entanto, fiquei curiosa para saber o que teria dentro de um livro com esse título. E tive uma grata surpresa.
O livro é daqueles que te prende desde o primeiro parágrafo Você passa a fazer parte dele, se envolve de tal forma que consegue durante essa "viagem", ter várias releituras e olhares sobre episódios que poderiam ser parte de sua vida, ou de alguém que você conheceu.
Rico é o desenrolar da história. É um entra e sai de dúvidas, perspectivas, desencontros, incertezas. É uma mistura de duas solidões que jamais se encontram. Nunca poderão ser uma só.
É a construção de muitos olhares, mas nada definitivo.
Conselho de 2011: é um livro que vale cada minuto "perdido" com ele.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011

Ano novo!
Vida nova?
Quantas e quantas vezes nesses últimos anos me vi fazendo essa promessa...
Nada de novo vi acontecer.
As coisas se repetem feito um ciclo que vai e volta depois de algum tempo. É como se a gente vivesse as coisas repetidas vezes e depois de algum tempo novamente, e depois novamente, e depois de novo!
É estranho falar nisso, mas é assim que enxergo as coisas. Um ciclo que vai e volta de tempo em tempo. Nada muda! É como um eterno aprendizado, onde na maioria das vezes aprendemos muito pouco.
É como olhar em volta e ver sempre a mesma coisa, um déjà vu.
Nada muda ou se renova. Tudo se repete.
Esse ano estou apostando as poucas fichas que me restaram para acrescentar algo novo nesse vai e vem de incertezas.
Percebo a urgência de renovação, mas não sei muito o que fazer.
Os olhares são todos iguais, assim como são os caminhos. Não é preciso inventar nada. Não adianta. Agora somos dois procurando a mesma coisa... Além disso o jogo encontra por si só o seu caminho, e é justamente nesse momento que encontro o seu olhar. O novo!
Reconheço a minha solidão em você. Vejo-me em você.
2011... que venha, de novo, os velhos sonhos, a mesma esperança, os novos desejos.
Desejos?
Vários... concretos, discretos, irrequietos, diretos!!!
Bem-vindo, 2011!