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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Lista - Resenha/Desafio


"Faria 85 anos na semana seguinte; é claro que ela tinha inúmeras histórias, e é claro que tinha segredos, todo mundo tem. A questão era tentar decidir qual delas Kitty poderia escutar e, depois de todo esse tempo, qual Birdie desejava contar."

Sempre que pego na mão um livro da Cecelia Ahern, já vou cheia de expectativas, esperando muito das histórias dela. Simplesmente porque essa mulher é demais! Como amo ela, sua escrita e seus livros...
E com esse não foi diferente. "A Lista", da maravilhosa Cecelia Ahern. Editora Novo Conceito, foi mais um espetacular livro dela.
A trama é bem simples: a nossa protagonista, Katherine Logan - ou melhor, Kitty, como prefere ser chamada - acabou de entrar numa enrascada daquelas.
Ela é uma jornalista que recentemente participou de um programa de TV e acusou um professor de abuso sexual de duas alunas dele. O único problema é que todo mundo estava assistindo esse programa e a informação que ela tinha era falsa... Com isso ela perdeu o emprego que ela tinha no canal, sua carreira está arruinada, perdeu seu namorado, seu melhor amigo está decepcionado com ela e a sua mentora e chefe, Constance, está gravemente doente.
E antes de falecer, Constance deixa um mistério na mão de Kitty - uma lista com cem nomes de pessoas que a primeira vista não tem nenhuma conexão. E é a partir daí que a história vai se desenrolar. Kitty indo atrás dessas pessoas e tentando entrar em contato com elas para descobrir essa relação e escrever uma matéria na revista "Etcetera" na qual trabalha e Constance era chefe. E nesse meio ainda tenta recuperar um pouco de dignidade e salvar seu emprego que está por um fio.
A Kitty é uma personagem que no começo é difícil de se apegar, até pelo que ela fez. Mas depois a gente percebe que ela foi usada e que no fundo ela se sente mal. E as pessoas ao redor dela não ajudam muito, mas as coisas vão se encaixando.
E o final é de arrebentar! Para mim o melhor final dos livros dela que já li. É simples, faz total sentido e é perfeito. Não esperava que ela pudesse acabar tão perfeitamente.
O sentidos dos nomes estarem naquela lista é tão delicado que ele concretizou o livro como o meu preferido da Cecelia.
É incrível como a autora escreve bem e consegue nos atingir. A mensagem que ela sempre passa é lindo, e todos deveriam ler algo dela - e mais importante: não só os livros que saíram filmes, que são os mais conhecidos. Ela tem MUITO livro bom que pouca gente conhece.

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Com Licença, Te Apresento Carlos Ruiz Zafón! - Resenha/Desafio


"- Quem são os loucos? - perguntou Jawahal. - Aqueles que veem o horror no coração de seus semelhantes e buscam a paz a qualquer preço ou aqueles que fingem não ver as coisas que acontecem a seu redor? O mundo, Ben, é dos loucos ou dos hipócritas. Não existem outras raças na face da Terra senão essas duas. E você tem que escolher uma delas."

Já fazia um tempo que não lia nada do autor, mas com o terceiro livro lido, para mim, não tem discussão: esse cara escreve MUITO! Ele sabe juntar fantasia e terror com histórias de criança de um jeito que só ele sabe fazer.
Dessa vez o livro foi "O Palácio da Meia-Noite", do Carlos Ruiz Zafón, Editora Suma de Letras, e posso começar falando que esse é um dos melhores livros no ano que li...
A história é focado no Ben e na Sheere, dois jovens que acabaram de fazer 16 anos e descobrem que são irmãos gêmeos. Por conta de seus passados, eles foram separados ainda quando eram bebês. Ela morou com sua vó, Aryami Bosé, e ele passou sua infância num orfanato na cidade de Calcutá.
Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos, eles se reúnem no Palácio da Meia-Noite e embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história.
A avó deles, Aryami irá contar a história do passado deles: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeters Gate, onde enfrentam o terrível pássaro.
No começo, eu estava meio confusa com o enredo, pois inicia com um dos personagens narrando e ficamos meio perdidos em saber quem é, mas com o passar da história o autor vai nos apresentando um pouco mais dela e as peças vão se juntando.
O livro vai se alternando entre a narração desse personagem (que não falarei quem é para não acabar com a graça da escrita) e a história "normal" - em que a cada capítulo estamos num ano diferente de Calcutá. Começa em 1916 e vai terminar em 1932.
Logo nas primeiras páginas achei bem interessante a história se passar na capital da Índia. Não é algo tão comum e nem estamos muito acostumados com essa paisagem, e exatamente por causa disso é meio difícil decorar os nomes dos lugares e dos personagens. Mas é questão de tempo e logo estamos familiarizados.
Os personagens são muito bem construídos e super carismáticos. A história te prende logo nas primeiras palavras e a construção dela é perfeita. Você acaba o livro vendo que o Zafón não deixou  nenhuma parte em aberto. E o final, além de me pegar de surpresa, é bem emocionante.
O autor consegue incorporar também muito bem a mitologia e o folclore local. Tanto que a cidade, segundo um dos personagens, é o "lar da divindade Dido, uma princesa que entregou seu corpo ao fogo para aplacar a ira dos deuses e purgar seus pecados. Mas ela retornou, convertida em deusa." Assim como a Fênix.
Diferente de "Marina" (outro perfeito livro doa autor), que dá um gostinho de quero mais no final, esse acaba da melhor forma possível, de um jeito que só o Carlos Ruiz Zafón sabe fazer. Juntando fantasia com suspense em um livro que pode sim,ser considerado infanto-juvenil - inclusive o autor fala sobre isso antes de começar a história.
Todos deveriam dar uma chance para algum livro dele - e se você ainda não fez isso, está perdendo uma gigante oportunidade de conhecer um ótimo autor europeu (ou melhor, espanhol!) que escreve aventura para todas as idades, ou como ele próprio diz: "A eles e aos jovens e não tão jovens que se aventuram hoje pela primeira vez no terreno desses romances e seus mistérios, o mais sincero agradecimento deste contador de histórias. Feliz leitura."

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como Eu Era Antes de Você


"O quarto estava estranhamente calmo. Pelo vão entre as cortinas dava para ver o mundo lá fora, coberto de branco, calmo e lindo. Ali dentro estava quente e silencioso e só o zunido e o assobio do aquecimento central interrompiam os meus pensamentos. Fiquei lendo e, de vez em quando, olhava Will dormir tranquilamente. Conclui que nunca houve uma época na minha vida em que pude ficar em silêncio, sem fazer nada. Numa casa como a minha, é impossível crescer acostumado ao silêncio: o aspirador estava sempre ligado, a TV berrando, as pessoas falando. Nos raros momentos em que a TV ficava desligada, papai colocava seus velhos LPs do Elvis para tocar a todo volume. Um café também tem um barulho constante, com todo o falatório e tilintar de talheres.
Ali, eu podia ouvir meus pensamentos. E quase escutava meu coração batendo. Percebi, para a minha surpresa, que gostava disso."

Cara, como não amar essa história? "Como Eu Era Antes de Você", da Jojo 'querida' Moyes, Editora Intrínseca é mais uma dessas encantadoras histórias que você vai levar para sempre no coração. 
Pode até parecer clichê, afinal, é mais uma dessas inúmeras histórias de amor. Mas não. A maneira que é contada vai contra as ideias que construímos do que é realmente o amor e até onde podemos ir. E as consequências que teremos que colher no final.
Não sei nem como explicar o que aconteceu com o meu coração quando o livro acabou e eu teria que conviver com aquilo. Foi apaixonante do começo ao fim.
Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu derrame. Sua vidinha ainda inclui o trabalho como garçonete num café de sua pequena cidade - um emprego que não paga muito, mas ajuda com as despesas - e o namoro com Patrick, um triatleta que não parece muito interessado nela. Não que ele se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico, Will Traynor tem 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de ter sido atropelado por uma moto, o antes ativo e esportivo Will agora desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Sua vida parece sem  sentido e dolorosa demais para ser levada adiante. Obstinado, ele planeja com cuidado uma forma de acabar com esse sofrimento. Só não esperava que Lou aparecesse e se empenhasse tanto para convencê-lo do contrário.
A história vai criando suas formas da metade para frente, mas é envolvente, refletiva, uma alta análise de valores, família, amor, morte.
O livro terminou e eu fiquei com 'aquela' cara de como assim?
Existem alguns temas que, como não fazem parte do nosso cotidiano, acabam ficando em segundo plano em nossas vidas. Acabamos não tendo uma opinião formada sobre. Esse livro será o momento para você refletir sobre alguns assuntos que não costumamos pensar. E pode acreditar: você nunca mais esquecerá de Will!!!
Eu mais que recomendo, indico como uma linda história de vida e de amor. E mais, de atitudes.
Abraço,

Cláu Trigo

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O Alucinante e Sensacional


"- Não, meu amigo. Somos lunáticos saídos daquele hospital, ali adiante na estrada, cerâmica psíquica, as cucas fundidas da humanidade. Gostaria que eu interpretasse um teste de Rorschash para você? Não? Está com pressa? Há, ele foi embora. Que pena! - virou-se para McMurphy. - Eu nunca havia percebido que a doença mental pode incluir o aspecto de poder, PODER. Pense nisso: talvez quanto mais louco um homem seja, mais poderoso pode tornar. Hitler é um exemplo. Se a gente se sente bem, algo faz o velho cérebro funcionar de novo, não é?Temos ai um bom tema para reflexão."

Mais um querido para a conta! 
"Um estranho no ninho", de Ken Kesey, da BestBolso era mais um daqueles livros que já estavam criando raízes na minha estante.
Fazia anos e anos que estava lá, só me observando, e eu, nada! Até que num belo dia de sol resolvi tirá-lo do seu aconchego e colocá-lo num lugar melhor: minha mesa de cabeceira, também conhecida por criado-mudo!!!
Promovi ele de cargo e lá fomos nós. Começamos então o nosso relacionamento. E eu, como sempre, torcendo para dar certo.
A primeira parte parecia que o negócio ia desandar. Não me parecia que ia dar certo. Não via futuro naquilo. Foi um único capítulo, longo, longo, longo. Imaginem: um único capítulo que quase 200 páginas. É de chorar. E além do mais é meio massante, cansativo. Muita informação com pouca ação. Ufa! Quando chegou as demais partes, a coisa mudou totalmente de angulo, andou de uma maneira frenética, alucinante. Foi que foi!
As páginas anteriores, a primeira parte, aquela que demorei cerca de uma semana para acabar, ficou pequena diante do resto do livro, as outras 300 páginas terminei em dois dias!
A primeira parte é muito informativa, chega, é verdade, a cansar; mas não desistam do livro. Ele é bom demais, louco demais, irônico demais. Tudo é mais!
"Um Estranho no Ninho", é um clássico da contracultura que retrata os psicodélicos anos 60.
O romance de Ken Kesey é inspirado em suas próprias experiências quando participou de pesquisas com drogas psicoativas no centro psiquiátrico do Menlo Park Veterans Hospital, Califórnia. O livro tem como protagonista R. P. McMurphy, um preso que escapa da condenação fingindo-se de louco. McMurphy é então internado em um hospício, sob a tutela da sádica Chefona, a enfermeira Ratched, que comanda os internos com suas rigorosas sessões de terapia e eletrochoque. Aos poucos McMurphy percebe que o hospício pode ser muito pior que a prisão, e nesse novo universo cercado por pacientes inseguros, ansiosos e constantemente dopados ele vai tirando suas próprias conclusões, criando seus laços de amizade e companheirismo.
São pessoas que buscaram refúgio da sociedade no hospício. Um livro louco, mais muito real. E atual!
É uma história sensacional. É engraçado. É forte. Faz rir e chorar. Você consegue se infiltrar nesse universo. E vai sair de lá levando na bagagem muito mais que somente lembranças. Pode acreditar.
Recomendo muito.
Abraço,

Cláu Trigo

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O Inusitado e Suas Peculiaridades!


"No entanto, se o rosto ia se desvanecendo em mim, ia se apagando como o de uma atriz que tinha parado de fazer filmes há muito tempo. Outra coisa que me acontecia era que, de tanto ver e contar filmes, muitas vezes eu os embaralhava com a realidade. E me custava lembrar se determinada coisa eu tinha vivido ou visto projetada na tela. Ou se havia sonhado. Porque acontecia que até os meus próprios sonhos eu confundia depois com cenas de filmes.
A mesma coisa acontecia com as lembranças mais lindas da minha mãe. As imagens dos poucos momentos felizes vividos com ela se desvanecendo na minha memória, inapelavelmente, como cenas de um filme velho.
Um filme em branco e preto.
E mudo."

Preciso confessar: comprei esse livro imaginando uma coisa e foi outra BEM diferente!
"A Contadora de Filmes", de Hernán Rivera Letelier, Editora Cosac Naify, digamos que foi uma agradável surpresa.
Quando comprei o livro - eu, cinéfila de carteirinha! Graduada e apaixonada! - achei que ia encontrar na história, sugestões, histórias, curiosidades e afins, mas não! Encontrei muito mais que isso, encontrei uma linda história de uma "verdadeira" contadora de filmes, mas o "filme" foi o menos importante aí.
Não comece a leitura achando que você, como eu, encontrará sugestões de grandes filmes, roteiros da sétima arte, história de grandes diretores e suas peculiaridades, não. Se for por esse caminho será sua maior decepção. O caminho é outro, mas vale tão a pena quanto!
Pensei numa coisa, comprei, e acabei encontrando outra. Talvez, melhor. Pelo inusitado.
Gosto muito de ser surpreendida. O tempo todo! Para tudo! Confesso que fui...
Para Borges, a missão de um escritor era dar nome ao que ainda não havia sido nomeado. Muitos escritores cumpriram essa tarefa, em diferentes latitudes. Guimarães Rosa, incorporando o não dito do sertão mineiro. Machado de Assis, revelando o Rio antigo. Kafka, uma Praga fantástica. Joyce, os meandros de Dublin e o além-mar. Faulkner, a cidade que ele inventou no Mississipi. Cormac McCarthy, a fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Outros mesclaram esse desejo de desvendamento com a atração que o cinema lhes suscitava. É o caso de escritores cinéfilos como Raymond Chandler, Manuel Puig, Rubem Fonseca ou Paul Auster. Para esses, capturar as sombras e o pulsar de Los Angeles, Buenos Aires, Rio de Janeiro ou Nova York passa a ser tão premente quanto identificar os reflexos - o negativo - dessas mesmas cidades. É no chiaroscuros dos labirintos de becos e ruas, mas também das narrativas cinematográficas, que seus personagens evoluem e se perdem.
Hernán Rivera Letelier é, como esses autores, um escritor que construiu uma obra única e singular. O escritor dá nome aos povoados que se desenvolveram no deserto chileno do Atacama, ao lado das indústrias de salitre. Povoados de mineiros, de quem ele fala com raro conhecimento de causa. Filho de mineiros, viveu dessa profissão antes de virar escritor.
O cinema também está no centro de suas histórias. Em muitas dessas comunidades do Atacama, conhecido como "o deserto mais solitário do mundo", os filmes que passavam nas salas da cidade eram a única maneira de mergulhar em outras realidades, distantes da aridez asfixiante do deserto.
"A Contadora de Filmes" é um relato comovente, que fala dessa convivência entre uma realidade áspera e a possibilidade de transcendê-la. Final dos anos 50: Maria Margarita é a filha menor de uma família de mineiros, para quem a sessão de cinema aos domingos é a ocasião para descobrir a última obra-prima de Chaplin, as tramas lacrimejantes dos filmes mexicanos, a saia esvoaçante de Marilyn Monroe ou as novas aventuras de John Wayne. É, também, o lugar onde as pessoas se encontram para namorar, mostrar a camisa recém comprada, trocar informações sobre a vida que corre. É a conversa do jantar, o contato com o mundo.
O acidente de trabalho sofrido pelo pai corta a renda familiar pela metade, e um só filho será escolhido para ir ao cinema aos domingos. A missão: contar a história do filme para o resto da família. É nesse momento de ruptura que Maria Margarita descobre o talento que tem para narrar. Ela se torna, pouco a pouco, a memória cinematográfica de sua região.
Além desse embate fascinante entre a realidade e imaginação, "A Contadora de Filmes" é um relato delicado sobre a descoberta da puberdade e as agruras da adolescência. É, também, uma narrativa reveladora sobre a tensão entre classes sociais, sobre o abuso do poder e a violência que resulta da convivência de contrários no mesmo espaço geográfico.
Quando a narrativa avança no tempo, passando a incorporar as mudanças resultantes da televisão e introduzindo o trauma político causado pelo golpe militar de Pinochet, a crise dos personagens e a do país se fundem. O relato se universaliza. Compreende-se que, mesmo num canto remoto do mundo, nada mais será como antes. O tempo passa a ser personagem da trama. Advém daí a sensação de que, ao ler o livro, compartilhamos uma vivência maior, de um relato amplo e fecundo, que transcende a aparente simplicidade do texto e da sua arquitetura. Porque dar nome ao que ainda não foi nomeado é também tentar descobrir o que somos, que memórias nos habitam, que ausências nos formam.
A obra de Letelier propicia também uma forma de resistência. Com a mecanização, as cidades surgidas no Atacama se transformaram pouco a pouco em cidades fantasmas. As histórias do autor repovoam essas cidades, dão-lhes uma possibilidade de permanência, estabelecem uma memória coletiva que resiste ao tempo.
Não se trata propriamente de um livro sobre filmes, mas de histórias que poderiam ser sim, uma sétima arte!...
É isso, então!
Fica a dica.

Cláu Trigo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A Desconstrução do Mito Feminino - O Papel de Parede Amarelo


"O trabalho das mulheres dentro de casa sem dúvidas permite aos homens produzir mais riqueza do que normalmente conseguiriam. E desta forma as mulheres têm papel econômico ativo na sociedade. Mas o mesmo vale para os cavalos. O trabalho dos cavalos permite aos homens produzir mais riqueza do que normalmente conseguiriam. Os cavalos têm papel econômico ativo na sociedade, mas não têm independência financeira, assim como as mulheres."

Mais que um livro que se tornou  referência do Movimento Feminista, "O Papel de Parede Amarelo", de Charlotte Perkins Gilman, Editora José Olympio, é um sinônimo de luta, de coragem, de reconstrução.
O livro narra a história de uma esposa fragilizada, que sobre os cuidados do marido médico, vai se recuperar numa fazenda histórica numa tentativa de criar ali um retiro de recuperação emocional. O lugar é encantador, com uma bela mansão colonial e jardins amplos e sombreados. Tudo parece compor o cenário perfeito. Mas algo de muito estranho se passa naquela casa... especialmente no quarto em que o casal se instala, com o sombrio papel de parede amarelo.
Quando a autora nos aproxima da personagem feminina, uma mulher deprimida e submetida a um tratamento impositivo e infantilizador, percebemos que a incômoda estranheza sentida por ela tem suas causas em algo além da casa e das berrantes visões despertadas pelo papel de parede amarelo. E o estranho, como observou Freud, é aquilo que nos é familiar.
É um conto muito acima de seu tempo, Como Elaine Hedges nos fala no Posfácio; "Do seu jeito louco-são, Charlotte viu a situação das mulheres exatamente pelo que ela é. Ela queria estrangular a mulher atrás do papel - amarrá-la com um corda. Porque essa mulher, o trágico produto de sua sociedade, é naturalmente o próprio eu da narradora. E, ao rejeitar essa mulher, ela poderia libertar a outra, aprisionada dentro de si mesma. A única rejeição disponível, contudo, é o suicídio, e assim ela cai numa espiral de loucura. A loucura é sua única liberdade, conforme, rastejando pelo quarto, grita para o marido que finalmente conseguiu "sair" - do papel de parede - e não pode ser colocada de volta".
É uma leitura muito atual e consciente. Cheia de passagens fortes e subliminares, uma complexa desconstrução do mito que é ser mulher. Vale muito uma análise mais profunda e analítica, mas deixo isso para uma próxima oportunidade.
Valeu.

Cláu Trigo

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Bienal 2016


Essa Bienal já passou e já queremos a próxima! Essa relação que temos com o evento é estranho. Estava comentando esses dias que, no nosso caso e de várias pessoas, esperamos dois anos para chegar o dia, compramos vários livros, encontramos muita gente legal e nos divertimos muito, e de repente, esse momento passa num piscar de olhos. Agora já estamos fazendo a contagem regressiva para a próxima. Além do fato de ficarmos muito ansiosas antes.
Para quem ama esse mundo, esse é o melhor lugar em todos os sentidos. Livros, pessoas que conhecemos, brindes, autores que normalmente só vemos pela tela do notebook e cansaço, muito cansaço. Mas no final, tudo isso vale muito a pena.
Fomos no último sábado (dia 03) e já estávamos mais preparadas do que em 2014. Levamos mochilas e bolsas para carregar os livros, garrafinha d'água, salgadinho para não ter que comer lá, saímos muito cedo de casa para chegar no primeiro horário, levamos mapa dos standes - para garantir! - , entre várias outras coisas... Enfim, nos preparamos bem. E muito por causa disso, aproveitamos bem mais.
Além do nosso cuidado, a Bienal parecia estar mais organizada, o que também facilitou muito as coisas. As ruas estavam mais largas, então dava para andar - diferente do último ano - e as próprias editoras também estavam mais organizadas. Várias delas já deram senha antes para os autógrafos maiores, não tinham filas e filas só para entrar no estande, deixaram marcadores em todos os cantos, o que ficou mais fácil para a gente e para eles.
O único problema novamente foram os preços! Tanto para comer quanto no valor dos livros. Nas editoras, os livros levavam o preço de capa das livrarias físicas. Tinha editoras que os livros estavam com média de 30, 40 reais. Isso é um absurdo! Que eu saiba a Bienal é uma feira e deveria estar com preços muito mais baixos. Aonde valia comprar era nos estandes de livreiros. Lá os preços estavam muito bons. Tudo por volta de 10 reais! Uma das poucas que estava com um preço muito bom foi a Editora Gente - lá os preços estavam tudo pela metade, o mais caro estava 15 reais. E o que dizer da Saraiva... Do que adianta terem o maior estande na Bienal para ter preços absurdos? Tudo estava acima de 40 reais - nem ficamos muito nela, pois não valia a pena. Saraiva, melhore!
Agora vamos falar do que compramos e quais autores encontramos e conseguimos autógrafos.


Uma das melhores coisas que sempre tem na Bienal de SP é o estande da Ciranda Cultural! É logo na entrada e os preços são ótimos. Compramos alguns livros lá. Logo em seguida passamos na Comix e um outro estande de quadrinhos para comprar alguns mangás que meu irmão queria. E depois veio uma das maiores surpresas do dia, encontramos com o Sérgio Santos, autor de "O Segredo de Carol" (meu? rsrs) e "Trama Mortal", sendo que o primeiro livro já estava um tempo na minha lista para comprar. Ele foi muito gentil e simpático. Começamos super bem a Bienal.
Depois passei na Novo Século para autografar o meu "A Arma Escarlate", que trouxe de casa. Fiquei muito feliz por ter conseguido. Depois passamos em vários estandes, alguns compramos alguma coisa, outros nem ficamos muito tempo por causa do preço.
Já quase no final, passamos no estande da Draco, nossa parceira, e foi um dos melhores momentos. Além do pessoal super simpático, levamos três autógrafos!!! Comprei "Inverso" e "Reverso" da Karen Alvares, que foi muito gentil. E o melhor: levei o último "Inverso", depois esgotou! E agora entra uma história engraçada. Depois de ter conversado com ela, a gente saiu para dar uma olhada na Editora 34, que nem valeu a pena. Quando já estávamos indo embora, decidimos voltar na Draco para pegar o "Metrópole", da Melissa de Sá, que também estava na minha lista. E ela ficou super feliz, foi muio fofa! O resumo: começamos e encerramos perfeitamente essa Bienal.
A única coisa que fiquei um pouco triste é que não consegui entrar na Rocco, que era uma das que mais queria visitar - era para tirar foto no carrinho do HP -, mas infelizmente, eles foram o que vi mais desorganizados por causa disso, e desisti...


No final, acabamos quase não comprando os livros da nossa lista que levamos - como sempre! Mas em troca, achamos muitos livros que não conhecíamos e conseguimos mais autógrafos do que esperávamos. Adoro ajudar os nossos autores! A literatura não é só americana! Temos muitas coisas boas aqui e o único jeito deles crescerem é se começarmos a dar mais oportunidades para eles. Fiquei muito feliz com todos os autores que conhecemos!
Todas as fotos estarão em um álbum lá na página do Facebook. Vai ter foto de todos os autógrafos e com os autores - e mais uma plaquinha linda que comprei lá! É só clicarem aqui!
Espero que tenham gostado do post, tomará que todos que foram para a Bienal tenham se divertido e aproveitado tanto quanto nós! Aproveitamos demais e já estamos com saudades.
Comentem ai embaixo o que acharam da organização desse ano, o que compraram e se conseguiram algum autógrafo.

Até a próxima Bienal e boa leitura!
Carol!!!