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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um Livro Ok - O Grande Gatsby


"Comecei a gostar de Nova York, da picante e aventurosa sensação que ela produz à noite, e da satisfação que o incessante desfile de homens, mulheres e máquinas causa aos olhos inquietos. Gostava de subir a 5ª Avenida e escolher,em meio à multidão, mulheres românticas, imaginando que, dentro de cinco minutos, eu iria entrar em suas vidas, e ninguém jamais o saberia ou desaprovaria. Às vezes, em meu espírito, eu as seguia até seus apartamentos, em esquinas de ruas ocultas, e elas voltavam e sorriam, antes de desaparecer na cálida obscuridade de uma porta. No encantado crepúsculo metropolitano, eu sentia, às vezes, em mim e nos outros, uma obsedante solidão ao ver os pobres e jovens empregados caminhar a esmo diante das vitrines, à espera de que fosse hora de jantar num restaurante solitário... jovens empregados ao crepúsculo, desperdiçando o momento mais pungente da noite e da vida".

De verdade, estava esperando muito mais de "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. Até então não tinha lido nada do autor, e criei uma certa expectativa a respeito.
Ele fez parte do meu desafio de leitura do mês de Setembro!, e a leitura foi arrastada - só deslanchou nos últimos capítulos - e foi sofrível até então. Não estou dizendo que o livro é ruim. Vejam só: apenas estou dizendo que a leitura foi ok! E o final foi bom, na verdade, muito bom!, o que me fez não desgostar do livro.
O começo achei chato, devagar. Do meio para o final a coisa andou bem melhor.
Não vi ainda o filme. Sou daquelas que prefiro à leitura antes de assistir na telinha - quando possível! Achei o livro devagar demais, acho que várias passagens foram desnecessárias. Sei lá. Não rolou química entre nós. 
Li Hemingway recentemente e achei que encontraria a mesma poesia, só que não! Mas não são essas pequenas decepções que me faz desacreditar em Fitzgerald. Já tem outro livro na minha lista - "Suave é a noite". Quem sabe consiga, dessa vez, mudar meu olhar...
"O Grande Gatsby"  foi lançado em 1925 e tornou-se uma parábola exemplar do sonho americano.
Protótipo do Self-made man, Jay Gatsby acumula grande fortuna e se torna figura lendária de uma América próspera, embalada pelo ritmo do jazz, das máquinas de Detroit e o cinema de Hollywood. Sua história de ascensão é narrada à distância por Nick Carraway, um convidado assíduo às suas festas. Carraway logo descobre a infelicidade íntima de seu "herói", que cultiva um antigo amor, mal resolvido,por Daisy, a mulher de um milionário.
Na Long Island nos anos 20 havia muitas jovens belas e exóticas, muito álcool, jazz, elegância, glamour e, pairando sobre tudo, a certeza de que a vida seria uma festa sem fim. 
O livro retrata bem a recusa da maturidade, a incapacidade de envelhecer e uma obstinação: a de continuarem ricos e jovens para sempre.
A atmosfera de euforia e vazio que toma conta de "O Grande Gatsby" é uma das melhores imagens da geração de Scott Fitzgerald.
O livro flui leve da metade para o final, mas é desinteressante nos capítulos iniciais, o que me fez não coloca-lo entre os meus preferidos, mas não deixo de recomendá-lo. Ele define claramente o que foi a década de 20, suas festas, seus personagens, a cidade em franco progresso e as festas glamorosas que rolavam sempre.
Enfim, um livro ok!
Abraço,

Cláu Trigo

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Inferno? - Resenha Atrasada/Desafio


"Ele, que sempre gostou de permanecer invisível na multidão, para observar à vontade o que bem entendesse, era agora motivo de curiosidade dos transeuntes. Odiava a maneira que o encaravam. Como se fosse um furúnculo purulento, um mendigo dormindo no asfalto, um epilético tando um ataque na missa de domingo. Era assim que observava as pessoas? Indiscreto, metendo os olhões na dor alheia? Nunca".

Então, né... "Inferno", da Patrícia Melo, foi o meu maior desafio.Tinha lido anteriormente "Acqua Toffana" da mesma autora e minha experiência, digamos, não foi a das melhores, na verdade, odiei o livro. Mas quem acompanha o Blog sabe que nunca desisto de um autor baseado numa única leitura. E lá fui eu para a próxima!
"Inferno" fazia parte do meu desafio do mês de Outubro e fui para o tudo ou nada...
Vamos lá... Já tinha lido que esse é seu melhor livro, então me desarmei "um pouco" para não chegar com os dois pés no peito - a minha cara! - e peguei leve. Acho que deu certo.
O livro é melhor que o não digestivo "Acqua Toffana"? Com certeza, SIM! Mas é um livro ok. No começo pensei que seria, literalmente, MEU Inferno - mero trocadilho, rsrs - mas até que não.
Novamente, fica aqui o meu protesto em relação a alguns escritores que ficam enchendo linguiça desnecessariamente. Tem muitas histórias boas no mercado que se tornam chatas, massantes, porque o autor resolve ficar enrolando com situações, detalhes sem importância, só pelo prazer de tornar o livro gigante. NÃO precisa! O livro pode ser bom mesmo com 100 páginas. Acreditem em nós, que somos leitores compulsivos. Sabemos do que falamos!!
"Inferno" conta a história de José Luís Reis - o Reizinho -, um menino que passa a trabalhar para o tráfico de drogas aos onze anos no Morro do Berimbau, no Rio de Janeiro.
A história desencadeia toda em torno da vida do menino, de suas paixões, sua família, seu trabalho, competição, poder e crime durante vários anos de sua vida.
É mais uma história clichê? - Sim! É. Como tantas outras que lemos em livros, revistas, jornais e assistimos na TV o tempo todo. Tem algo de diferente? Não!
De novo, fica a reclamação aqui: muitas coisas desnecessárias. A história fluiria bem melhor sem alguns capítulos que só fazem encher o saco.
Uma história normal, com alguns "poréns" que já disse.
Foi melhor que o livro anterior da autora. Agora já vi uma escrita "normal", sem as invenções que ela "tentou", frustadamente, criar em "Acqua Toffana". Graças a Deus! Não suportaria ler duas coisas ruins num espaço de tempo tão próximo.
Livro ok para uma leitora que vem com um controle de qualidade alto demais! - Acho que preciso dar alguns passos para trás...
Abraço,

Cláu Trigo

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Um Livro Sem Pretensão de Assustar, Mas Que Consegue! - Resenha Atrasada/Desafio


"O medo mortal é tão crucial para nossas vidas quanto o amor. Ele apela ao cerne de nosso ser e nos mostra quem somos. Você vai recuar e tapar os olhos? Quer saber o que existe lá ou prefere viver na ilusão sombria dentro da qual este mundo comercial insiste em nos manter trancados como lagartas cegas em um casulo eterno? Você vai se encolher com os olhos fechados e morrer? Ou consegue lutar para sair disso e voar?
(Stanislas Cordova - Rolling Stone, 29 de dezembro de 1977)"

As resenhas do final do mês passado e desse mês vão demorar um pouco para sair, pois estou sem tempo e muito cansada nos finais de semana por causa dos vestibulares, e como estudo de madrugada e é quando faço normalmente elas, então elas vão vir atrasada. Mas um dia elas chegarão!
E esse mês é para ter a resenha e a minha opinião sobre Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - fiquem de olho!
Agora, voltando a resenha desse mês, como falar desse livro sem me exaltar e dar muitos spoilers? Difícil, porém necessário! Quando coloquei no começo do ano, "Filme Noturno", Editora Intrínseca, da Marisha Pessl, no meu desafio, não esperava nada do que encontrei ao ler.
A narrativa é muito ágil e composta por recordes de jornais, páginas de Internet, relatórios policiais e bilhetes manuscritos. Vou deixar o link do Google mostrando as fotos dentro, para vocês não terem que pesquisar. E a editora está de parabéns! Que trabalho magnífico eles fizeram com esse livro. É só clicar aqui.
Durante uma noite fria de outono, Ashley Cordova é encontrada morta em um armazém abandonado em Manhattan. Embora a polícia ache que ela se matou, o jornalista Scott McGrath acredita que exista algo a mais nessa história. Porém, tem mais coisa no meio do caso do que simplesmente um suicídio: Ashley é filha do famoso diretor de filmes de terror, Stanislas Cordova, um homem que não é visto em público há mais de 30 anos, e que no passado teve um papel trágico na vida de Scott.
Impulsionado por vingança e curiosidade - que por sinal, muitas pessoas tem um certo fanatismo por ele, por esse desconhecido - o jornalista é atraído para o horripilante e hipnótico mundo de Stanislas. Da última vez que chegou (ou tentou chegar) perto do diretor, McGrath perdeu o casamento e carreira. Dessa vez pode perder muito mais.
Sério, que maluquice essa história! Parece ser um simples livro de investigação, mas a autora consegue deixar o leitor com muito medo (imaginem eu, que sou cagona, com o medo multiplicado, rsrs). Ela cria uma atmosfera de suspense que eu nunca tinha visto em outro livro. Tem histórias de terror que tem como objetivo te deixar com medo, e muitos não chegam nem perto. Filme Noturno não tem essa pretensão, mas conseguiu me deixar sem dormir!
Além dessa boa construção do suspense pela autora, a escrita dela nos deixa a impressão de que realmente estamos assistindo a um filme. Pois ela é bem fluída e ela dá umas quebras na narrativa, muito usado em longa-metragens, principalmente os do gênero suspense e terror. Com o diferencial de nos deixar achando que o Cordova existe de verdade. Muitas vezes você tem que parar a leitura e se lembrar que aquilo é tudo ficção.
Por causa de todos esse aspectos e vários outros que não dá para citar, só lendo para entender, esse seria um livro que facilmente daria para adaptar para as telonas. Talvez virasse um filme mais longo, ou tivesse que ter uma continuidade, um segundo filme - mas daria muito certo.
Quando acabei de ler, o final não tinha me agradado muito, porém depois eu parei para pensar e faz total sentido. Talvez não seja O final que o leitor espere, mas acho que ela terminou do melhor jeito possível. E como eu adoro ver críticas em tudo que eu leio, ainda digo que é uma crítica a esse mundo da fama e do que se cria envolta dele.
Os personagens são bem construídos e talvez você não se apegue no começo (até por volta da metade do livro) pelo McGrath, mas depois dá muita dó dele. Os outros dois personagens que irão aparecer e serão muitíssimo importante, o Hopper e a Nora também, são personagens bem interessantes. Eu particularmente gostei bastante da Nora. Já o Hopper te deixa com uma interrogação pairando durante toda a leitura. Outras presenças importante, mas que não aparecerão fisicamente é o Stanislas e a sua filha, Ashley - apesar de não vermos eles em nenhum momento, a presença deles ao serem citados ou somente por causa da atmosfera, torna eles tão principais quanto os já citados. E posso dizer que esses dois dão medo, viu!
Apesar de suas 620 páginas, a leitura flui muito rápido e te prende de um jeito que poucos escritores conseguem fazer. Digo facilmente que esse livro entrou nas minhas leituras favoritas do ano e se a autora um dia publicar algo novo e que chegue aqui no Brasil, com certeza vou ler.
Ela tem um outro livro já traduzido mais antigo que esse, que se chama "Tópicos Especiais em Física das Calamidades". Não sei se esse em particular eu tenho vontade de ler, até porque as críticas já são um pouco mais negativas e o nome não chama muito a atenção. Não é nada acadêmico, pela sinopse, mas não sei... Tenho como prova de que o título não é nada por causa do "A Solidão dos Números Primos", que é um livro muito bom!!! Mas esse nem mesmo a sinopse não me interessou muito.
Uma ÓTIMA indicação para quem gosta desse tipo de história e posso dizer sem nenhum medo que ela vai te pegar desprevenido e te deixar com um "medinho". Talvez vocês não durmam à noite com tanta facilidade...
" - Iblis no islamismo - sussurrou. - Mara no budismo. Set no antigo Egito. Satanás nas civilizações ocidentais. Quando você dedica tempo a estudar história, se surpreende com quão universalmente aceito ele é de fato."
Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Resenha - Quarenta Dias Sem Sombra


"Klemet, policial e racional - sim, racional porque policial -, via naquilo o sinal intangível de uma culpa atávica. Do contrário, por que impor aos seres humanos tanto sofrimento? Quarenta dias sem sombra, reduzidos ao rés do chão, como insetos rastejantes."

Quem acompanha a gente sabe que o blog tem em sua grande maioria o foco no gênero policial. Simplesmente porque amamos esse estilo! Quando ganhei esse livro (e já faz um tempinho - se não me engano foi no Natal do ano passado ou naquele ano) fiquei louca para lê-lo.
E tinha vários motivos: primeiro o gênero - facilmente, leio qualquer coisa dele -, depois a capa, que é linda, e faz muito sentido depois que você lê; o autor, que apesar de não conhecê-lo até então, já tinha me conquistado por ser francês e morar na Suécia. E por último, o enredo, que irá mostrar uma Escandinávia mais sombria, cheia de preconceitos, ganâncias e maus tratos aos excluídos, mostrando-nos que esse países não são tão maravilhosos assim!
Mas vou ser sincera, "Quarenta Dias Sem Sombra", do francês Olivier Truc, Editora Tordesilhas, não foi uma leitura nem rápida e nem fácil. Demorei muito para entender a cultura que nos é apresentada durante a história e o ritmo da escrita do autor é mais devagar - e consequentemente minha leitura também foi mais devagar do que o normal. Porém, isso não quer dizer que o livro é ruim.
Nele somos apresentados aos dois personagens principais: Klemet, um experiente policial sami que trabalha na Polícia das Renas - uma polícia que vai tratar dos problemas entre os criadores de renas, que são muitos! - e Nina, a jovem parceira dele que veio do sul do país (Noruega). Algumas horas antes do sol voltar a aparecer - depois de 40 dias sem sombra - um precioso artefato dos samis é roubado: um tambor sagrado e ancestral, usado para se comunicar com os mortos. Para piorar a situação, horas depois um criador de renas, Mattis, é encontrado morto e mutilado - sem as duas orelhas. A ligação entre esses dois crimes irá deixar a "boa" situação do povo lapão (samis) com a polícia e com os noruegueses por um fio.
O meu maior problema, que não necessariamente quer dizer que foi ruim, foi em relação com a cultura dos lapões (ou samis), que são um dos maiores povos indígenas da Europa, tendo a sua maior parte na Noruega (por volta de 35 000), mas que tem também na Suécia, Finlândia e uma pequena parte na Rússia. Eles são cuidadores de renas, por isso moram mais afastados da cidade - nesse caso em Kautokeino. Seus costumes, suas roupas e modos de viver são bem diferentes dos nossos, do que estamos acostumados.Vou deixar o link de dois sites que explicam melhor a cultura deles. É só clicar aqui e aqui. Além de decorar os nomes dos personagens que são bem difíceis. Mas depois que você se acostuma a leitura vai mais fácil.
O autor vai trazer no livro vários problemas que existem nesses países nórdicos, nos mostrando que as coisas não são tão bonitas e maravilhosas assim. Primeiro, é essa relação dos povos lapões com o restante da população norueguesa que não são lapões. Os religiosos acham que eles convivem com os demônios por causa do usos desses tambores - algo parecido que vemos em vários lugares com vários religiosos (inclusive aqui no Brasil...). Uma parte dos policiais e restante dos habitantes acham que eles não merecem direitos e existe até hoje uma briga gigante entre esses dois lados. Inclusive essa parte acha bem feito que o tambor sumiu. Até a ONU já entrou no meio - porém lembrem-se que ela vai opinar e entrar no meio só quando tiver interesses "particulares".
Outro grande problema além dessa discriminação é o machismo que a Nina irá sofrer, inclusive o parceiro dela irá mostrar que é um pouco. É algo meio que impregnado já na sociedade. Mas ela vai bater de frente muito bem! Com certeza minha personagem favorita! Tem alguns outros pontos que o autor traz, mas esses dois são os mais importantes.
Lá mais para o meio do livro, percebemos que os dois protagonistas tem vários problemas antigos e que ainda tem efeito neles. Porém isso ainda não é muito falado nesse livro. Deve voltar no segundo que já foi publicado pela editora, "O Estreito do Lobo". Esse volume vai trazer os dois novamente numa nova investigação. Ainda preciso comprar, mas já estou ansiosa por ele.
Para quem espera uma leitura, uma escrita rápida, talvez não goste tanto, pois a polícia local é bem lenta e algumas vezes até meio ruim, rsrs. E ainda terão que lidar com a pressão dos lapões, dos jornais, dos políticos e da ONU. Mas talvez isso se dê ao fato deles nunca terem pego um caso tão grande e sério.
Antes de finalizar, porque essa resenha já está gigante, preciso falar de dois personagens: o policial Brattsen - que é chato e besta! Pensem na pior pessoa possível, com todos os preconceitos existentes, burro e ainda influenciável. E o  pastor Lars Jonsson que é aquele pior tipo de religioso. Esses caras me davam uma raiva imensa toda vez que apareciam.  Tem outros personagens muito chatos e irritantes, mas eles serão os mais importante para o desenrolar da história.
E a capa, além de ser linda, depois que eu terminei a leitura vi que ela faz muito sentido. Prestem atenção nesses detalhes quem for ler.
Eu sei que a resenha ficou gigante mas eu precisava falar e citar todos esses pontos. É um ótimo livro policial e para quem gosta do gênero vai encontrar algo diferente do habitual. Mesmo com essa escrita mais devagar, a história vale muito. Quem puder, dê uma chance para ele!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!