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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Um Verdadeiro Desafio!


" - Não gosto de Luther King. - ele resmunga.
- Deixa então só o Che mas repense sobre Luther King. Antigamente a santidade era vista como o máximo da penitência, caridade, aquilo que você sabe. Mudou tudo. Hoje um cristão não pode alcançar a salvação da alma sem servir objetivamente a sociedade. Não sei explicar, mas todo aquele que luta com plena consciência para ajudar alguém em meio da ignorância e da miséria, todo aquele que através dos seus instrumentos de trabalho, de seu ofício der a mão ao vizinho, é santo. Os caminhos podem ser tortos, não importa. É santo."

Com certeza, esse foi o livro do meu desafio que estava com mais medo de ler. Talvez por causa de suas inúmeras críticas positivas e toda sua história. E, sinceramente, estava com um pouco de medo de não gostar da leitura. Eu realmente queria terminar o livro satisfeita.
"As Meninas", da Lygia Fagundes Telles, Coleção Folha de São Paulo, talvez tenha sido o maior desafio que tive esse ano. E não vou mentir, do começo da história até por volta da metade do livro, eu demorei muito para ler. Muito mesmo! Estava indo devagar, estava achando muito confuso e até um pouco chato. Porém, teve uma reviravolta - uma reviravolta das mais agradáveis!
Basicamente, a história se passa em 1969 em São Paulo, acompanhando a vida de três meninas: Lorena é a mais intelectualizada, vinda de uma família rica e tradicional; Ana Clara, a mais bonita, liberada e a mais problemática por ser dependente de drogas; e Lia, que está envolvida na luta armada contra a ditadura.
No começo, foi meio difícil saber quem era que estava narrando, quem era quem... Além de ter achado um pouco chato. Depois de um tempo, fui me acostumando com o jeito da Lygia de escrever e da metade do livro pra frente, a leitura foi super rápida! Comecei a gostar da história e fui me apegando às personagens.
As três meninas são muito amigas, mas completamente diferente uma da outra. E com o passar da história, isso só vai ficando mais claro. Acabei gostando muito de uma das personagens, assim, disparado. Lia, na minha opinião, é a mais interessante, muito talvez porque eu concorde com muitas das coisas que ela falada, das suas ideias, pensamentos, no que ela acredita... São muitas as características dela que me agradaram demais. Não que as outras sejam ruins ou chatas, só achei um pouco mais fracas.
Os assuntos discutidos são muito bons. Além do livro citar vários outros autores super conhecidos e importantes, cantores nacionais e internacionais. E isso é bárbaro!
No fim, foi uma leitura que me agradou. Foi difícil? Foi! No entanto, eu acabei gostando e acho que isso é o que importa. E por ter sido escrito numa época muito importante para o Brasil: a Ditadura Militar, o livro torna-se mais importante ainda. Junta quase que um relato da época com críticas fortíssimas. Acho que mais pessoas deveriam lê-lo, vale muito a pena!

"Ricardo Ramos, um querido amigo e grande escritor, filho de Graciliano, escreveu sobre As Meninas e disse que esse romance levou em plena quadra de horror o nosso primeiro depoimento de tortura. Sim, esse depoimento aí está meio escamoteado na boca da personagem Lia, a Lião. E como eu poderia escrever um romance morno em pleno ano de 1970? Comecei a planejar o texto em 1970. Somos testemunhas e participantes deste tempo e desta sociedade com todos os seus vícios. E raras virtudes. "Lutar com a palavra/ é a luta mais vã/ no entanto lutamos/ mal rompe a manhã." Os versos são do poeta e valem para sempre, uns lutam com o cimento armado. Com as leis. Outros, com os bisturis. Com as máquinas - tantas e tão variadas lutas. Eu luto com a palavra. É bom? É ruim? Não interessa, é a minha vocação." (Depoimento de Lygia Fagundes Telles)

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

domingo, 24 de abril de 2016

Debate Cego #2 - ENCERRADO

Mais um desafio para vocês!
Esse livro já fazia tempo que estava na minha estante, e agora desencantou!
Na verdade nunca tinha lido nada do autor, não sei se esse livro faz parte do hall de seus melhores. Achei bom. Só! Nada mais, nada menos!
Mas vamos lá, vamos ver se tem leitor aí ligado.
Nossa protagonista é uma requisitada designer de interiores, sofisticada, inteligente e sedutora. E acaba de ficar noiva de um administrador de fundos de investimento muito rico. Tudo parece perfeito na vida dos dois, mas dias depois do pedido de casamento ele morre de repente. A necropsia indica óbito por parada cardíaca. No entanto, essa morte súbita pode esconder o crime perfeito.

" - Quer dizer que eu realmente preciso me levantar do sofá para olhar?                          - Claro que não. Leve o sofá com você."

Para sua surpresa, a viúva é procurada por um corretor que lhe diz que ela é a única beneficiária de um seguro de vida milionário deixado pelo noivo. O que ela jamais poderia imaginar é que alguém se interessaria pelos muitos mistérios que a cercam.
Existe uma outra história paralela, mas que na verdade, achei muito mais uma enrolação do que qualquer outra coisa.
A história central é boa, mas sem muitas pretensões.

RESPOSTA

Cláu Trigo

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Vida Longa Ao King!


"Nessas horas, para mim, um livro é vital. Se eu tiver que passar um tempo no purgatório antes de ir para um lugar ou outro, acho que não sofrerei muito de houver uma biblioteca que empreste livros (se tiver, provavelmente só terá romances da Danielle Steel e livros de autoajuda - rá-rá, se ferrou, Stephen)."

AMO! AMO! AMO! 
Como um ser humano pode ser tão bom em tudo o que faz? Sim, sei que existe algumas exceções, algumas que não foram "a história", mas convenhamos, foi por MUITO pouco, vai... E ele tem crédito para isso. 
Meu herói, Stephen King, vive me surpreendendo, e sempre da melhor maneira possível. 
Saindo de sua zona de conforto, encontramos um King sarrista, cômico, auto critico, sofisticado, e todos os adjetivos que quiserem usar. Com o King, pode!
Em "Sobre a Escrita", da Editora Suma de Letras, encontramos um Stephen genuíno, simples, batalhador, hilário. Vou mais além, um professor nato de escrita literária. Dá até vontade de usar suas dicas e tentar para ver o que acontece!
King dá, literalmente, uma aula sobre a arte de escrever, nos fala sobre sua infância alegre e pobre, sua árdua batalha para incluir seus textos em jornais locais até sua vitória, fazendo parte do seletivo hall da fama dos melhores.
Nesse exemplar, ele nos conta de toda sua trajetória - infância, juventude, casamento com sua adorada e inspiradora esposa, Tabha - dicas gramaticais, estilo e gênero literário, até "nãos" que foram aceitos como crescimento para textos melhores. E, melhor ainda, nos atualiza com uma lista de seus livros e escritores favoritos.
Aqui, ele divide com nós, seus mortais leitores, suas experiências, sua escrita, suas dicas, sua rotina, suas inspirações. É uma viagem corajosa, sagaz e persistente em busca de um único ideal: a literatura! 
Resumindo: uma aula singular do maior autor de suspense de todos os tempos.

Cláu Trigo

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Lolita - Desafio Superado.



"Repasso seguidamente estas desgraçadas memórias e fico me perguntando se foi então, no resplendor daquele remoto verão, que se abriu a fenda em minha vida: ou será que meu excessivo desejo por aquela criança foi apenas a primeira manifestação de uma particularidade inata? Quando tento analisar minhas ânsias, meus atos e motivos, entrego-me a uma espécie de devaneio retrospectivo do qual brota uma infinidade de alternativas, fazendo com que cada caminho visualizado se bifurque sem cessar na paisagem alucinadamente complexa do meu passado. Porém, tenho como certo que, de alguma forma mágica e fata, Lolita começou com Annabel."

Olha só, li pela primeira vez "Lolita", de Vladimir Nabokov, Editora Biblioteca da Folha, no auge dos anos 90, quando ainda era uma adolescente sem muita "personalidade", morando no interior do Estado de São Paulo e sem tantas informações de apoio como agora.
Resolvi relê-lo para nosso desafio 2016 e, putz, com o passar dos anos como nossas opiniões vão se transformando, se fortalecendo e nos "apoiando". Não me lembro, ao certo, na época que li o que achei do livro, nem consigo me lembrar se tive uma opinião formada sobre!
Vocês podem rirem agora, sei que temos muitos seguidores na "flor da juventude" - como eu na época - e que vão achar estranho minha visão. Salvo o fato dos tempos serem outros e vocês serem privilegiados de serem a "geração internet", eu, uma coitada de Deus, não tinha muita referência para me basear a não ser a útil e boa Biblioteca - hoje, tão decadente e quase sem moral! - e falo disso com propriedade, depois de longos e belos 4 anos de trabalho árduo e duro na Biblioteca local. Atendíamos mais de 200 leitores exigentes e famintos por dia, numa cidade pequena. Hoje, na grande São Paulo, com a linda Biblioteca da Henrique Schaumann a 2 quarteirões de casa, ainda acredito nela e passo lá vez ou outra para matar a saudades dos velhos tempos, vejo um local solitário, com alguns exigentes e nostálgicos expectadores de dias bucólicos.
Mesmo nos tempos dourados da tecnologia, ainda acredito no velho e bom livro, e vou  mais além, acredito que nossas Bibliotecas possam reduzir de unidades, mas NÃO deixaram de existir - rezo por isso todos os dias, para o deus dos livros, por favor, senhor, salve nossas bibliotecas!
E com toda essa tecnologia, em outros tempos, me aproveito desta para consolidar minhas opiniões.
Voltando ao nosso livro, sem me lembrar bem de "velhas" opiniões, às novas não são muito boas e vem lotada de argumentos.
Relendo "Lolita" hoje, me deparo com uma assunto polêmico e atual PEDOFILIA. Um romance escrito às escuras em 1955, numa época em que esse assunto era tratado mais como pornografia e nem se sabia o que era pedofilia, hoje meus olhos se voltam à um assunto muito deliciado e que em outrora foi "romantizado" por seus ator.
Não consegui digerir suas páginas, me vi diante de um dilema sério - mãe, leitora, fantasia, profissional - complicado escolha.
Como leitora e me deixando convencer pela fantasia, não me convenci.
Como mãe e profissional analítica, por mais que Nabokov repudie sua criação, também repudia um dos maiores cientista de seu tempo - Freud!-  e faz isso vestindo os trajes de seu personagem, e isso o torna tão doentio quanto HH.
Um enredo cansativo, doentio - sim minha gente, HH é um cara doente, obcecado e narcista. Um personagem sem carisma, que não cativa e não convence.
Não consigo nem considerá-lo um clássico, já que se tornou "imortal" mais por ser polêmico do que concretizar ideias originais, revolucionárias e capazes de mudar uma geração. Não acho - e espero de coração! - que esse assunto não tenha sido incorporado por mentes insanas a ponto de achar que um homem de 40 anos possa manter um "relacionamento" com uma criança de 12 anos e achar que isso é normal.
Um livro arrastado, longe de um contos de fadas "moderno", polêmico por estratégia, sem luz, sem alma, sem nada. Apenas um crime romantizado, uma história às avessas de como não se deve conseguir fama por caminhos obscuros.
Só lamento!
NÃO consigo ter um Olhar diferenciado para esse assunto, não consigo ser apenas uma espectadora de um assunto tão sério e achar que tudo bem! Não vejo "Lolita" um livro recomendável, não vejo um grande escritor por trás de um grande livro, não vejo nada. Vejo sim, um doentio Nabokov liberando nesse volume seu lado mais sombrio.
Já dizia nosso mestre Stephen King:

"Acho que seria justo perguntar se o Paul Sheldon de Misery sou eu. Certas partes dele são... mas acho que você vai descobrir, se continuar a escrever ficção, que TODOS os personagens têm um pouco do autor..."
(Sobre a Escrita)

Sem mais!

Cláu Trigo

terça-feira, 19 de abril de 2016

Bento, Baruch, Benecditus? Tanto faz... Espinosa!


"Exatamente: Bento Espinosa tinha um ponto fraco que Simão já havia identificado. Era um apaixonado pelos livros, e não apenas por lê-los, mas também por possuí-los. Embora sempre recusasse, polida e firmemente, qualquer outro presente, não conseguia recusar um livro precioso. Assim, Simão e vários outros colegiantes vinham, pouco a pouco, construindo para ele uma bela biblioteca que já havia preenchido quase por completo a grande estante que ocupava uma das paredes do seu quarto em Rijnsburg. As vezes, tarde da noite, quando não conhecia dormir, Bento se aproximava das estantes e sorria fitando aqueles volumes. As vezes, dedicava-se a arrumá-los por tamanho, por tema ou simplesmente por ordem alfabética. E, as vezes, inspirava os cheiros dos livros ou os acariciava, deliciando-se com o seu peso ou com o contato das diferentes encadernações na palma da suas mãos."

Eu já tinha conhecimento de algumas coisas sobre os pensamentos de Bento Espinosa, mas fui agradavelmente surpreendida com suas ideias. Há tanta coisa que concordo que podia jurar que em algum momento tínhamos nos encontrados e trocado experiências! Algo bom demais de se ler.
"O Enigma de Espinosa", de Irvin D. Yalom, Editora Agir, é um livro surpreendente, de natural beleza e ideias avançadas em pleno século XVII. Tão avançadas que esse judeu de raízes portuguesas foi descomungado da comunidade judaica proibido de ter qualquer contato com qualquer membro dessa comunidade, inclusive amigos e familiares! Nenhum judeu deveria ler o que ele escrevia ou chegar a menos de 4,5m da sua presença física.
Yalom faz uma ponte simultânea entre nosso filósofo e Alfred Rosenberg, um servo fiel de Hitler, antissemita e principal responsável pela política racial do III Reich.
Que interesse misterioso teria Rosenberg pelos livros do pensador à ponto de confiscar todos os exemplares do Museu de Rijnsburg (Holanda) e não queimá-los, como era de padrão? Por que foi alegado que aquelas obras serviriam para o estudo do "problema de Espinosa"?
O tal relatório sobre os saqueamentos de Rosenberg, podemos encontrar na internet, ele  está entre os documentos oficiais do julgamento de Nuremberg.
Para responder essas e outras perguntas, nosso autor constrói com uma maestria narrativa ficcional em que vai intercalando supostos acontecimentos da intimidade do filósofo santo e iconoclasta e do cruel assassino em massa, numa história sobre as origens do bem e do mal, sobre a filosofia da liberdade e a tirania do terror.
Irvin passou anos estudando a vida de Espinosa, o filósofo o intrigava - era só no mundo, sem família, sem fazer parte de qualquer sociedade - um filosofo que escreveu livros que mudaram o mundo de forma efetiva. Ele antecipou a secularização, o Estado liberal-democrático e a ascensão das ciências naturais, preparando assim o terreno para o Iluminismo. 
O fato de ter sido excomungado pelos judeus aos 24 anos e censurado pelos cristãos pelo resto da vida sempre fascinou o escritor - e eu, de passagem! Essa estranha identificação com Espinosa acabou sendo reforçada quando Irvin ficou sabendo que Einstein, um dos seus primeiros heróis, era espinosista. Sempre que ele falava de Deus, era o Deus do Espinosa que se referia - "um Deus inteiramente equivalente à natureza, que inclui toda substância e que NÃO joga dados com o Universo" -, um Deus que significa que tudo acontece, sem exceção, e segue as imperturbáveis leis da natureza.
Irvin escreve um romance de ideias, assim como fez em seus livros anteriores sobre Nietzsche e Schopenhauer. 
O livro é um enigma do começo ao fim, tem muita história consistente tanto sobre o que foi a vida do filósofo e sobre a Segunda Guerra Mundial. 
Rosenberg também é um personagem importante, real e problemático. 
O livro é uma "dança" de ideias emblemáticas, que só vai acrescentar e nos fazer refletir sobre tantas coisas injustas que acontecem desde que o mundo é mundo e lançar sobre nossos ombros uma luz; a luz que TODOS deveriam usar com consciência, mas em inúmeras vezes faltam-nos coragem, atitude, ou pior, medo.
Um livro com a história de um filósofo que viveu no século XVII, mas na verdade tão atual. Tão visionário.
Para quem gosta de Filosofia, mas "foge" dela por motivos óbvios: o seu grau de dificuldade, tá aí um livro que vai faze-lo entender as ideias de um dos maiores filósofos do século XVII de uma forma "descomplicada".
Se eu já gostava de suas ideias, agora posso defendê-las com certo grau de entendimento e ideias para me apoiar, afinal, estamos falando de Bento Espinosa, ou se preferir, em hebraico, Baruch Espinosa, ou em latim Benecditus Espinosa.
Boa leitura!

Cláu Trigo

domingo, 17 de abril de 2016

SORTEIO DRACO + MARCADORES - ENCERRADO


Mais um sorteio aqui no blog, isso porque chegamos a 1000 CURTIDAS na página do Facebook!!! E para comemorarmos, sortearemos um kit da Editora Draco (foto), e o sortudo ou sortuda ainda vai levar marcadores do blog.
Vocês terão um mês para participar.


a Rafflecopter giveaway

Regras:

1) Ter residência no Brasil;
2) Ao visitar as páginas no Facebook, tem que curtir! Não vale só visitar;
3) O livro será enviado por nós em até 15 dias depois do resultado;
4) A pessoa sorteada terá até 48 horas para nos responder. Caso contrário, sortearemos outra pessoa;
5) Não serão aceitos perfis falsos;

Viram, é muito fácil participar! Então, estão esperando o que?
Boa sorte a todos!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A Casa Nem Tão Assombrada... - Resenha/Desafio

A Casa Assombrada

"Mulheres sob suspeita de bruxaria eram submersas na água", respondi, com rancor. "Caso se afogassem, a inocência estava provada, mas teriam perdido a vida só com a acusação. Se sobrevivessem, eram consideradas culpadas e então queimadas na fogueira. De um jeito ou de outro, eram mortas. As mulheres, claro. Não os homens. Ninguém questionava essas crenças na época. E agora o senhor diz que estou sendo absurda. Não vê a ironia?"

Mais um livro do desafio terminado. Depois de ler "O Menino do Pijama Listrado" acho que esperava algo do John Boyne à altura. Porém vamos dizer que "A Casa Assombrada" (Ed. Cia das Letras) não conseguiu alcançar a qualidade e o brilhantismo contido no livro já citado anteriormente. Mas daqui a pouco já falamos disso. Primeiro vamos à sinopse...
O livro todo é narrado pela jovem Eliza Caine, na Londres de 1867. A história já começa com a morte do pai dela e é a partir desse acontecimento que os problemas realmente aparecerão. Determinada a deixar para trás as lembranças tristes, ela vê a oportunidade perfeita em um anúncio de governanta, que está a procura de alguém para cuidar das crianças de um casarão no leste da Inglaterra.
Mas algo a aguarda nesta casa misteriosa. Algo maligno e que faz Eliza correr sérios perigos. À frente disso, a srta. Caine se vê em uma guerra de nervos contra esse adversário desconhecido, invisível e cruel que a acompanha em todos os momentos com a aparente intenção de feri-la ou até mesmo de matá-la.
O maior problema em si que eu vi foi que nenhum personagem é carismático e nem a história te prende. Achei bem lento e o desenrolar bem fraquinho, do estilo que vemos em várias histórias de terror. Além de que no momento que iniciei a leitura, a história me lembrou MUITO "A Volta do Parafuso" do Henry James e por muito tempo, praticamente o livro todo essa relação voltava. E isso é muito preocupante e me deixou bastante irritada. Além de uma cena já no finalzinho do livro, que é tipo uma luta - muito, mas muito mal feita.
Porém, teve alguns momentos bons também. Vou dar dois exemplos: a primeira ocorreu logo no começo do livro, nos primeiros capítulos, em uma cena que eu particularmente fiquei com muito medo - porque para quem não sabe, eu sou MUITO medrosa - algo relacionado com tarde da noite, deitada na cama, pés descobertos... Quem assistiu o primeiro Atividade Paranormal vai entender!
E a segunda parte é já quase no final da história, que é uma conversa entre nossa personagem principal e um padre da igreja local (no capítulo 20 para ser específica). Essa conversa é espetacular, principalmente por causa da Eliza, no qual foi o momento que mais me surpreendi com ela. Sério, foi uma das conversas que gostei dos últimos livros que li e que bate muito com o que eu penso também. Algo relacionado com bruxas, como elas eram aceitas (nesse caso, não aceitas), a Bíblia, a igreja e a relação entre homens e mulheres da época (tanto das bruxas, quanto do livro). É ótima, tanto que a frase do começo da resenha eu tirei dessa parte.
Então chegamos a conclusão que alguns autores não deveriam escrever outro gênero no qual não tem conhecimento ou até mesmo "qualidade". Ele deveria ficar mesmo nos romances de guerra. Terror não é a praia dele.
No final, foi um livro bem decepcionante. No entanto, não desistem de ler, pois só porque eu não gostei, não quer dizer que vocês não gostem. Só talvez não vão com a expectativa tão alta e talvez vocês gostem mais do que eu.
"Ora, não estou defendendo isso", respondi. "Só quis dizer que, antes de aprendermos a ter medo das coisas, nossos corpos sabem naturalmente como fazê-las. É um dos aspectos decepcionantes de ficar mais velho. Temos mais medo e, por isso, fazemos menos coisas."
Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

domingo, 10 de abril de 2016

Debate Cego #1 - ENCERRADO


Depois de semanas tentando sair da "velha" rotina das resenhas e algumas TAGs, resolvemos inovar um pouco, mas sem sair da nossa paixão: os livros!
Queríamos interagir mais com vocês, que são importantes para o nosso aprendizado diário, queríamos saber mais o que andam lendo e quais são esses "olhares" tão singulares e diferenciados.
Adoro descobrir que um livro que li, outro leram e tiveram outra perspectiva, a qual não tinha sequer imaginado. Isso é muito legal!
Tive uma professora na faculdade de Cinema que dava aula de Estética, e ela contou uma historinha para a gente que nunca me esqueci.
Contava ela que tinha uma sobrinha que morava nas imediações da Avenida Paulista e atravessava a avenida todos os dias de ônibus. Isso era uma rotina tão normal que a única coisa que conseguia perceber era seu grande congestionamento em qualquer horário do dia. Um dia ela caiu em casa e precisou do resgate para levá-la até o hospital do outro lado da Paulista. Só que desta vez ela cruzou a Paulista deitada, e tudo que ela via era por um outro ângulo, agora enxergando só a parte de cima. E logo apareceu o encantamento: como uma avenida tão bonita nunca antes tinha sido contemplada por seu olhar?
Eu guardei isso. Para sempre! Jamais me esqueci. E foi isso que deu origem ao "Olhar de Estrangeiro", um termo Baudelairiano que questiona o que de fato olhamos, e não só enxergamos. O olhar da alma. E é isso que queremos com esse desafio.
É saber de vocês se só leem, ou se "absorvem". É descobrir se nesse desafio vocês são capazes de deixarem os pré-conceitos de lado e gostarem de uma resenha mesmo sabendo depois que é de um autor que vocês abominam.
Eu digo isso me incluindo também. Há leituras que muitas vezes me recuso a fazer. Puro desprezo!
A ideia é essa. Resenha nas mãos, um super policiamento para não falar muito, mas o suficiente para vocês conseguirem decifrar.
Vamos lá!

"Poderia dizer que nem sempre o silêncio tem o objetivo de esconder, mas às vezes serve para encobrir, para manter a salvo. Ou poderia argumentar que os pecados da omissão não são, de algum modo, pecados. Aliás qual mulher digna de sua feminilidade já revelou toda a sua história? Não você, com certeza, minha querida amiga. Como fazem os deuses, nós nos revelamos - se alguma vez nos revelamos - para aqueles a quem escolhemos e no momento que escolhemos."

 Na difícil missão de fazer uma reportagem sobre a vida no interior de uma ilha, nossa autora e seu marido chegam às portas de uma misteriosa Pousada, cheia de histórias e superstições. Dezenas de mulheres vestidas de preto, com grandes tranças em torno da cabeça, trabalham, cantam, rezam e brincam numa ensolarada paisagem de torres, sacadas, hortas, campos e colinas.
Parecia uma alucinação, mas era na verdade um refúgio feliz criado por sua proprietária, uma bela mulher forte, com uma história de vida lotada de contratempos, desamores, paixões e privações. A proprietária, quando jovem, foi trocada por cavalos. A menina teve boa educação e um lar agradável. A sua história é contada à nossa autora em sessões diárias debaixo de uma magnólia, uma história fascinante e arrebatadora. O emocionante relato recria aromas, sabores e tradições assustadoras de uma terra ainda habitada pelos deuses gregos.
É uma história de doer o coração. O começo do livro é meio enfadonho, mas dos relatos para frente a história melhora e a leitura flui.
Eu, particularmente, não conhecia a autora e confesso que amei tanto que já está na lista seus outros livros.
E aí, vamos apostar as fichas!

PS.: Quando "somente" lemos, a chance de esquecermos é enorme. Passamos pela história sem sermos notados. Quando "lemos" com o coração, com a alma, com todos os nossos sentimentos, é para sempre. Somos parte da história.

RESPOSTA

Cláu Trigo

sábado, 9 de abril de 2016

BookHaul - Março/2016


O BookHaul de Março está bem pequenininho, porém repleto de livros que eu imagino serem ótimos!
Venham conferir o que compramos mês passado e comentem quais desses vocês já leram ou estão querendo ler!

A Torre
Steven James
Cia Editora Nacional
De Volta Para Casa
Karen White
Novo Conceito
Já temos aqui em casa o primeiro da coleção Patrick Bowers, porém ainda não foi lido... Mas o segundo estava tão barato que não podíamos deixar de comprar e já garantimos a leitura.
"De Volta Para Casa" estava há séculos na nossa wishlist e sempre desistíamos de levá-lo... Até que enfim tiramos ele da lista, rsrsrs.

Desumano e Degradante
Patricia Cornwell
Paralela
O Que Há de Estranho Em Mim
Gayle Forman
Arqueiro
O Destino da Número Dez
Pittacus Lore
Intrínseca
















Já temos alguns livros da Patricia aqui em casa, mas todos meio que fora de ordem. Então agora estamos tentando comprar pelo menos os primeiro que faltam. Ainda mais que o primeiro já foi lido. Já tem resenha do primeiro aqui no blog!
Sou apaixonada pelos livros da Gayle Forman e é minha "obrigação" ter todos os livros dela aqui em casa, principalmente esse que me pareceu ser bem diferente dos outros. Estou super ansiosa para lê-lo!
Todo mundo que me conhece sabe que adoro a série dos Legados de Lorien e, infelizmente, estou meio atrasada com ela. Esse livro saiu ano passado e ainda não consegui ler. Pelo contrário, só consegui comprar ele agora e infelizmente vai demorar ainda um pouco para conseguir lê-lo. Estou com vários livros já na frente e não dá para passar ele na frente. Mas um dia chego lá! Os Arquivos Perdidos eu já dei uma adiantada, além de lembrar de vários acontecimentos que tinha esquecido.

Esse foram os livros que compramos em Março. Já leram alguns desses? Quais vocês querem ler? Digam ai nos comentários que ficarei muito feliz!
Boa leitura!
Carol!!!

domingo, 3 de abril de 2016

Novidades e Sugestões!

Pessoal, estamos pensando num projeto novo e bem legal para o blog.
Para isso, gostaríamos de saber a opinião de todos, elas são de grande importância para nós.
É o seguinte: estamos pensando, a princípio, de postar a cada 15 dias uma resenha sem "identidade". O que é isso meninas?
É o seguinte. Vamos resenhar um livro que lemos, mas sem dar uma identificação (sem nome, ou autor, ou editora). Só a resenha. E vamos deixar a critério de vocês adivinharem. Durante a semana vamos conversando, trocando informações e depois de uma semana divulgamos o nome do livro.
Para aqueles que conseguirem acertar, vamos somando pontos e a cada três meses sortearemos um livro para esses "sabichões".
Pensando nisso, estamos aqui para sabermos a opinião de vocês.
O que acham? Gostam da ideia? Estamos no aguardo de um feedback de vocês. Toda sugestão é bem vinda!

Obs.: Já criamos também um grupo. Quem quiser participar, estão todos muito bem convidados. Quanto mais gente tivermos participando, apoiando e ajudando, mais rápido esse projeto crescerá e mais legal para ambos os lados ficará!

Primeira resenha! - ENCERRADO!
Segunda resenha! - ENCERRADO!
Terceira resenha! - ENCERRADO!
Quarta resenha! - ENCERRADO!
Quinta resenha! - ENCERRADO!

sábado, 2 de abril de 2016

Uma Obsessão Destruidora!


"Na maioria das vezes, ele fingia. Fingia que viva, que respirava, que trabalhava, fingia que ficaria bem. Isso parecia ajudar as pessoas que amava. O que não era pouca coisa. Podia ao menos fazer isso por elas."

Segundo livro da série Beleza Mortal - "Coração Apaixonado", da Chelsea Cain, Editora Suma de Letras.
Já tinha sido avisada pelos apaixonados da Chelsea e seus livros, que esse era o fraco da trilogia (pois o restante da série não foi publicado aqui no Brasil...). Então já fui preparada e não esperando tanto quanto no primeiro - Coração Ferido.
Acho que fui um pouco enganada, não achei ele tão fraco, pelo contrário, achei até mais pesado que o anterior. E me deixou mais brava depois do término da leitura do que o primeiro.
O livro começa com o detetive Archie encontrando um corpo de uma jovem garota morta no Forest Park, em Portland. O mais estranho neste caso é que a jovem foi encontrada exatamente no mesmo local que a primeira vítima da Beleza Mortal (ou Gretchen Lowell). Para piorar, a nossa repórter Susan Ward - que já apareceu no primeiro livro - descobre a identidade da jovem e liga esse crime à um importante nome do governo.
No entanto algo que ninguém esperava, nem os personagens nem os leitores, acontece. Gretchen escapa da prisão! A partir daí, Archie não consegue se concentrar em mais nada além de sua obsessão com sua torturadora (ou seria paixão?).
Achei que o livro teve mais suspense e foi mais perturbador que o primeiro. Com certeza a Chelsea conseguiu se superar. Principalmente depois que a Gretchen foge da prisão. Aí não tem para ninguém,
Os personagens continuam bárbaros, principalmente o trio: Archie, Gretchen e Susan. Essa obsessão do detetive com o seu demônio (porque é isso que ela é, um demônio) me irritou várias vezes. Mas junto com a sua inteligência, ele sempre está um passo à frente de todos, talvez só da Gretchen que não.
Falando no diabo... Essa mulher é a mistura de brilhantismo com crueldade. E muita crueldade! Já em relação à Susan, adoro ela, mas que ela falhou feio em uma certa situação do livro, ela falhou. E vou dizer que fiquei bem triste com isso, pois ela ferrou com tudo.
Achei o livro muito bom mesmo, até melhor que o anterior. O único sentimento que conseguia sentir a partir da metade do livro era de raiva. Raiva pela autora, raiva pelos personagens e de algumas burrices de diversas pessoas. No entanto, no final, só queria saber o que iria acontecer no terceiro. E acho que é isso que um livro, principalmente do gênero policial, deve fazer a gente sentir: raiva, desespero, ansiedade. Tudo muito bem equilibrado. E disso não tenho dúvida: ela acertou!
Antes de acabar com a resenha, só queria deixar uma observação que achei bem interessante. Já nos agradecimentos da autora no final do livro, a Chelsea está citando inúmeros nomes e um me chamou a atenção:
"... a Chuck Palahniuk, Suzy Vitello e Diana Jordan, por me ajudarem a liberar minha depravação; ..."
Não deve ter muitas pessoas com o nome Chuck Palahniuk... Para quem não conhece o autor, ele simplesmente escreveu uns dos livros que mais me perturbou e me surpreendeu: Clube da Luta. Isso me deixou bastante surpresa e contente. Não é para qualquer um poder conversar com ele. Imaginem um conversa entre os dois o que deve ter saído dela, rsrs.

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!