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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Crítica - Animais Fantásticos e Onde Habitam


"Eu quero ser um bruxo." (Frase dita pelo personagem Jacob Kowalski)

Infelizmente essa cena foi cortada do filme, mas acho ela perfeita para começar a crítica sobre o filme "Animais Fantásticos e Onde Habitam".
Até que enfim saiu o filme mais esperado do ano!
Não pude ir na quinta, na estréia, mas fui na sexta e foi maravilhoso. Se pudesse, iria assistir mais umas cinco vezes - o que me impede mesmo é o $$.
Mas vamos falar sobre o que interessa: o filme. Para quem acha que ele é somente sobre animais que fogem, estão totalmente enganados - eles são só a base. A trama é muito maior do que isso.
O longa já começa com tudo: alguma criatura está atacando Nova York quando o Newt está chegando na cidade. Logo de cara ele se depara com uma manifestação na frente de um banco liderada por Mary Lou (uma no-maj) que quer acabar com bruxos que ela acredita existir. Porém, algo inesperado acontece: uma criatura foge da maleta do Newt - o Pelúcio, a criatura mais fofa do mundo bruxo! - e entra nesse banco. A partir daí começa uma confusão atrás da outra, inclusive envolvendo o Jacob (o no-maj que representa todos nós, não bruxos da melhor maneira possível).
Não irei contar muito mais da história para não acabar com a surpresa de ninguém. Mas não achem que é somente isso, durante os 133 minutos de filme vão ter várias reviravoltas e o final é perfeito, deixando algumas coisas abertas para a segunda parte, e nos surpreendendo com o plot twist.
Os atores estão ótimos! Eu ainda não tinha visto nenhum filme do Eddie Redmayne, mas achei que ele se encaixou muito bem no papel. O personagem é tímido e ele conseguiu passar o estilo dele - mas o que acho que melhor representa o Newt e o ator é a paixão que eles passaram com os animais fantásticos, pois dá para perceber que aquilo é o que ele mais ama. O Dan Fogler representa todos nós que somos trouxas (ou no-majs) e ele faz isso perfeitamente. As irmãs Tina Goldstein e Quennie Goldstein (respectivamente Katherine Waterston e Alison Sudol) são bem diferentes uma da outra, mas que conseguem nos conquistar. E como não falar do Ezra Miller? Ele é perfeito em tudo que faz! A única coisa mais "negativa" que tenho que falar é sobre a Samantha Morton (Mary Lou) - não é que ela está mal, mas que esperava um pouco mais da personagem dela...
Os efeitos estão muito bons, os animais estão lindos e os atores atuaram muito bem com eles, pois como sabemos eles não existem (infelizmente). Os feitiços estão ótimos como já eram nos oito filmes de HP. A trilha sonora é MARAVILHOSA! Logo quando aparece o logo da Warner e começa o "Hedwig's Theme" (já enlouqueci), mas só os primeiros acordes são do tema, depois a música vai se transformando em uma trilha original que combina muito bem com a atmosfera do filme.
As referências ao filmes e livros de Harry Potter estão lá, mas são sutis, nada muito forçado. Tem referência para todo tipo de fã: dos mais simples, que basta ter assistido aos filmes para pegar, até uns que só quem leu vai entender. E tem uma acontecimento neste filme que dá a entender algumas coisas que podem acontecer nos próximos filmes que vai enlouquecer todo potterhead se virar realidade - algo relacionado com a Ariana Dumbledore...
E o que dizer daquele final? Primeiro que não estava esperando aquela reviravolta - fui pega desprevenida. Segundo que deixou uma dúvida no ar, mas que o diretor já respondeu (se quiser saber do que estou falando é só clicar aqui. Lembrem-se, tem SPOILERS).
Recomendo demais o filme. E mesmo quem não é fã, ou não leu nem assistiu aos filmes de HP podem assistir tranquilamente que vão entender tudo.
A única coisa ruim vai ser ter que esperar até 2018 para podermos assistir o segundo :( ...

Ps.: Só para mostrar para os haters, que falaram que não ia ter o tanto de sucesso que os outros filmes tiveram, Animais Fantásticos e Onde Habitam continua em primeiro lugar nas bilheterias nacionais pela quarta semana seguida! Só no Brasil, já chegou em incríveis R$59 milhões (os fãs brasileiros são os melhores!!!).

Até a próxima e bom filme!
Carol!!!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - Por que Fizeram Essa História?


Esse texto terá alguns spoilers. Quando houver estará em vermelho, se você ainda não leu e não quer levar, pulem essas partes.

Então, talvez essa resenha tenha quase que somente críticas negativas, e eu fico muito triste de falar isso.
Não sei se todos sabem, mas sou super fã de Harry Potter - sou potterhead para a vida! Já li todos os livros (e pretendo reler ano que vem), já assisti todos os filmes milhares de vezes e em cada canto do meu quarto tem algo de HP. Sério, vocês não fazem ideia do quão fã eu sou...
Quando anunciaram que iam fazer uma peça contando uma história 18 anos depois, eu fiquei histérica. Claro que eu queria mais histórias! Ai foi saindo as notícias, os atores escalados, informações do enredo. A cada nova notícia eu ficava louca.
Mas tinha um problema, eu nunca iria conseguir assistir a peça e não tem como saber se um dia ela virá para o Brasil. Eis então que surge a melhor notícia do mundo. Iriam publicar o livro com o roteiro - pelo menos os resto dos fãs que não moram na Inglaterra poderiam saber o que acontece. Depois disso, não li quase nenhuma notícia, fiquei longe dos spoilers. Decidi que preferia chegar no livro sem nenhuma informação.
Ai teve as críticas super positivas a respeito da peça, críticas já não tão positivas a respeito do livro, o roteiro. Saiu a edição em inglês e a ansiedade aumentava ao ver as pessoas lendo e eu tendo que esperar a edição traduzida. Enfim, no dia 31 de outubro, lançou! Não fui na noite do lançamento, mas no dia seguinte já estava com ele na mão. Não teve jeito, na mesma hora tive que começar a lê-lo, passar na frente de tudo que já estava lendo. Queria tirar minhas próprias conclusões - ver se realmente parecia uma fanfic escrita por fãs e não uma história que a J. K. escreveria.
Li ele muito rápido. Em uma semana já tinha lido e o fato de ser em formato de teatro não me atrapalhou, mesmo nunca tendo lido esse estilo de narrativa. E infelizmente, a grande maioria de informações que eu tinha - de que era mal elaborado, de que não tinha nada a ver com os sete livros, que parece muito com muitas histórias que encontramos ai na internet... Foi real!
Minha decepção apareceu pela primeira vez com algo relacionado a esse mundo fantástico.
A história é fraca, mal construída e não consigo entender com a J. K. aceitou fazer uma coisa dessas. Na peça ao vivo até pode mudar um pouco essa impressão, pode fazer mais sentido. Mas como é quase impossível um dia eu assistir, e só posso ficar com o roteiro, não consigo gostar nem entender.
Os personagens já adultos em muitos momentos tem características que não fazem sentido com o que já lemos nos sete livros anteriores, tomam umas atitudes sem conexão. Quem leu a série, sabe que eles nunca iriam fazer isso ou aquilo.
Além de que o Alvo Severo Potter é um personagem muito chato, ignorante e que não tem nenhum respeito com o pai dele. Ele pode sentir o peso de ser filho de Harry Potter, mas as coisas que ele faz e fala não tem explicação. Outra personagem que não faz sentido é a Rose Weasley: que garota CHATA! Talvez dos personagens novos (os filhos), o único que é gente boa e que parece ter um pouco mais a cabeça aberta é o Scorpius Malfoy. Nunca achei que iria gostar de um Malfoy, rsrs.
Vou falar de algumas situações no livro que são grandes spoilers, então se você não leu, pulem essa parte:

Primeiro, vamos falar do murmurinho que anda rolando em Hogwarts - que Scorpius Malfoy é filho de Voldemort! Os alunos criarem isso, até dá para entender, mas o roteiro levar até o final mais ou menos que isso pode ser verdade é ridículo. A história é a seguinte, Draco Malfoy não poderia ter filhos, então para não acabar com a linhagem dos Malfoy, ele teria feito sua esposa, Astoria, voltar no tempo para ter um filho com Voldemort. Não, não e não! Vamos começar que, se fosse verdade, ele não seria um Malfoy e sim um Riddle.
Outra parte que não faz sentido: Amos Diggory, pai de Cedrico querer que o Harry volte no tempo para salvar o filho. NÃO!!!! Se a situação fosse simples assim, era só eles votarem no tempo e matar o Tom quando ainda era bebê, ou criança...
Mais um ponto: quando o Alvo com o Scorpius voltam no tempo para tentar salvar o Cedrico, numa das vezes, eles voltam na segunda prova do Torneio Tribruxo para humilha-lo, e por causa disso o Cedrico no futuro vira um Comensal da Morte. Percebem que novamente não faz sentido? Mesmo que isso acontecesse, quem leu os livros e mesmo quem assistiu os filmes, saberia que ele nunca viraria um Comensal da Morte.
E por último e a pior parte - prestem atenção que é horrível e uma verdadeira MERDA (desculpem o palavreado) o plot twist: Delphi Diggory (a principio, no começo) é na verdade FILHA de Lord Voldemort com Belatrix Lestrange! Quem teve essa ideia de bosta? Porque não faz nenhum sentido!

Ufa! Tava já começando a ficar irritada de novo ao lembrar de quanta besteira tem nesse livro. Para quem quiser entender um pouco melhor, vou deixar linkado o vídeo do Renie do Expresso de Hogwarts que ele explica muito bem o que eu senti ao ler isso e as coisas que não fazem sentido. É só clicar aqui.
Acho que vocês perceberam que eu não gostei nadinha desse livro, né? Eu só dei três estrelinhas no Skoob por trazer um pouquinho daquela sensação de estar lendo algo relacionado a esse mundo. Não sei se todos vocês que já leram, sentiram e ficaram do mesmo jeito que eu. Digam ai embaixo se gostaram ou não e o porque, para ver se conseguem mudar um pouco a minha opinião.
E não fiquem irritados por eu ter odiado e falado tão mal desse livro. Sou muito fã dos livros de HP, mundo criado e da J. K., mas não dá. É realmente muito ruim! Por mais fã que sou, tenho que ver e dizer quando alguma coisa é ruim. Mas peço para lerem, para tirarem suas próprias conclusões e depois vocês voltam aqui para comentar o que acharam.
Que decepção foi essa história. Sinceramente, preferia que não existisse essa história. Seria melhor para os fãs.

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Conto: O Iluminado Às Favas


Hoje, dia que estou escrevendo essa resenha, recebi um e-mail do autor Roberto Camilotti. Ele também tem um blog (Roberto Camilotti), que ele posta seus contos lá. E ele me perguntou se não gostaria de ler um deles e resenhar para vocês. E nós, do "Um Olhar de Estrangeiro", sempre estamos dispostas a ler livros e contos de autores nacionais - desde que nos interesse. Somos grandes incentivadoras da nossa literatura e queremos sempre descobrir histórias novas, que possam nos surpreender e nos conquistar.
E hoje a resenha é do conto "O Iluminado Às Favas". Como o próprio autor me disse no e-mail, ele se trata de uma conversa, um encontro entre um extraterrestre - Paciência - e um mendigo angolano - Desidério - que hoje "vive" no Rio de Janeiro.
Esse breve encontro é interessante, pois temos um ser vindo de outro planeta e um sem teto angolano, que passaram por situações diversas e que têm uma visão diferente da morte, da paz e do destino. Desidério acredita que nasceu destinado ao pior, pois ainda jovem veio com algumas poucas roupas para o Brasil, a fim de conseguir uma vida melhor para ele e seus pais. Porém, nunca conseguiu permanecer em um emprego e por causa disso teve que viver nas ruas. No entanto, a vida "ruim" que ele tinha na sua aldeia em Angola se mostrou não tão ruim assim, perto do que está vivendo hoje - simplesmente por lá tinha, pelo menos, um teto para morar. Segundo ele: "Também não pense que tenho orgulho de ser mendigo e de depender da caridade de estranhos, é que me conformei com a realidade. Nasci para morrer pobre.".
Já o Paciência, um extraterrestre que se teletransporta pela luz, tem uma guerra para combater em sua Terra. E para mim, essa é a melhor parte do conto. Ao afirmar isso, Desidério pergunta o porquê ele não trabalha para a paz e a resposta dele é interessantíssima!

"-Porquê nem sempre a paz é o melhor, o mais sábio a se fazer, o caminho que leva a tempos mais frutíferos. Às vezes, são somente a dor e o sofrimento que fortificam reinos, engrandecem convicções e fundamentam os mais valorosos valores."

É um conto interessante. Apesar de se tratar de extraterrestre, que é algo que já estamos acostumados a ler, o diferencial dele é essa conversa entre os dois, que tem a sua originalidade e pode até ser considerado um diálogo filosófico, por tratar de assuntos que nem sempre tem uma resposta (ou pelo menos certa).
O final é meio aberto e deixa por conta do leitor uma resposta, a sua impressão sobre ele. Tenho a minha. Não tenho certeza se está correta, mas para vocês saberem, terão que ler. E relaxem, vão perder somente alguns minutos. Não é um conto comprido. Deixarei mais abaixo o link para vocês lerem no blog dele - vale muito!
E lembrem-se, eles não são tão estrangeiros por ambos sentirem dor na morte, com o sangue!

Link para o conto: http://robertocamilotti.blogspot.com.br/2016/11/conto-o-iluminado-as-favas.html
Link para a página do autor: https://www.facebook.com/BlogRobertoCamilotti/

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Desafio Literário 2017

Mais um ano se findando, mais um chegando... E que seja BEM melhor do que foi 2016! Para todos nós!!!
Enfim, vida que segue, e como não podia ser diferente, vamos, novamente, fazer o desafio de separar cinco escritores e seus meses de aniversário, e separar um para nossa leitura. A escolha do autor e de sua obra fica a critério de vocês.
Já fizemos isso esse ano e funcionou muito bem, tiramos livros "encalhados" da estante, e também nos demos a chance de conhecer muita gente boa - e ruim também!
Esse ano estamos lançando o desafio mais cedo, para que nossos observadores possam se programar melhor e fazer um 2017 melhor do que foi 2016!
Lançamos aqui nosso Desafio e aguardamos feedback de vocês.
Segue abaixo nosso calendário de aniversariantes e, aqui para saber quais foram as nossas escolhas.
Se tivermos bastante comentários motivados a participar, podemos criar um grupo para discutirmos as leituras que fizemos para o desafio. Por isso, é importante que vocês comentem se vão ou não viajar nesse trem...


Um abraço,
Cláu e Carol!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um Livro Ok - O Grande Gatsby


"Comecei a gostar de Nova York, da picante e aventurosa sensação que ela produz à noite, e da satisfação que o incessante desfile de homens, mulheres e máquinas causa aos olhos inquietos. Gostava de subir a 5ª Avenida e escolher,em meio à multidão, mulheres românticas, imaginando que, dentro de cinco minutos, eu iria entrar em suas vidas, e ninguém jamais o saberia ou desaprovaria. Às vezes, em meu espírito, eu as seguia até seus apartamentos, em esquinas de ruas ocultas, e elas voltavam e sorriam, antes de desaparecer na cálida obscuridade de uma porta. No encantado crepúsculo metropolitano, eu sentia, às vezes, em mim e nos outros, uma obsedante solidão ao ver os pobres e jovens empregados caminhar a esmo diante das vitrines, à espera de que fosse hora de jantar num restaurante solitário... jovens empregados ao crepúsculo, desperdiçando o momento mais pungente da noite e da vida".

De verdade, estava esperando muito mais de "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. Até então não tinha lido nada do autor, e criei uma certa expectativa a respeito.
Ele fez parte do meu desafio de leitura do mês de Setembro!, e a leitura foi arrastada - só deslanchou nos últimos capítulos - e foi sofrível até então. Não estou dizendo que o livro é ruim. Vejam só: apenas estou dizendo que a leitura foi ok! E o final foi bom, na verdade, muito bom!, o que me fez não desgostar do livro.
O começo achei chato, devagar. Do meio para o final a coisa andou bem melhor.
Não vi ainda o filme. Sou daquelas que prefiro à leitura antes de assistir na telinha - quando possível! Achei o livro devagar demais, acho que várias passagens foram desnecessárias. Sei lá. Não rolou química entre nós. 
Li Hemingway recentemente e achei que encontraria a mesma poesia, só que não! Mas não são essas pequenas decepções que me faz desacreditar em Fitzgerald. Já tem outro livro na minha lista - "Suave é a noite". Quem sabe consiga, dessa vez, mudar meu olhar...
"O Grande Gatsby"  foi lançado em 1925 e tornou-se uma parábola exemplar do sonho americano.
Protótipo do Self-made man, Jay Gatsby acumula grande fortuna e se torna figura lendária de uma América próspera, embalada pelo ritmo do jazz, das máquinas de Detroit e o cinema de Hollywood. Sua história de ascensão é narrada à distância por Nick Carraway, um convidado assíduo às suas festas. Carraway logo descobre a infelicidade íntima de seu "herói", que cultiva um antigo amor, mal resolvido,por Daisy, a mulher de um milionário.
Na Long Island nos anos 20 havia muitas jovens belas e exóticas, muito álcool, jazz, elegância, glamour e, pairando sobre tudo, a certeza de que a vida seria uma festa sem fim. 
O livro retrata bem a recusa da maturidade, a incapacidade de envelhecer e uma obstinação: a de continuarem ricos e jovens para sempre.
A atmosfera de euforia e vazio que toma conta de "O Grande Gatsby" é uma das melhores imagens da geração de Scott Fitzgerald.
O livro flui leve da metade para o final, mas é desinteressante nos capítulos iniciais, o que me fez não coloca-lo entre os meus preferidos, mas não deixo de recomendá-lo. Ele define claramente o que foi a década de 20, suas festas, seus personagens, a cidade em franco progresso e as festas glamorosas que rolavam sempre.
Enfim, um livro ok!
Abraço,

Cláu Trigo

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Inferno? - Resenha Atrasada/Desafio


"Ele, que sempre gostou de permanecer invisível na multidão, para observar à vontade o que bem entendesse, era agora motivo de curiosidade dos transeuntes. Odiava a maneira que o encaravam. Como se fosse um furúnculo purulento, um mendigo dormindo no asfalto, um epilético tando um ataque na missa de domingo. Era assim que observava as pessoas? Indiscreto, metendo os olhões na dor alheia? Nunca".

Então, né... "Inferno", da Patrícia Melo, foi o meu maior desafio.Tinha lido anteriormente "Acqua Toffana" da mesma autora e minha experiência, digamos, não foi a das melhores, na verdade, odiei o livro. Mas quem acompanha o Blog sabe que nunca desisto de um autor baseado numa única leitura. E lá fui eu para a próxima!
"Inferno" fazia parte do meu desafio do mês de Outubro e fui para o tudo ou nada...
Vamos lá... Já tinha lido que esse é seu melhor livro, então me desarmei "um pouco" para não chegar com os dois pés no peito - a minha cara! - e peguei leve. Acho que deu certo.
O livro é melhor que o não digestivo "Acqua Toffana"? Com certeza, SIM! Mas é um livro ok. No começo pensei que seria, literalmente, MEU Inferno - mero trocadilho, rsrs - mas até que não.
Novamente, fica aqui o meu protesto em relação a alguns escritores que ficam enchendo linguiça desnecessariamente. Tem muitas histórias boas no mercado que se tornam chatas, massantes, porque o autor resolve ficar enrolando com situações, detalhes sem importância, só pelo prazer de tornar o livro gigante. NÃO precisa! O livro pode ser bom mesmo com 100 páginas. Acreditem em nós, que somos leitores compulsivos. Sabemos do que falamos!!
"Inferno" conta a história de José Luís Reis - o Reizinho -, um menino que passa a trabalhar para o tráfico de drogas aos onze anos no Morro do Berimbau, no Rio de Janeiro.
A história desencadeia toda em torno da vida do menino, de suas paixões, sua família, seu trabalho, competição, poder e crime durante vários anos de sua vida.
É mais uma história clichê? - Sim! É. Como tantas outras que lemos em livros, revistas, jornais e assistimos na TV o tempo todo. Tem algo de diferente? Não!
De novo, fica a reclamação aqui: muitas coisas desnecessárias. A história fluiria bem melhor sem alguns capítulos que só fazem encher o saco.
Uma história normal, com alguns "poréns" que já disse.
Foi melhor que o livro anterior da autora. Agora já vi uma escrita "normal", sem as invenções que ela "tentou", frustadamente, criar em "Acqua Toffana". Graças a Deus! Não suportaria ler duas coisas ruins num espaço de tempo tão próximo.
Livro ok para uma leitora que vem com um controle de qualidade alto demais! - Acho que preciso dar alguns passos para trás...
Abraço,

Cláu Trigo

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Um Livro Sem Pretensão de Assustar, Mas Que Consegue! - Resenha Atrasada/Desafio


"O medo mortal é tão crucial para nossas vidas quanto o amor. Ele apela ao cerne de nosso ser e nos mostra quem somos. Você vai recuar e tapar os olhos? Quer saber o que existe lá ou prefere viver na ilusão sombria dentro da qual este mundo comercial insiste em nos manter trancados como lagartas cegas em um casulo eterno? Você vai se encolher com os olhos fechados e morrer? Ou consegue lutar para sair disso e voar?
(Stanislas Cordova - Rolling Stone, 29 de dezembro de 1977)"

As resenhas do final do mês passado e desse mês vão demorar um pouco para sair, pois estou sem tempo e muito cansada nos finais de semana por causa dos vestibulares, e como estudo de madrugada e é quando faço normalmente elas, então elas vão vir atrasada. Mas um dia elas chegarão!
E esse mês é para ter a resenha e a minha opinião sobre Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - fiquem de olho!
Agora, voltando a resenha desse mês, como falar desse livro sem me exaltar e dar muitos spoilers? Difícil, porém necessário! Quando coloquei no começo do ano, "Filme Noturno", Editora Intrínseca, da Marisha Pessl, no meu desafio, não esperava nada do que encontrei ao ler.
A narrativa é muito ágil e composta por recordes de jornais, páginas de Internet, relatórios policiais e bilhetes manuscritos. Vou deixar o link do Google mostrando as fotos dentro, para vocês não terem que pesquisar. E a editora está de parabéns! Que trabalho magnífico eles fizeram com esse livro. É só clicar aqui.
Durante uma noite fria de outono, Ashley Cordova é encontrada morta em um armazém abandonado em Manhattan. Embora a polícia ache que ela se matou, o jornalista Scott McGrath acredita que exista algo a mais nessa história. Porém, tem mais coisa no meio do caso do que simplesmente um suicídio: Ashley é filha do famoso diretor de filmes de terror, Stanislas Cordova, um homem que não é visto em público há mais de 30 anos, e que no passado teve um papel trágico na vida de Scott.
Impulsionado por vingança e curiosidade - que por sinal, muitas pessoas tem um certo fanatismo por ele, por esse desconhecido - o jornalista é atraído para o horripilante e hipnótico mundo de Stanislas. Da última vez que chegou (ou tentou chegar) perto do diretor, McGrath perdeu o casamento e carreira. Dessa vez pode perder muito mais.
Sério, que maluquice essa história! Parece ser um simples livro de investigação, mas a autora consegue deixar o leitor com muito medo (imaginem eu, que sou cagona, com o medo multiplicado, rsrs). Ela cria uma atmosfera de suspense que eu nunca tinha visto em outro livro. Tem histórias de terror que tem como objetivo te deixar com medo, e muitos não chegam nem perto. Filme Noturno não tem essa pretensão, mas conseguiu me deixar sem dormir!
Além dessa boa construção do suspense pela autora, a escrita dela nos deixa a impressão de que realmente estamos assistindo a um filme. Pois ela é bem fluída e ela dá umas quebras na narrativa, muito usado em longa-metragens, principalmente os do gênero suspense e terror. Com o diferencial de nos deixar achando que o Cordova existe de verdade. Muitas vezes você tem que parar a leitura e se lembrar que aquilo é tudo ficção.
Por causa de todos esse aspectos e vários outros que não dá para citar, só lendo para entender, esse seria um livro que facilmente daria para adaptar para as telonas. Talvez virasse um filme mais longo, ou tivesse que ter uma continuidade, um segundo filme - mas daria muito certo.
Quando acabei de ler, o final não tinha me agradado muito, porém depois eu parei para pensar e faz total sentido. Talvez não seja O final que o leitor espere, mas acho que ela terminou do melhor jeito possível. E como eu adoro ver críticas em tudo que eu leio, ainda digo que é uma crítica a esse mundo da fama e do que se cria envolta dele.
Os personagens são bem construídos e talvez você não se apegue no começo (até por volta da metade do livro) pelo McGrath, mas depois dá muita dó dele. Os outros dois personagens que irão aparecer e serão muitíssimo importante, o Hopper e a Nora também, são personagens bem interessantes. Eu particularmente gostei bastante da Nora. Já o Hopper te deixa com uma interrogação pairando durante toda a leitura. Outras presenças importante, mas que não aparecerão fisicamente é o Stanislas e a sua filha, Ashley - apesar de não vermos eles em nenhum momento, a presença deles ao serem citados ou somente por causa da atmosfera, torna eles tão principais quanto os já citados. E posso dizer que esses dois dão medo, viu!
Apesar de suas 620 páginas, a leitura flui muito rápido e te prende de um jeito que poucos escritores conseguem fazer. Digo facilmente que esse livro entrou nas minhas leituras favoritas do ano e se a autora um dia publicar algo novo e que chegue aqui no Brasil, com certeza vou ler.
Ela tem um outro livro já traduzido mais antigo que esse, que se chama "Tópicos Especiais em Física das Calamidades". Não sei se esse em particular eu tenho vontade de ler, até porque as críticas já são um pouco mais negativas e o nome não chama muito a atenção. Não é nada acadêmico, pela sinopse, mas não sei... Tenho como prova de que o título não é nada por causa do "A Solidão dos Números Primos", que é um livro muito bom!!! Mas esse nem mesmo a sinopse não me interessou muito.
Uma ÓTIMA indicação para quem gosta desse tipo de história e posso dizer sem nenhum medo que ela vai te pegar desprevenido e te deixar com um "medinho". Talvez vocês não durmam à noite com tanta facilidade...
" - Iblis no islamismo - sussurrou. - Mara no budismo. Set no antigo Egito. Satanás nas civilizações ocidentais. Quando você dedica tempo a estudar história, se surpreende com quão universalmente aceito ele é de fato."
Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Resenha - Quarenta Dias Sem Sombra


"Klemet, policial e racional - sim, racional porque policial -, via naquilo o sinal intangível de uma culpa atávica. Do contrário, por que impor aos seres humanos tanto sofrimento? Quarenta dias sem sombra, reduzidos ao rés do chão, como insetos rastejantes."

Quem acompanha a gente sabe que o blog tem em sua grande maioria o foco no gênero policial. Simplesmente porque amamos esse estilo! Quando ganhei esse livro (e já faz um tempinho - se não me engano foi no Natal do ano passado ou naquele ano) fiquei louca para lê-lo.
E tinha vários motivos: primeiro o gênero - facilmente, leio qualquer coisa dele -, depois a capa, que é linda, e faz muito sentido depois que você lê; o autor, que apesar de não conhecê-lo até então, já tinha me conquistado por ser francês e morar na Suécia. E por último, o enredo, que irá mostrar uma Escandinávia mais sombria, cheia de preconceitos, ganâncias e maus tratos aos excluídos, mostrando-nos que esse países não são tão maravilhosos assim!
Mas vou ser sincera, "Quarenta Dias Sem Sombra", do francês Olivier Truc, Editora Tordesilhas, não foi uma leitura nem rápida e nem fácil. Demorei muito para entender a cultura que nos é apresentada durante a história e o ritmo da escrita do autor é mais devagar - e consequentemente minha leitura também foi mais devagar do que o normal. Porém, isso não quer dizer que o livro é ruim.
Nele somos apresentados aos dois personagens principais: Klemet, um experiente policial sami que trabalha na Polícia das Renas - uma polícia que vai tratar dos problemas entre os criadores de renas, que são muitos! - e Nina, a jovem parceira dele que veio do sul do país (Noruega). Algumas horas antes do sol voltar a aparecer - depois de 40 dias sem sombra - um precioso artefato dos samis é roubado: um tambor sagrado e ancestral, usado para se comunicar com os mortos. Para piorar a situação, horas depois um criador de renas, Mattis, é encontrado morto e mutilado - sem as duas orelhas. A ligação entre esses dois crimes irá deixar a "boa" situação do povo lapão (samis) com a polícia e com os noruegueses por um fio.
O meu maior problema, que não necessariamente quer dizer que foi ruim, foi em relação com a cultura dos lapões (ou samis), que são um dos maiores povos indígenas da Europa, tendo a sua maior parte na Noruega (por volta de 35 000), mas que tem também na Suécia, Finlândia e uma pequena parte na Rússia. Eles são cuidadores de renas, por isso moram mais afastados da cidade - nesse caso em Kautokeino. Seus costumes, suas roupas e modos de viver são bem diferentes dos nossos, do que estamos acostumados.Vou deixar o link de dois sites que explicam melhor a cultura deles. É só clicar aqui e aqui. Além de decorar os nomes dos personagens que são bem difíceis. Mas depois que você se acostuma a leitura vai mais fácil.
O autor vai trazer no livro vários problemas que existem nesses países nórdicos, nos mostrando que as coisas não são tão bonitas e maravilhosas assim. Primeiro, é essa relação dos povos lapões com o restante da população norueguesa que não são lapões. Os religiosos acham que eles convivem com os demônios por causa do usos desses tambores - algo parecido que vemos em vários lugares com vários religiosos (inclusive aqui no Brasil...). Uma parte dos policiais e restante dos habitantes acham que eles não merecem direitos e existe até hoje uma briga gigante entre esses dois lados. Inclusive essa parte acha bem feito que o tambor sumiu. Até a ONU já entrou no meio - porém lembrem-se que ela vai opinar e entrar no meio só quando tiver interesses "particulares".
Outro grande problema além dessa discriminação é o machismo que a Nina irá sofrer, inclusive o parceiro dela irá mostrar que é um pouco. É algo meio que impregnado já na sociedade. Mas ela vai bater de frente muito bem! Com certeza minha personagem favorita! Tem alguns outros pontos que o autor traz, mas esses dois são os mais importantes.
Lá mais para o meio do livro, percebemos que os dois protagonistas tem vários problemas antigos e que ainda tem efeito neles. Porém isso ainda não é muito falado nesse livro. Deve voltar no segundo que já foi publicado pela editora, "O Estreito do Lobo". Esse volume vai trazer os dois novamente numa nova investigação. Ainda preciso comprar, mas já estou ansiosa por ele.
Para quem espera uma leitura, uma escrita rápida, talvez não goste tanto, pois a polícia local é bem lenta e algumas vezes até meio ruim, rsrs. E ainda terão que lidar com a pressão dos lapões, dos jornais, dos políticos e da ONU. Mas talvez isso se dê ao fato deles nunca terem pego um caso tão grande e sério.
Antes de finalizar, porque essa resenha já está gigante, preciso falar de dois personagens: o policial Brattsen - que é chato e besta! Pensem na pior pessoa possível, com todos os preconceitos existentes, burro e ainda influenciável. E o  pastor Lars Jonsson que é aquele pior tipo de religioso. Esses caras me davam uma raiva imensa toda vez que apareciam.  Tem outros personagens muito chatos e irritantes, mas eles serão os mais importante para o desenrolar da história.
E a capa, além de ser linda, depois que eu terminei a leitura vi que ela faz muito sentido. Prestem atenção nesses detalhes quem for ler.
Eu sei que a resenha ficou gigante mas eu precisava falar e citar todos esses pontos. É um ótimo livro policial e para quem gosta do gênero vai encontrar algo diferente do habitual. Mesmo com essa escrita mais devagar, a história vale muito. Quem puder, dê uma chance para ele!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

domingo, 30 de outubro de 2016

Literatura Brasileira de Verdade! Trama Mortal


"- Você sabe a minha opinião sobre o perdão. - César respondeu em voz baixa.
- Sim. - Eu sei. Se alguém não merece perdão por algo que fez, então não adianta pedir, mas se merece perdão, então não há porque pedi-lo.
...
Edson abaixou a cabeça aceitando a opinião do amigo.
- Você precisa entender que eu estava disposto a ir a lugares onde não se deve levar um amigo - tentou explicar - se Edson, que falasse isso com toda a certeza que uma pessoa pode ter sobre algo.
- Não, Edson - César divergiu. - Um lugar onde você não levaria um amigo é exatamente o tipo de lugar onde talvez você mais precise dele."

Esse é um dos meus livros preferidos que comprei na Bienal desse ano em São Paulo. Comprei com direito a autógrafo, marcador e tudo mais. Tava com uma pilha do lado da cama e só consegui lê-lo recentemente, mas valeu esperar esse momento.
"Trama Mortal", do Sérgio Santos, foi um desses achados pelas ruas incertas da Bienal. O autor não faz parte de nenhuma Editora, ele mesmo edita seus livros assumindo erros e acertos - na verdade, muito mais acertos e pouquíssimos erros! 
Passando em frente da Editora Coerência,  vimos o cartaz do livro "Os Segredos de Carol", um livro que estava á tempos na lista de minha filha Carol. Entramos para conferir e demos de cara com quem??? Com Sérgio Santos, o autor "Os Segredos de Carol", e também de "Trama Mortal", um dos livros que já fazia tempo estava na minha lista!
"Trama Mortal" faz parte daquele roll de autores sem Editoras, mas que estão acima de muita porcaria que vemos por aí, que estão na lista de mais vendidos mas... prefiro nem comentar!!! Acho essa discussão desnecessária! Acho que cada um deve responder por aquilo que lê. E o que não cabe para mim pode ser útil para você, acho importante a motivação da leitura, o que acho descabido é tanto frisson com algumas "coisas" que não chamaria de literatura, então não se deve nomear como tal. No máximo, um conjunto de porcaria que não acrescenta nada na vida de ninguém... Ah, vão me dizer, livro não é para acrescentar, é para distrair!!! Concordo plenamente! Mas tem coisas rolando aí que nem isso conseguem!!! É uma pena, porque tem gente com muito potencial sacrificando suas economias para poder fazer o que gosta, e alguns outros usufruindo de seus dez minutos de fama tentando fazer literatura, mas longe disso, estão tirando onda com a desinformação que a mídia prega. Sim, tupiniquins, eu mais que ninguém, como jornalista, posso afirmar para vocês que a imprensa faz e vende o que lhe convém, e nós meros mortais desinformados, COMPRAMOS!!!!
MOMENTO DESABAFO!!!
Ok. Voltamos ao livro.
"Trama Mortal", antes de mais nada tem uma capa bem bonita, a história é bem construída, com pouquíssimo erros, visto que o autor não tem Editora e, consequentemente, não tem Revisor. E isso é uma coisa que pego MUITO no pé. Livros de Editoras ditas Grandes com erros gramaticais absurdos, erros de digitação, erros infantis. Há livros que se tem DOIS revisores e mesmo assim encontro trocentos erros na leitura. Fico endoidecida.
O livro conta a história do policial César, um investigador de policia que é destacado para cuidar de um caso importante envolvendo um serial killer. Esse assassino marca cada uma das suas vítimas com um pedaço do endereço de um site na internet e informa que só irá parar quando esse endereço estiver completo.
A história é construída numa busca frenética pelo assassino enquanto outras histórias correm paralelamente. A leitura é simples e rápida, mas prende do início ao fim. Para quem gosta de literatura policial, é uma boa indicação.

Cláu Trigo

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Descobrindo Garcia-Roza - Resenha Atrasada/Desafio


"À noite, deitado no sofá da sala, o pensamento de Espinosa passava de um menino a outro, do que morrera por engano ao que sobrevivera por engano; e procurava traçar o perfil de alguém que joga gasolina numa criança dormindo. Conhecia os grupos matadores de mendigos, homossexuais, prostitutas e meninos de rua, e sabia do número surpreendente de pessoas incendiadas em quando dormiam nas ruas das grandes cidades, mas não acreditava em coincidências como aquela. Aquele garoto fora morto por alguém que supunha que ele soubesse de alguma coisa que ameaçava um terceiro. Lembrou-se de uma reportagem sobre atentados contra pessoas que dormiam na rua; fazia referência a dez atentados por fogo por mês, e a pergunta imediata foi: quem faz isso? As respostas possíveis foram aflorando: grupos de extrema direita, loucos incendiários, psicopatas, menores delinquentes, membros de seitas religiosas, racistas... e a lista se aproximava perigosamente das pessoas que encontramos a todo momento nas ruas, no ônibus, no trabalho, e até mesmo nas igrejas, pregando o amor universal."

Leitura dentro do prazo do meu desafio 2016, mas a resenha só consegui fazer agora, um mês depois. Culpa da correria do dia-a-dia!
Meu  primeiro contato com Luiz Alfredo Garcia-Roza! Apesar de ler muitos comentários sobre seus livros, e a maioria ser positiva, desconhecia seus livros. Triste, porque li "Achados e Perdidos", Editora Planeta de Agostini, e venho aqui confessar: "por que Santo Deus, não descobri Garcia-Roza antes? Aonde eu estava esse tempo todo?" 
Gostei demais. É nesses momentos que me vejo refletindo o quanto nossa literatura é rica e tem pessoas ainda que subestimam isso.Tem muita coisa boa no mercado! E engraçado que Garcia-Roza não é tão recente assim, mas por ironia do destino ainda não tínhamos nos encontrado. Agora, virei fã e vou correr atrás do tempo perdido. Vou providenciar mais livros do autor para encantarem minha estante.
Aposto todas as minhas cartas que ele vai fazer parte dos meus livros favoritos da nossa Literatura.
"Achados e Perdidos" é o segundo livro da série Espinosa, uma série de investigações que tem sempre como cenário o Rio de Janeiro.  
O livro marca o retorno do investigador policial Espinosa, que já aparecera no livro anterior do autor. "O Silêncio da Chuva". O recém promovido delegado continua o homem reservado do tempo da delegacia da praça Mauá, no centro do Rio.
Neste livro, Vieira, um delegado aposentado, se vê envolvido na morte da namorada, uma "garota da noite", e no desaparecimento de um menino de rua que tem muitas informações para dar à policia.
O ritmo da narração é frenética. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, e você vai vagando pelas ruas do Rio de Janeiro e "quase" que se sente em casa, de tão impressionante descrição do autor.
A história é muito bem resolvida no final de tudo. Personagens vão aparecendo, desaparecendo, surpreendendo!
Adorei a maneira como Garcia-Roza vai crescendo com a história. É um livro que conheci agora, mas já estou correndo atrás dos outros exemplares, apesar de muitos já estarem esgotado e sei que só vou encontrá-los em Sebo, mas vamos lá!!!
Recomendo muito. Descubram Espinosa, decifrem Espinosa! Deem uma chance a nossa Literatura. Para quem gosta de romances policiais, fica a dica!!!

Cláu

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Para Quê Dividir? - Nunca Jamais


Tive que passar esse livro na frente, pois era emprestado e já havia um tempo que estava aqui em casa. Mas não me arrependo nada.
Quem acompanha o blog há um tempo ou já viu minhas postagens mais antigas, sabe que eu AMO "Um Caso Perdido", da Colleen Hoover.
Mas quando comecei a ler "Nunca Jamais" Editora Galera Record, eu sabia muito pouco da história. Dessa vez não quis procurar muito do que se tratava.
O livro vai se revezando entre os capítulos da Charlie e do Silas. Os dois são melhores amigos desde pequeno e hoje namoram. Porém, de uma hora para outra, ambos perdem a memória no mesmo dia! Todas as recordações desaparecem enquanto eles estão no colégio - agora eles não sabem quem são, quem são aquelas pessoas à suas voltas, aonde estão e suas histórias.
Juntos, eles terão que trabalhar para descobrir a verdade sobre o que aconteceu e o por quê. No entanto, algumas descobertas mostrarão para eles que a vida deles não era tão fácil, e que a situação não será tão simples. Com um final de deixar a gente ficar sem dormir por horas, "Nunca Jamais" pode te surpreender.
O livro é super curtinho, tem menos de 200 páginas - tanto que li em dois dias! Ele é muito rápido e gostoso de ler, nos deixando a cada página com uma vontade gigantesca de continuar logo a leitura.
A construção da autora também é muito boa. Do mesmo jeito que os personagens estão totalmente perdidos na situação, ela consegue passar e deixar a gente tão confuso quanto eles. Vamos começar a leitura sabendo tão pouco quanto eles e só iremos descobrir algumas pistas da metade para o final.

"Que estranho ser feita de carne, se equilibrar em ossos e ter uma alma que nunca conheci."

Os personagens são bons, principalmente a Charlie. Eu gostei muito dela - personagens meio difíceis de se lidar me agrada, rsrs. Já o Silas é meio chato, muito grudento com ela, mesmo não tendo nenhuma memória de como era o namoro dos dois. E a Colleen sabe construir personagens femininas muito bem. Um dos pontos fortes dela!
O maior problema que vi é que a autora ou editora decidiu dividir a história em dois livros... E não precisava! Eles fazem parte da duologia "Never Never", mas claramente isso foi feito para ganhar $$. Esse primeiro tem menos de 200 páginas e dava facilmente para deixar num só (até porque o segundo lá fora tem 158 páginas...). Isso me irritou demais - e para piorar, o segundo não foi lançado aqui e nem sei se já tem data de lançamento. Totalmente desnecessário, mas super recomendado para uma leitura rápida, com uma dose de suspense e romance.

Ps¹.: E o que dizer do final? Acabou no ápice do livro, no melhor momento.

Ps².:  É incrível como a autora consegue colocar o título (do livro e da série) no meio da história e fazer total sentido. Ela já tinha feito isso em "Um Caso Perdido" e faz isso novamente. Brilhante!

Errata: Nos comentários, as pessoas me avisaram que são três volumes e não dois. Obrigada a todos que me avisaram!

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

sábado, 15 de outubro de 2016

Livro Desnecessário - Depois de Você


"Foi o 'talvez' que me fez tomar a decisão. Tinha algo de definitivo naquela palavra, como uma porta sendo fechada lentamente. Fiquei olhando para o meu celular enquanto aquelas inúmeras pessoas chegando para trabalhar na cidade me rodeavam, e algo dentro de mim também mudou. Eu poderia ir para a casa lamentar mais uma coisa que eu havia perdido ou poderia abraçar uma liberdade inesperada. Era como se uma luz tivesse se acendido: a única forma de evitar ser deixada para trás era começar a seguir em frente.
Fui para casa, fiz café e fiquei encarando a parede verde. Então peguei meu laptop".

Vamos lá. Achei desnecessário essa continuação. "Depois de Você", da amada Jojo Moyes, Editora Intrínseca, me pareceu mais uma dessas forçações de barra. Uma daquelas imposições que as Editoras costumam fazer a alguns escritores para ganharem mais dinheiro.
Como já disse antes, AMEI! "Como Eu Era Antes de Você" , mas definidamente, não! "Depois de Você" é um livro fraco, com uma história chata e sem grandes acontecimentos, tanto que demorei semanas me arrastando nele.
Não vou entrar muito em detalhes para não dar spoiler para quem ainda não leu o primeiro, mas é mais uma crise de Lou Clark, a sua busca por respostas para o óbvio. E a história vai se arrastando com personagens que não cativam, não conquistam. Não dá para contar muito porque qualquer coisa que falar vou contar o final do anterior, mas achei chato. 
Pior: não sei vocês, mas nada me tira da cabeça que teremos um terceiro pela frente. O final ficou aberto. Triste! De morrer!
Tenho certeza absoluta que não havia necessidade dessa continuação. "Como Eu Era Antes de Você" terminou como deveria, e vida que segue.
Não gostei, mas é questão de ponto de vista. Eu esperava mais, esperava uma história mais consistente, mais despretensiosa e envolvente. Não fui isso que encontrei, mas recomendo muito o primeiro.
Abraço,

Cláu Trigo

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A Traição do Sapato Novo - Conto #1 do Livro dos Mistérios


Algumas semanas atrás, estava mexendo no meu Facebook e vi uma postagem num grupo de literatura que participo que chamou minha atenção mais do que as outras. Era uma pessoa perguntando o que éramos: leitores, blogueiros, escritores, vlogueiros, capistas, etc... Respondi que era leitora e blogueira literária <3 Não custava nada.
Depois esqueci do post. Várias semanas depois, eis que alguém me responde e fiquei bastante surpresa, pois nem lembrava mais do post. E só quando fui ler a resposta que descobri que o autor do post (e da resposta) é o autor desse conto: o Jeremias!
Ele fez uma perguntas curta e simples e que já tinha uma resposta pronta: você leria um conto escrito por um corinthiano? (P.S. Sou uma são paulina chata, que grita muito em jogo e briga bastante por futebol - mas isso é história para outro momento, rsrs).
Fui procurar na Amazon sobre o que era o conto e descobri que ele é autor de três contos que fazem parte da "série" O Livro dos Mistérios. Esse é o primeiro e já aviso que vai ser difícil fazer uma resenha sem dar spoiler. Mas prometi para o Jeremias que iria conseguir fazer isso! Até porque ele meio que me desafiou, e adoro desafios...
Esse primeiro conto tem somente 14 páginas, em meia hora dá para ler. Mas podem ter certeza que vocês irão demorar muito mais tempo pensando nele e tentando decifrar as perguntas que o autor nos deixa. A sinopse é simples, durante uma comemoração uma mulher está no banheiro se arrumando. Quando o nosso protagonista vai se despir, eis um problema: o nó do cadarço está fortíssimo e ele não consegue tirar a roupa! Como esse homem irá resolver essa traição do sapato num momento tão crucial?
Talvez lendo a sinopse você não consiga captar o que o autor quer fazer com você, leitor. Porém insisto para que leia, não vai perder muito tempo, mas tenho certeza que você vai ficar um tempo pensando quem são essas pessoas? O que elas estão fazendo? O que seria o livro rosa que é citado na história? Qual a relação da capa com a história? Para tudo isso tem uma resposta e vai ser bem difícil descobrir de primeira. E se você souber, parabéns! Você é muito bom!
Quando terminei de ler o conto, já tinha algumas ideias na cabeça, mas nada confirmado... Passei alguns dias com aquelas perguntas. Até que decidi importunar o Jeremias numa quinta à noite para saber se estava no caminho certo ou se estava viajando muito. E ele foi super atencioso respondendo a todas as minhas perguntas. No final, estava pensando certo!
Eu só tenho que agradecer ao Jeremias por me mostrar e disponibilizar o conto; por passar um tempão conversando comigo, respondendo as minhas perguntas. E olha que falo demais rsrs. Agora preciso ler o segundo que é um pouquinho maior: 36 páginas. E aviso, prestem bastante atenção em cada palavra, pois para entender tudo, você vai precisar! Ah, e em algumas partes, pelo que vi nas sinopses, um conto responde uma pergunta do outro, meio que se completam.
Os três contos tem na Amazon por um preço super barato: R$1,99! E todos tem menos de 100 páginas, dá para ler numa sentada. A sequência deles é a seguinte:

  1. A Traição do Sapato Novo (14 páginas);
  2. O Voo da Mariposa (36 páginas),
  3. A Semente do Veneno (60 páginas)
Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Acqua Toffana é de Matar!


"Até esse momento, eu era infeliz e isso era tudo. O amor não se dissolve, o amor acaba. Como alguém que é atropelado e morre instantaneamente. Acaba assim, o amor. Quem percebe isso ainda tem chance. Quem não percebe vai de graça até o inferno. Eu não percebi".

"Acqua Toffana", de Patricia Melo, Editora Companhia das Letras, é outro livro da minha coleção de desnecessário.
O livro é chato. A autora tenta inovar com  frases curtas, jogadas, totalmente ineficaz. 
Não gostei da história, do vai e volta, dos personagens postados de loucos, da enrolação do enredo.
Tudo é muito enrolado. Não cativa, não prende. É aquele típico livro que você não vê a hora de acabar e poder esquecê-lo, para sempre, na estante.
Achei que a autora quis inovar com uma escrita de cortes rápidos, mas acabou me parecendo que as palavras foram jogadas ali, largadas. Não deu muito certo. É aquela experiência para ser esquecida.
O título, para quem não sabe, remete a um mistério renascentista: acqua toffana era um veneno devastador, do qual hoje não se sabe muita coisa, a não ser que ceifou muitas vidas ilustres.
São duas histórias. A primeira acompanha a trajetória de um matador de mulheres da perspectiva da vítima, uma personagem chata, louca, sem atitude. Os diálogos são superficiais e melancólicos. Dá vontade de dormir.
A outra história é baseada na mente doentia de um criminoso em torno de sua vítima.
Quando eu achava que não teria nada mais chato que a primeira personagem, descobri que sim, pode ter e têm! O cara consegue me irritar, mas não de uma maneira que você acaba, no final, criando um certo 'laço' de amor e ódio com ele. Não! Esse personagem é fraco, apático, sem graça.
Não gostei do livro. Tenho também "Inferno" da autora e espero, sinceramente, que ela tenha melhorado a sua escrita com o tempo, porque "Acqua Toffana" é de chorar, mas de ódio pela perda de tempo.

Cláu Trigo

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A Lista - Resenha/Desafio


"Faria 85 anos na semana seguinte; é claro que ela tinha inúmeras histórias, e é claro que tinha segredos, todo mundo tem. A questão era tentar decidir qual delas Kitty poderia escutar e, depois de todo esse tempo, qual Birdie desejava contar."

Sempre que pego na mão um livro da Cecelia Ahern, já vou cheia de expectativas, esperando muito das histórias dela. Simplesmente porque essa mulher é demais! Como amo ela, sua escrita e seus livros...
E com esse não foi diferente. "A Lista", da maravilhosa Cecelia Ahern. Editora Novo Conceito, foi mais um espetacular livro dela.
A trama é bem simples: a nossa protagonista, Katherine Logan - ou melhor, Kitty, como prefere ser chamada - acabou de entrar numa enrascada daquelas.
Ela é uma jornalista que recentemente participou de um programa de TV e acusou um professor de abuso sexual de duas alunas dele. O único problema é que todo mundo estava assistindo esse programa e a informação que ela tinha era falsa... Com isso ela perdeu o emprego que ela tinha no canal, sua carreira está arruinada, perdeu seu namorado, seu melhor amigo está decepcionado com ela e a sua mentora e chefe, Constance, está gravemente doente.
E antes de falecer, Constance deixa um mistério na mão de Kitty - uma lista com cem nomes de pessoas que a primeira vista não tem nenhuma conexão. E é a partir daí que a história vai se desenrolar. Kitty indo atrás dessas pessoas e tentando entrar em contato com elas para descobrir essa relação e escrever uma matéria na revista "Etcetera" na qual trabalha e Constance era chefe. E nesse meio ainda tenta recuperar um pouco de dignidade e salvar seu emprego que está por um fio.
A Kitty é uma personagem que no começo é difícil de se apegar, até pelo que ela fez. Mas depois a gente percebe que ela foi usada e que no fundo ela se sente mal. E as pessoas ao redor dela não ajudam muito, mas as coisas vão se encaixando.
E o final é de arrebentar! Para mim o melhor final dos livros dela que já li. É simples, faz total sentido e é perfeito. Não esperava que ela pudesse acabar tão perfeitamente.
O sentidos dos nomes estarem naquela lista é tão delicado que ele concretizou o livro como o meu preferido da Cecelia.
É incrível como a autora escreve bem e consegue nos atingir. A mensagem que ela sempre passa é lindo, e todos deveriam ler algo dela - e mais importante: não só os livros que saíram filmes, que são os mais conhecidos. Ela tem MUITO livro bom que pouca gente conhece.

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Com Licença, Te Apresento Carlos Ruiz Zafón! - Resenha/Desafio


"- Quem são os loucos? - perguntou Jawahal. - Aqueles que veem o horror no coração de seus semelhantes e buscam a paz a qualquer preço ou aqueles que fingem não ver as coisas que acontecem a seu redor? O mundo, Ben, é dos loucos ou dos hipócritas. Não existem outras raças na face da Terra senão essas duas. E você tem que escolher uma delas."

Já fazia um tempo que não lia nada do autor, mas com o terceiro livro lido, para mim, não tem discussão: esse cara escreve MUITO! Ele sabe juntar fantasia e terror com histórias de criança de um jeito que só ele sabe fazer.
Dessa vez o livro foi "O Palácio da Meia-Noite", do Carlos Ruiz Zafón, Editora Suma de Letras, e posso começar falando que esse é um dos melhores livros no ano que li...
A história é focado no Ben e na Sheere, dois jovens que acabaram de fazer 16 anos e descobrem que são irmãos gêmeos. Por conta de seus passados, eles foram separados ainda quando eram bebês. Ela morou com sua vó, Aryami Bosé, e ele passou sua infância num orfanato na cidade de Calcutá.
Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos, eles se reúnem no Palácio da Meia-Noite e embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história.
A avó deles, Aryami irá contar a história do passado deles: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeters Gate, onde enfrentam o terrível pássaro.
No começo, eu estava meio confusa com o enredo, pois inicia com um dos personagens narrando e ficamos meio perdidos em saber quem é, mas com o passar da história o autor vai nos apresentando um pouco mais dela e as peças vão se juntando.
O livro vai se alternando entre a narração desse personagem (que não falarei quem é para não acabar com a graça da escrita) e a história "normal" - em que a cada capítulo estamos num ano diferente de Calcutá. Começa em 1916 e vai terminar em 1932.
Logo nas primeiras páginas achei bem interessante a história se passar na capital da Índia. Não é algo tão comum e nem estamos muito acostumados com essa paisagem, e exatamente por causa disso é meio difícil decorar os nomes dos lugares e dos personagens. Mas é questão de tempo e logo estamos familiarizados.
Os personagens são muito bem construídos e super carismáticos. A história te prende logo nas primeiras palavras e a construção dela é perfeita. Você acaba o livro vendo que o Zafón não deixou  nenhuma parte em aberto. E o final, além de me pegar de surpresa, é bem emocionante.
O autor consegue incorporar também muito bem a mitologia e o folclore local. Tanto que a cidade, segundo um dos personagens, é o "lar da divindade Dido, uma princesa que entregou seu corpo ao fogo para aplacar a ira dos deuses e purgar seus pecados. Mas ela retornou, convertida em deusa." Assim como a Fênix.
Diferente de "Marina" (outro perfeito livro doa autor), que dá um gostinho de quero mais no final, esse acaba da melhor forma possível, de um jeito que só o Carlos Ruiz Zafón sabe fazer. Juntando fantasia com suspense em um livro que pode sim,ser considerado infanto-juvenil - inclusive o autor fala sobre isso antes de começar a história.
Todos deveriam dar uma chance para algum livro dele - e se você ainda não fez isso, está perdendo uma gigante oportunidade de conhecer um ótimo autor europeu (ou melhor, espanhol!) que escreve aventura para todas as idades, ou como ele próprio diz: "A eles e aos jovens e não tão jovens que se aventuram hoje pela primeira vez no terreno desses romances e seus mistérios, o mais sincero agradecimento deste contador de histórias. Feliz leitura."

Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como Eu Era Antes de Você


"O quarto estava estranhamente calmo. Pelo vão entre as cortinas dava para ver o mundo lá fora, coberto de branco, calmo e lindo. Ali dentro estava quente e silencioso e só o zunido e o assobio do aquecimento central interrompiam os meus pensamentos. Fiquei lendo e, de vez em quando, olhava Will dormir tranquilamente. Conclui que nunca houve uma época na minha vida em que pude ficar em silêncio, sem fazer nada. Numa casa como a minha, é impossível crescer acostumado ao silêncio: o aspirador estava sempre ligado, a TV berrando, as pessoas falando. Nos raros momentos em que a TV ficava desligada, papai colocava seus velhos LPs do Elvis para tocar a todo volume. Um café também tem um barulho constante, com todo o falatório e tilintar de talheres.
Ali, eu podia ouvir meus pensamentos. E quase escutava meu coração batendo. Percebi, para a minha surpresa, que gostava disso."

Cara, como não amar essa história? "Como Eu Era Antes de Você", da Jojo 'querida' Moyes, Editora Intrínseca é mais uma dessas encantadoras histórias que você vai levar para sempre no coração. 
Pode até parecer clichê, afinal, é mais uma dessas inúmeras histórias de amor. Mas não. A maneira que é contada vai contra as ideias que construímos do que é realmente o amor e até onde podemos ir. E as consequências que teremos que colher no final.
Não sei nem como explicar o que aconteceu com o meu coração quando o livro acabou e eu teria que conviver com aquilo. Foi apaixonante do começo ao fim.
Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu derrame. Sua vidinha ainda inclui o trabalho como garçonete num café de sua pequena cidade - um emprego que não paga muito, mas ajuda com as despesas - e o namoro com Patrick, um triatleta que não parece muito interessado nela. Não que ele se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico, Will Traynor tem 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de ter sido atropelado por uma moto, o antes ativo e esportivo Will agora desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Sua vida parece sem  sentido e dolorosa demais para ser levada adiante. Obstinado, ele planeja com cuidado uma forma de acabar com esse sofrimento. Só não esperava que Lou aparecesse e se empenhasse tanto para convencê-lo do contrário.
A história vai criando suas formas da metade para frente, mas é envolvente, refletiva, uma alta análise de valores, família, amor, morte.
O livro terminou e eu fiquei com 'aquela' cara de como assim?
Existem alguns temas que, como não fazem parte do nosso cotidiano, acabam ficando em segundo plano em nossas vidas. Acabamos não tendo uma opinião formada sobre. Esse livro será o momento para você refletir sobre alguns assuntos que não costumamos pensar. E pode acreditar: você nunca mais esquecerá de Will!!!
Eu mais que recomendo, indico como uma linda história de vida e de amor. E mais, de atitudes.
Abraço,

Cláu Trigo

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O Alucinante e Sensacional


"- Não, meu amigo. Somos lunáticos saídos daquele hospital, ali adiante na estrada, cerâmica psíquica, as cucas fundidas da humanidade. Gostaria que eu interpretasse um teste de Rorschash para você? Não? Está com pressa? Há, ele foi embora. Que pena! - virou-se para McMurphy. - Eu nunca havia percebido que a doença mental pode incluir o aspecto de poder, PODER. Pense nisso: talvez quanto mais louco um homem seja, mais poderoso pode tornar. Hitler é um exemplo. Se a gente se sente bem, algo faz o velho cérebro funcionar de novo, não é?Temos ai um bom tema para reflexão."

Mais um querido para a conta! 
"Um estranho no ninho", de Ken Kesey, da BestBolso era mais um daqueles livros que já estavam criando raízes na minha estante.
Fazia anos e anos que estava lá, só me observando, e eu, nada! Até que num belo dia de sol resolvi tirá-lo do seu aconchego e colocá-lo num lugar melhor: minha mesa de cabeceira, também conhecida por criado-mudo!!!
Promovi ele de cargo e lá fomos nós. Começamos então o nosso relacionamento. E eu, como sempre, torcendo para dar certo.
A primeira parte parecia que o negócio ia desandar. Não me parecia que ia dar certo. Não via futuro naquilo. Foi um único capítulo, longo, longo, longo. Imaginem: um único capítulo que quase 200 páginas. É de chorar. E além do mais é meio massante, cansativo. Muita informação com pouca ação. Ufa! Quando chegou as demais partes, a coisa mudou totalmente de angulo, andou de uma maneira frenética, alucinante. Foi que foi!
As páginas anteriores, a primeira parte, aquela que demorei cerca de uma semana para acabar, ficou pequena diante do resto do livro, as outras 300 páginas terminei em dois dias!
A primeira parte é muito informativa, chega, é verdade, a cansar; mas não desistam do livro. Ele é bom demais, louco demais, irônico demais. Tudo é mais!
"Um Estranho no Ninho", é um clássico da contracultura que retrata os psicodélicos anos 60.
O romance de Ken Kesey é inspirado em suas próprias experiências quando participou de pesquisas com drogas psicoativas no centro psiquiátrico do Menlo Park Veterans Hospital, Califórnia. O livro tem como protagonista R. P. McMurphy, um preso que escapa da condenação fingindo-se de louco. McMurphy é então internado em um hospício, sob a tutela da sádica Chefona, a enfermeira Ratched, que comanda os internos com suas rigorosas sessões de terapia e eletrochoque. Aos poucos McMurphy percebe que o hospício pode ser muito pior que a prisão, e nesse novo universo cercado por pacientes inseguros, ansiosos e constantemente dopados ele vai tirando suas próprias conclusões, criando seus laços de amizade e companheirismo.
São pessoas que buscaram refúgio da sociedade no hospício. Um livro louco, mais muito real. E atual!
É uma história sensacional. É engraçado. É forte. Faz rir e chorar. Você consegue se infiltrar nesse universo. E vai sair de lá levando na bagagem muito mais que somente lembranças. Pode acreditar.
Recomendo muito.
Abraço,

Cláu Trigo

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O Inusitado e Suas Peculiaridades!


"No entanto, se o rosto ia se desvanecendo em mim, ia se apagando como o de uma atriz que tinha parado de fazer filmes há muito tempo. Outra coisa que me acontecia era que, de tanto ver e contar filmes, muitas vezes eu os embaralhava com a realidade. E me custava lembrar se determinada coisa eu tinha vivido ou visto projetada na tela. Ou se havia sonhado. Porque acontecia que até os meus próprios sonhos eu confundia depois com cenas de filmes.
A mesma coisa acontecia com as lembranças mais lindas da minha mãe. As imagens dos poucos momentos felizes vividos com ela se desvanecendo na minha memória, inapelavelmente, como cenas de um filme velho.
Um filme em branco e preto.
E mudo."

Preciso confessar: comprei esse livro imaginando uma coisa e foi outra BEM diferente!
"A Contadora de Filmes", de Hernán Rivera Letelier, Editora Cosac Naify, digamos que foi uma agradável surpresa.
Quando comprei o livro - eu, cinéfila de carteirinha! Graduada e apaixonada! - achei que ia encontrar na história, sugestões, histórias, curiosidades e afins, mas não! Encontrei muito mais que isso, encontrei uma linda história de uma "verdadeira" contadora de filmes, mas o "filme" foi o menos importante aí.
Não comece a leitura achando que você, como eu, encontrará sugestões de grandes filmes, roteiros da sétima arte, história de grandes diretores e suas peculiaridades, não. Se for por esse caminho será sua maior decepção. O caminho é outro, mas vale tão a pena quanto!
Pensei numa coisa, comprei, e acabei encontrando outra. Talvez, melhor. Pelo inusitado.
Gosto muito de ser surpreendida. O tempo todo! Para tudo! Confesso que fui...
Para Borges, a missão de um escritor era dar nome ao que ainda não havia sido nomeado. Muitos escritores cumpriram essa tarefa, em diferentes latitudes. Guimarães Rosa, incorporando o não dito do sertão mineiro. Machado de Assis, revelando o Rio antigo. Kafka, uma Praga fantástica. Joyce, os meandros de Dublin e o além-mar. Faulkner, a cidade que ele inventou no Mississipi. Cormac McCarthy, a fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Outros mesclaram esse desejo de desvendamento com a atração que o cinema lhes suscitava. É o caso de escritores cinéfilos como Raymond Chandler, Manuel Puig, Rubem Fonseca ou Paul Auster. Para esses, capturar as sombras e o pulsar de Los Angeles, Buenos Aires, Rio de Janeiro ou Nova York passa a ser tão premente quanto identificar os reflexos - o negativo - dessas mesmas cidades. É no chiaroscuros dos labirintos de becos e ruas, mas também das narrativas cinematográficas, que seus personagens evoluem e se perdem.
Hernán Rivera Letelier é, como esses autores, um escritor que construiu uma obra única e singular. O escritor dá nome aos povoados que se desenvolveram no deserto chileno do Atacama, ao lado das indústrias de salitre. Povoados de mineiros, de quem ele fala com raro conhecimento de causa. Filho de mineiros, viveu dessa profissão antes de virar escritor.
O cinema também está no centro de suas histórias. Em muitas dessas comunidades do Atacama, conhecido como "o deserto mais solitário do mundo", os filmes que passavam nas salas da cidade eram a única maneira de mergulhar em outras realidades, distantes da aridez asfixiante do deserto.
"A Contadora de Filmes" é um relato comovente, que fala dessa convivência entre uma realidade áspera e a possibilidade de transcendê-la. Final dos anos 50: Maria Margarita é a filha menor de uma família de mineiros, para quem a sessão de cinema aos domingos é a ocasião para descobrir a última obra-prima de Chaplin, as tramas lacrimejantes dos filmes mexicanos, a saia esvoaçante de Marilyn Monroe ou as novas aventuras de John Wayne. É, também, o lugar onde as pessoas se encontram para namorar, mostrar a camisa recém comprada, trocar informações sobre a vida que corre. É a conversa do jantar, o contato com o mundo.
O acidente de trabalho sofrido pelo pai corta a renda familiar pela metade, e um só filho será escolhido para ir ao cinema aos domingos. A missão: contar a história do filme para o resto da família. É nesse momento de ruptura que Maria Margarita descobre o talento que tem para narrar. Ela se torna, pouco a pouco, a memória cinematográfica de sua região.
Além desse embate fascinante entre a realidade e imaginação, "A Contadora de Filmes" é um relato delicado sobre a descoberta da puberdade e as agruras da adolescência. É, também, uma narrativa reveladora sobre a tensão entre classes sociais, sobre o abuso do poder e a violência que resulta da convivência de contrários no mesmo espaço geográfico.
Quando a narrativa avança no tempo, passando a incorporar as mudanças resultantes da televisão e introduzindo o trauma político causado pelo golpe militar de Pinochet, a crise dos personagens e a do país se fundem. O relato se universaliza. Compreende-se que, mesmo num canto remoto do mundo, nada mais será como antes. O tempo passa a ser personagem da trama. Advém daí a sensação de que, ao ler o livro, compartilhamos uma vivência maior, de um relato amplo e fecundo, que transcende a aparente simplicidade do texto e da sua arquitetura. Porque dar nome ao que ainda não foi nomeado é também tentar descobrir o que somos, que memórias nos habitam, que ausências nos formam.
A obra de Letelier propicia também uma forma de resistência. Com a mecanização, as cidades surgidas no Atacama se transformaram pouco a pouco em cidades fantasmas. As histórias do autor repovoam essas cidades, dão-lhes uma possibilidade de permanência, estabelecem uma memória coletiva que resiste ao tempo.
Não se trata propriamente de um livro sobre filmes, mas de histórias que poderiam ser sim, uma sétima arte!...
É isso, então!
Fica a dica.

Cláu Trigo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A Desconstrução do Mito Feminino - O Papel de Parede Amarelo


"O trabalho das mulheres dentro de casa sem dúvidas permite aos homens produzir mais riqueza do que normalmente conseguiriam. E desta forma as mulheres têm papel econômico ativo na sociedade. Mas o mesmo vale para os cavalos. O trabalho dos cavalos permite aos homens produzir mais riqueza do que normalmente conseguiriam. Os cavalos têm papel econômico ativo na sociedade, mas não têm independência financeira, assim como as mulheres."

Mais que um livro que se tornou  referência do Movimento Feminista, "O Papel de Parede Amarelo", de Charlotte Perkins Gilman, Editora José Olympio, é um sinônimo de luta, de coragem, de reconstrução.
O livro narra a história de uma esposa fragilizada, que sobre os cuidados do marido médico, vai se recuperar numa fazenda histórica numa tentativa de criar ali um retiro de recuperação emocional. O lugar é encantador, com uma bela mansão colonial e jardins amplos e sombreados. Tudo parece compor o cenário perfeito. Mas algo de muito estranho se passa naquela casa... especialmente no quarto em que o casal se instala, com o sombrio papel de parede amarelo.
Quando a autora nos aproxima da personagem feminina, uma mulher deprimida e submetida a um tratamento impositivo e infantilizador, percebemos que a incômoda estranheza sentida por ela tem suas causas em algo além da casa e das berrantes visões despertadas pelo papel de parede amarelo. E o estranho, como observou Freud, é aquilo que nos é familiar.
É um conto muito acima de seu tempo, Como Elaine Hedges nos fala no Posfácio; "Do seu jeito louco-são, Charlotte viu a situação das mulheres exatamente pelo que ela é. Ela queria estrangular a mulher atrás do papel - amarrá-la com um corda. Porque essa mulher, o trágico produto de sua sociedade, é naturalmente o próprio eu da narradora. E, ao rejeitar essa mulher, ela poderia libertar a outra, aprisionada dentro de si mesma. A única rejeição disponível, contudo, é o suicídio, e assim ela cai numa espiral de loucura. A loucura é sua única liberdade, conforme, rastejando pelo quarto, grita para o marido que finalmente conseguiu "sair" - do papel de parede - e não pode ser colocada de volta".
É uma leitura muito atual e consciente. Cheia de passagens fortes e subliminares, uma complexa desconstrução do mito que é ser mulher. Vale muito uma análise mais profunda e analítica, mas deixo isso para uma próxima oportunidade.
Valeu.

Cláu Trigo

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Bienal 2016


Essa Bienal já passou e já queremos a próxima! Essa relação que temos com o evento é estranho. Estava comentando esses dias que, no nosso caso e de várias pessoas, esperamos dois anos para chegar o dia, compramos vários livros, encontramos muita gente legal e nos divertimos muito, e de repente, esse momento passa num piscar de olhos. Agora já estamos fazendo a contagem regressiva para a próxima. Além do fato de ficarmos muito ansiosas antes.
Para quem ama esse mundo, esse é o melhor lugar em todos os sentidos. Livros, pessoas que conhecemos, brindes, autores que normalmente só vemos pela tela do notebook e cansaço, muito cansaço. Mas no final, tudo isso vale muito a pena.
Fomos no último sábado (dia 03) e já estávamos mais preparadas do que em 2014. Levamos mochilas e bolsas para carregar os livros, garrafinha d'água, salgadinho para não ter que comer lá, saímos muito cedo de casa para chegar no primeiro horário, levamos mapa dos standes - para garantir! - , entre várias outras coisas... Enfim, nos preparamos bem. E muito por causa disso, aproveitamos bem mais.
Além do nosso cuidado, a Bienal parecia estar mais organizada, o que também facilitou muito as coisas. As ruas estavam mais largas, então dava para andar - diferente do último ano - e as próprias editoras também estavam mais organizadas. Várias delas já deram senha antes para os autógrafos maiores, não tinham filas e filas só para entrar no estande, deixaram marcadores em todos os cantos, o que ficou mais fácil para a gente e para eles.
O único problema novamente foram os preços! Tanto para comer quanto no valor dos livros. Nas editoras, os livros levavam o preço de capa das livrarias físicas. Tinha editoras que os livros estavam com média de 30, 40 reais. Isso é um absurdo! Que eu saiba a Bienal é uma feira e deveria estar com preços muito mais baixos. Aonde valia comprar era nos estandes de livreiros. Lá os preços estavam muito bons. Tudo por volta de 10 reais! Uma das poucas que estava com um preço muito bom foi a Editora Gente - lá os preços estavam tudo pela metade, o mais caro estava 15 reais. E o que dizer da Saraiva... Do que adianta terem o maior estande na Bienal para ter preços absurdos? Tudo estava acima de 40 reais - nem ficamos muito nela, pois não valia a pena. Saraiva, melhore!
Agora vamos falar do que compramos e quais autores encontramos e conseguimos autógrafos.


Uma das melhores coisas que sempre tem na Bienal de SP é o estande da Ciranda Cultural! É logo na entrada e os preços são ótimos. Compramos alguns livros lá. Logo em seguida passamos na Comix e um outro estande de quadrinhos para comprar alguns mangás que meu irmão queria. E depois veio uma das maiores surpresas do dia, encontramos com o Sérgio Santos, autor de "O Segredo de Carol" (meu? rsrs) e "Trama Mortal", sendo que o primeiro livro já estava um tempo na minha lista para comprar. Ele foi muito gentil e simpático. Começamos super bem a Bienal.
Depois passei na Novo Século para autografar o meu "A Arma Escarlate", que trouxe de casa. Fiquei muito feliz por ter conseguido. Depois passamos em vários estandes, alguns compramos alguma coisa, outros nem ficamos muito tempo por causa do preço.
Já quase no final, passamos no estande da Draco, nossa parceira, e foi um dos melhores momentos. Além do pessoal super simpático, levamos três autógrafos!!! Comprei "Inverso" e "Reverso" da Karen Alvares, que foi muito gentil. E o melhor: levei o último "Inverso", depois esgotou! E agora entra uma história engraçada. Depois de ter conversado com ela, a gente saiu para dar uma olhada na Editora 34, que nem valeu a pena. Quando já estávamos indo embora, decidimos voltar na Draco para pegar o "Metrópole", da Melissa de Sá, que também estava na minha lista. E ela ficou super feliz, foi muio fofa! O resumo: começamos e encerramos perfeitamente essa Bienal.
A única coisa que fiquei um pouco triste é que não consegui entrar na Rocco, que era uma das que mais queria visitar - era para tirar foto no carrinho do HP -, mas infelizmente, eles foram o que vi mais desorganizados por causa disso, e desisti...


No final, acabamos quase não comprando os livros da nossa lista que levamos - como sempre! Mas em troca, achamos muitos livros que não conhecíamos e conseguimos mais autógrafos do que esperávamos. Adoro ajudar os nossos autores! A literatura não é só americana! Temos muitas coisas boas aqui e o único jeito deles crescerem é se começarmos a dar mais oportunidades para eles. Fiquei muito feliz com todos os autores que conhecemos!
Todas as fotos estarão em um álbum lá na página do Facebook. Vai ter foto de todos os autógrafos e com os autores - e mais uma plaquinha linda que comprei lá! É só clicarem aqui!
Espero que tenham gostado do post, tomará que todos que foram para a Bienal tenham se divertido e aproveitado tanto quanto nós! Aproveitamos demais e já estamos com saudades.
Comentem ai embaixo o que acharam da organização desse ano, o que compraram e se conseguiram algum autógrafo.

Até a próxima Bienal e boa leitura!
Carol!!!

domingo, 28 de agosto de 2016

Mágica? Só a Biblioteca de Bibbi Bokken! - Resenha/Desafio


"Mas vamos ao que interessa. Pensei muito sobre aquela ideia do livro de cartas e tenho que admitir que não acho essa ideia tão má. Escrever cartas num caderno e envia-lo de Oslo para Fjaerland e vice-versa vai ser, para mim, como se a gente enchesse um álbum com palavras em vez de fotos (he, he). Isso se tivermos alguma coisa para escrever, é claro. Essa é a questão. Estou começando a desconfiar que este outono não vai ser a época mais emocionante do ano, e imagino que em Fjaerland as coisas também não estejam muito agitadas. Ou será que descobriram ai na geleira de vocês algum misterioso homem das neves?"

Mais um desafio vencido. "A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken", do Jostein Gaarder, Editora Cia das Letras, foi mais um livro para a conta do autor norueguês.
O livro é fofo! Confesso que li recentemente "O Castelo nos Pirineus" e achei cansativo, arrastado. Esse não! É literatura infanto juvenil, mas nem por isso deixa de ser uma boa história.
Vejo pessoas passarem por aqui dizendo - "Ah, é literatura infanto juvenil, e eu não curto!!". 
Qual seu problema tupiniquim? Não é classificação que define a qualidade de um livro. No auge de meus 40 anos leio e me divirto com qualquer história, desde que está seja bem escrita, bem contada, me acrescente algo sem subtrair o que me resta! 
E essa foi mais uma para a conta! Um livro realmente mágico, que se você tiver um "pingo" de imaginação, vai viajar com ele. Sem nunca se esquecer que é um livro juvenil, então deve ser tratado como tal!!!
Os livros contam muitas histórias - mas você sabia que eles têm uma história própria? O primeiro livro foi inventado há mais de quinhentos anos. Foi para contar a história desse objeto tão especial que Jostein Gaarder e Klaus Hagerup decidiram escrever um. E, como não poderia deixar de ser, contam também uma outra história, muito divertida: a de Nils e sua prima Berit, que vivem em cidades diferentes da Noruega e decidem iniciar uma correspondência que caba virando um livro.
Os dois passaram as férias juntos, na cidadezinha de interior onde ela vive, mas Nils precisa voltar para a capital, Oslo, para o reinício das aulas. No caminho, porém, ele decide comprar um caderno desses com capa dura e até chave, para escrever um diário e se corresponder com Berit: assim, os dois poderão se manter em contato também durante o ano escolar, escrevendo um ao outro nesse "livro de cartas" que viaja pelo correio de lá para cá e de cá para lá.
É justamente aí que começa o mistério. Ao comprar o caderno, Nils topa com uma mulher muito esquisita, que estranhamente se oferece para ajudar a pagar a conta. Por acaso, ela mora na mesma cidadezinha de Berit, e a menina, ouvindo o caso contado pelo primo resolve investigá-lo. Assim principia a correspondência um tanto secreta entre os dois. Quem seria essa tal Bibbi? E que história era aquela, sobre o dono de um sebo em Roma que coleciona livros ainda não escritos?
Em "A Biblioteca Mágica de Bibbi Boken", o grande herói é o livro e sua história, seu processo de produção e catalogação nas bibliotecas.
E é assim que os dois autores celebram esse objeto "mágico", que mudou a história da humanidade e também a vida de muita gente como você: o bok.
Bok? Bom, talvez seja uma palavra norueguesa...

"Se fantasia e mentira são a mesma coisa, os escritores são mentirosos de carteirinha. Quero dizer, eles vivem disso e as pessoas compram suas histórias mentirosas de livre e espontânea vontade. Elas até entram em clubes de 

Divirtam-se!!!
Cláu Trigo

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os Talismãs de Camelot


"Thomas Button cresceu e desenvolveu uma habilidade especial: a incrível capacidade de causar problemas por onde passava. Apesar de seus argumentos alegando inocência, acabava não fazendo muita diferença, pois as confusões vinham ao seu encalço. Como seu avô acostumou-se a dizer, "se há problemas, tem um dedo de Thomas Button"."

A resenha de hoje é muito especial, pois é o primeiro livro de parceria a ser resenhado. E não podia começar melhor!
"Os Talismãs de Camelot", primeiro livro da série "O Último Druida", do Guilherme Viana, é um livro super gostoso de ler, leve e rápido, e com umas pitadas de humor na medida certa.
Nosso personagem principal é Thomas Button, um garoto de 12 anos que vive entrando em brigas com os valentões de sua escola por causa de seu senso forte de justiça. E isso vai seguir o personagem o livro todo e vai ser muito importante para a narrativa. 
Os problemas começam a aparecer quando seu vô adotivo morre e deixa o menino sozinho. No dia seguinte ao falecimento, o menino recebe uma visita inesperada: na sua janela aparece Jackdaw, um corvo que fala e pensa como uma pessoa. E segundo Jackdaw, Thomas é um druida, um sacerdote da natureza, e que seu verdadeiro lar é a Ilha de Avalon - que por incrível que pareça, existe até hoje! O garoto viaja para lá e descobre que todas as lendas em volta do Rei Arthur, Camelot e Merlin são reais. Porém, uma profecia terrível circula sobre a ilha: essa profecia condena o mundo a uma guerra e um druida maligno chamado Sebastian Floyd pretende ganhar essa batalha. E ele quer que Thomas seja o primeiro a morrer!
O livro é muito rápido - tanto que li ele em uma semana, e quando eu leio um livro para o Kindle, normalmente demoro mais que isso! Thomas é um personagem que tem coragem de sobra, mas que em Avalon, isso não vai servir para muita coisa.
Como adoro mitologia, logo fiquei muito interessada em ler esse livro, e posso dizer que o autor constrói muito bem esse mundo e a mitologia celta (que eu ainda não tinha lido nada a respeito). Dá para perceber que o autor pesquisou bastante para passar as informações.
Mas lembrem-se que é um livro escrito para um público juvenil, então, para quem gostou de Percy Jackson e os livros do Rick Riordan, vai adorar esse. E eu fico muito feliz de saber que temos livros tão bons mostrando esses mundos fantásticos e mitológicos.
A literatura não só vive de livros estrangeiros!
Uma ótima recomendação para quem gosta do assunto.
Uma coisa que me chamou a atenção foi um detalhe pequeno, mas que toda vez que um autor faz isso, eu gosto de citar. Em um certo momento do livro, quando o narrador está apresentando os líderes dos clãs, um deles chama Sierra D'Arc, que segundo os druidas, é filha de uma importante figura do nosso mundo. Seria Joana D'Arc? Se for, a ideia foi genial! Esse ano, li "O Alienado", que também fazia essa brincadeira, e eu adorei!
A capa está linda e faz muito sentido com a história.
O livro, ainda não tem editora, então foi publicado direto na Amazon pelo Guilherme. E isso, algumas vezes pode ser um problema, principalmente em relação à revisão, mas aqui isso não acontece. Vi um ou outro errinho de gramática e concordância, mas nada que complique ou impeça a leitura. Isso é outro ponto positivo para o autor, porque imagino o trabalho que dá fazer tudo sozinho, e está bem melhor que muito livro de editora grande, que pagamos 40 reais para um trabalho mal feito!
Por fim, só quero dizer que não sei quando vai ser lançado o próximo livro, nem quantos vão ser, mas o final me deixou bastante curiosa para ler o próximo!
Espero que seja em breve, pois sou muito ansiosa, rsrs.
Recomendadíssimo!
"Para Thomas, era um excesso de informações. Claro que era uma ideia fascinante, mas não era nada simples. Sair de sua casa com um corvo falante não estava nos seus planos."
Até a próxima e boa leitura!
Carol!!!